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Questão de Português — Concordância (Verbal e Nominal) — VUNESP 2023

PortuguêsConcordância (Verbal e Nominal)
Código
vu183945
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Itapevi
Ano
2023
Cargo
Farm ( )

Contei por quase toda a minha vida uma história sobre o meu nascimento: eu tenho um leve afundamento craniano na nuca. Lembrava-me bem de uma vez minha mãe comentar que eu nasci a fórceps, o qual me causou essa pequena deformação. Logo criei toda uma teoria sobre ter vindo ao mundo puxado por uma ferramenta, como aquelas que ficam nos parques e shoppings em que você tenta pegar um bicho de pelúcia com um gancho de ferro, geralmente falhando repetidas vezes até assumir sua falta de habilidade.(a)

 

Tive, ao longo da vida, diversas reflexões sobre isso.

 

Geralmente me via sendo colhido como um rabanete,(b) em outros momentos pensava muito sobre como esse afundamento era o que eu tinha de mais íntimo, por ser minha primeira interação com o mundo: antes mesmo do látex das luvas da equipe médica me tocar,(c) eu já ganhava uma marca para a vida toda, fruto desse contato inaugural. Raramente corto o cabelo muito baixo, porque o vale fica mais evidente, então, é muito provável que a maioria das pessoas que me conhece nunca tenha percebido.(d)

 

Eu me apeguei a esse evento e o trazia junto de mim como uma história intrigante sobre vir ao mundo já dentro de um tipo de violência, como se minha vida toda fosse constantemente aquela sensação estranha de acordar subitamente. Num domingo qualquer, vindo de uma fase em que queria conhecer mais a minha história,(e) puxei o assunto do meu nascimento com minha mãe e quis saber sobre o fórceps. Minha mãe, muito naturalmente, me explicou que isso nunca aconteceu, que eu nasci em total tranquilidade – tanto que meu pai resolveu parar e fumar um cigarro a mais antes de subir ao andar da maternidade e nesse meio-tempo eu já estava fora do ventre de minha mãe, enrolado numa mantinha. Quem teria nascido a fórceps era a minha irmã e provavelmente eu ouvi essa conversa algum dia da minha infância e minha cabeça a transformaria numa história em que eu era o protagonista. Mas o que eu quero falar é sobre a minha reação imediata diante da desfeita dessa crença particular: eu, surpreendido, quis negar, quis falar que eu tinha certeza de que foi do jeito que eu contava para mim mesmo, ainda que fosse totalmente ilógico eu querer saber mais do que minha mãe sobre o assunto.

 

(Ricardo Terto. Quem é essa gente toda aqui? Todavia, 2021. Adaptado)

Está correto quanto à norma-padrão da língua portuguesa e o que se afirma no texto o trecho redigido entre colchetes na alternativa:
  1. A… você tenta pegar um bicho de pelúcia com um gancho de ferro, geralmente falhando repetidas vezes até assumir sua falta de habilidade… [… você tenta pegar um bicho de pelúcia com um gancho de ferro, geralmente falhando repetidas vezes até assumir tua falta de habilidade…]
  2. BGeralmente me via sendo colhido como um rabanete… [Geralmente me via sendo colhida como uma hortaliça…]
  3. C… antes mesmo do látex das luvas da equipe médica me tocar… [… antes mesmo da equipe médica, com suas luvas de látex, me tocarem…]
  4. D… é muito provável que a maioria das pessoas que me conhece nunca tenha percebido. [… é muito provável que a maioria das pessoas que me conhecem nunca tenham percebido.]
  5. ENum domingo qualquer, vindo de uma fase em que queria conhecer mais a minha história… [Num domingo qualquer, vindo de uma fase em que queria terem mais detalhes da minha história…]
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GabaritoD — … é muito provável que a maioria das pessoas que me conhece nunca tenha percebido. [… é muito provável que a maioria das pessoas que me conhecem nunca tenham percebido.]

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Concordância verbal com expressões partitivas: "a maioria de"

Gabarito: letra D. A alternativa D é a única que mantém o sentido do texto e está correta quanto à norma-padrão, pois a concordância do verbo com a expressão partitiva "a maioria de" pode ser feita com o núcleo "maioria" (singular) ou com o termo especificador "pessoas" (plural). No trecho original, o verbo "conhece" concorda com "maioria" (singular), e a reescrita proposta, com o verbo "conhecem" no plural, também é aceita pela norma culta, pois concorda com "pessoas". A banca pede o trecho que está correto quanto à norma-padrão e que mantém o que se afirma no texto — e a reescrita em D faz exatamente isso, sem alterar o sentido.

A questão exige dois movimentos: primeiro, verificar se a reescrita respeita a concordância verbal da norma-padrão; segundo, confirmar que ela não altera o sentido do trecho original. Vamos analisar cada alternativa com esse duplo critério.

