Tirar cochilos durante o dia pode ajudar a preservar a saúde do cérebro e evitar quadros de demência, como sugeriram pesquisadores britânicos e uruguaios, em estudo publicado na revista científica Sleep Health. Eles encontraram uma “ligação causal modesta” entre as sonecas e um maior volume cerebral.
Os estudiosos compararam as medidas de saúde do cérebro e cognição de indivíduos “geneticamente programados” para tirar sonecas com aqueles que não tinham as variantes genéticas que marcam o hábito.
A principal autora da pesquisa disse que essa é a primeira pesquisa “a tentar desvendar a relação causal entre cochilo diurno habitual e resultados cognitivos e estruturais do cérebro”. “Espero que estudos como este, mostrando os benefícios para a saúde de cochilos curtos, possam ajudar a reduzir qualquer estigma que ainda exista em relação a eles”, afirmou Victoria Garfield, autora sênior.
No artigo, os pesquisadores explicam o declínio no volume do cérebro conforme envelhecemos. Uma metanálise anterior mostrou que, em pessoas saudáveis, após os 35 anos, o encolhimento é constante, a taxas de 2% ao ano, que aceleram aos 60. Assumindo esse declínio linear, os pesquisadores encontraram diferenças entre 2,6 e 6,5 anos entre quem estava geneticamente programado para cochilar e os que não.
Esses “anos economizados”, escreveram, podem equivaler à diferença entre um volume do cérebro de alguém com função cognitiva normal e comprometimento cognitivo leve. Uma das limitações do estudo é que é uma amostra com apenas pessoas de ascendência europeia e branca.
(Leon Ferrari. Disponível em <estadão.com.br>. Acesso em 26.06.2023. Adaptado)
Considere as passagens.
\bullet Tirar cochilos durante o dia pode ajudar a preservar a saúde do cérebro e evitar quadros de demência, como sugeriram pesquisadores britânicos e uruguaios...
\bullet ... os pesquisadores explicam o declínio no volume do cérebro conforme envelhecemos.
Os termos destacados expressam, correta e respectivamente, sentidos de
Aconformidade e proporção.
Bfinalidade e tempo.
Ccomparação e conclusão.
Dcausa e consequência.
Eproporção e comparação.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — conformidade e proporção.
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Sentido dos conectivos "como" e "conforme" no texto
Gabarito: letra A. A questão pede o sentido dos termos destacados "como" e "conforme" nas duas passagens. No primeiro trecho, "como" introduz uma ideia de conformidade (equivale a "conforme", "segundo"); no segundo, "conforme" expressa proporção (equivale a "à medida que"). A alternativa A é a única que combina corretamente esses dois sentidos.
O comando
O enunciado pede que você identifique o sentido que os conectivos destacados expressam no contexto de cada passagem. Isso é uma questão de semântica dos conectivos: não basta saber a classe gramatical (conjunção subordinativa), é preciso perceber qual relação lógica cada um estabelece entre as orações. A banca VUNESP adora cobrar isso — e a pegadinha clássica é confundir conformidade com comparação (ambas podem usar "como") e proporção com conformidade (ambas podem usar "conforme").
O texto
O texto fala sobre os benefícios dos cochilos diurnos para a saúde do cérebro. Na primeira passagem, o autor escreve:
"Tirar cochilos durante o dia pode ajudar a preservar a saúde do cérebro e evitar quadros de demência, como sugeriram pesquisadores britânicos e uruguaios..."
Aqui, "como" não compara duas coisas; ele reporta o que os pesquisadores sugeriram. Ou seja, o cochilo ajuda da maneira que (conforme) os pesquisadores sugeriram. É uma relação de conformidade — o fato de o cochilo ajudar está de acordo com a sugestão dos pesquisadores.
Na segunda passagem:
"... os pesquisadores explicam o declínio no volume do cérebro conforme envelhecemos."
Aqui, "conforme" não indica conformidade (não é "segundo envelhecemos"), mas sim proporção: o declínio ocorre à medida que envelhecemos. Há uma correlação de progressão entre o envelhecer e o declínio. A locução "à medida que" é a substituta clássica para essa ideia de proporção.
A técnica que decide
Para resolver, substitua mentalmente cada conectivo por seus equivalentes:
"como" = "conforme", "segundo", "de acordo com" → conformidade.
Se você fizer essa substituição, verá que a única alternativa que combina os dois sentidos corretamente é a A. As demais trocam os sentidos ou usam relações que não se aplicam ao contexto.
Análise das alternativas
Conectivos polissêmicos: "como" (Conformidade (segundo, de acordo com), Comparação (tal qual)); "conforme" (Proporção (à medida que), Conformidade (segundo)); Técnica de resolução (Substituir por equivalente, Analisar o contexto)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A afirma que os termos expressam, respectivamente, conformidade e proporção. Isso está exatamente de acordo com a análise acima: "como" = conformidade (equivale a "conforme", "segundo"); "conforme" = proporção (equivale a "à medida que"). É a única que acerta os dois sentidos.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B diz finalidade e tempo. Erra nos dois: "como" não expressa finalidade (não é "para que"), e "conforme" não expressa tempo (não é "quando"). A banca tenta confundir com a ideia de "enquanto", mas o texto não traz essa relação.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C diz comparação e conclusão. Erra nos dois: "como" não compara (não há dois elementos sendo comparados), e "conforme" não conclui (não é "portanto"). A pegadinha aqui é a polissemia de "como", que pode ser comparativo em outros contextos, mas não neste.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D diz causa e consequência. Erra nos dois: "como" não expressa causa (não é "porque"), e "conforme" não expressa consequência (não é "de modo que"). A banca tenta confundir com a relação de causa e efeito, mas o texto não estabelece isso.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E diz proporção e comparação. Erra nos dois: "como" não expressa proporção (não é "à medida que"), e "conforme" não expressa comparação (não é "tal qual"). A banca inverte os sentidos, tentando confundir quem sabe que "conforme" pode ser conformativo em outros contextos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a polissemia de "como" e "conforme". "Como" pode ser comparativo ("ela é alta como o pai") ou conformativo ("como eu disse"). "Conforme" pode ser conformativo ("conforme o regulamento") ou proporcional ("conforme o tempo passa"). A análise do contexto é indispensável.
PEGA ESSA DICA!
Ao encontrar um conectivo polissêmico, substitua-o por um equivalente conhecido. Se "como" equivaler a "segundo", é conformidade; se equivaler a "tal qual", é comparação. Se "conforme" equivaler a "à medida que", é proporção; se equivaler a "segundo", é conformidade.
Conclusão: a questão testa a capacidade de distinguir sentidos de conectivos em contexto. A alternativa A é a única que acerta os dois sentidos: conformidade para "como" e proporção para "conforme". Lembre-se: o contexto é o rei — nunca decore listas sem analisar a relação que o conectivo estabelece no texto.