O trecho original em D é:

"é muito provável que a maioria das pessoas que me conhece nunca tenha percebido."

Aqui, o sujeito da oração adjetiva é o pronome relativo "que", cujo antecedente é "pessoas". Na norma-padrão, quando o pronome relativo "que" é sujeito, o verbo concorda com o antecedente. Portanto, "pessoas que me conhece" está, a rigor, incorreto — o correto seria "pessoas que me conhecem". No entanto, a gramática tradicional admite a concordância com o núcleo da expressão partitiva "a maioria", que é singular. Assim, tanto "conhece" (concordando com "maioria") quanto "conhecem" (concordando com "pessoas") são aceitos pela norma culta. A reescrita em D, ao usar "conhecem" e "tenham", faz a concordância com "pessoas", o que é perfeitamente válido e mantém o sentido original.

Agora, vejamos cada alternativa:

Concordância verbal
  • 1Expressões partitivas ("a maioria de")
    • Concorda com o núcleo (singular)
      • "a maioria das pessoas que me conhece"
    • Concorda com o especificador (plural)
      • "a maioria das pessoas que me conhecem"
  • 2Erros comuns
    • Sujeito singular com verbo no plural
      • "a equipe médica ... me tocarem"
    • Sujeito oculto "eu" com verbo no plural
      • "queria terem mais detalhes"
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A reescrita troca "sua" por "tua". Embora ambos sejam pronomes possessivos de segunda pessoa, o texto original usa "sua" para se referir a "você" (tratamento formal). A troca para "tua" é aceitável na norma-padrão, mas a banca considera que a reescrita altera o sentido? Não exatamente — o problema é que a questão pede o trecho que está correto quanto à norma-padrão e que mantém o que se afirma no texto. A troca de "sua" por "tua" não é um erro de concordância, mas a banca entende que a reescrita não é necessária e, em provas da VUNESP, a simples troca de pronome sem necessidade é considerada inadequada. Além disso, o foco da questão é concordância verbal, e a alternativa A não apresenta nenhuma correção de concordância — apenas uma variação de pronome. Portanto, está incorreta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A reescrita troca "colhido" por "colhida" e "rabanete" por "hortaliça". O texto original diz "me via sendo colhido como um rabanete", referindo-se ao narrador (masculino). A troca para "colhida" (feminino) contradiz o texto, pois o narrador é masculino ("eu tenho", "me via"). Além disso, "hortaliça" é um termo genérico que altera o sentido da comparação específica com "rabanete". Portanto, a alternativa B está incorreta por contradizer o texto e alterar o sentido.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A reescrita transforma "antes mesmo do látex das luvas da equipe médica me tocar" em "antes mesmo da equipe médica, com suas luvas de látex, me tocarem". Aqui, o sujeito da oração é "a equipe médica" (singular), e o verbo "tocarem" está no plural — erro de concordância verbal. O correto seria "tocasse" (singular) ou "tocar" (infinitivo). Além disso, a reescrita altera a estrutura e o sentido original, que enfatiza o látex das luvas, não a equipe em si. Portanto, está incorreta por erro de concordância e alteração de sentido.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como explicado, a reescrita em D faz a concordância com "pessoas" (plural), o que é aceito pela norma-padrão, e mantém o sentido original. O trecho original usa "conhece" (singular, concordando com "maioria"), e a reescrita usa "conhecem" (plural, concordando com "pessoas"). Ambas as formas são corretas, e a reescrita não altera o que o texto afirma. Portanto, é a alternativa correta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A reescrita troca "queria conhecer mais a minha história" por "queria terem mais detalhes da minha história". O verbo "terem" está no plural, mas o sujeito é "eu" (implícito em "queria") — erro de concordância verbal. O correto seria "ter" (infinitivo) ou "terem" se o sujeito fosse plural, o que não é o caso. Além disso, "terem mais detalhes" altera o sentido de "conhecer mais a minha história". Portanto, está incorreta por erro de concordância e alteração de sentido.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a concordância com expressões partitivas ("a maioria de"), que aceita tanto o singular quanto o plural. A alternativa D é a única que faz a concordância correta no plural, enquanto as demais ou erram a concordância ou alteram o sentido.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de concordância, identifique o núcleo do sujeito e verifique se a reescrita mantém o sentido original. Expressões partitivas ("a maioria de", "a maior parte de") aceitam concordância com o núcleo ou com o especificador.

Conclusão: A alternativa D é a única que está correta quanto à norma-padrão e mantém o sentido do texto, pois a concordância com "pessoas" (plural) é aceita pela norma culta. As demais alternativas ou erram a concordância ou alteram o sentido.

Gabarito: letra D

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