Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — VUNESP 2023

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
vu183968
Banca
VUNESP
Órgão
TJ RS
Ano
2023
Cargo
ATI ( )

Tirar cochilos durante o dia pode ajudar a preservar a saúde do cérebro e evitar quadros de demência, como sugeriram pesquisadores britânicos e uruguaios, em estudo publicado na revista científica Sleep Health. Eles encontraram uma “ligação causal modesta” entre as sonecas e um maior volume cerebral.

 

Os estudiosos compararam as medidas de saúde do cérebro e cognição de indivíduos “geneticamente programados” para tirar sonecas com aqueles que não tinham as variantes genéticas que marcam o hábito.

 

A principal autora da pesquisa disse que essa é a primeira pesquisa “a tentar desvendar a relação causal entre cochilo diurno habitual e resultados cognitivos e estruturais do cérebro”. “Espero que estudos como este, mostrando os benefícios para a saúde de cochilos curtos, possam ajudar a reduzir qualquer estigma que ainda exista em relação a eles”, afirmou Victoria Garfield, autora sênior.

 

No artigo, os pesquisadores explicam o declínio no volume do cérebro conforme envelhecemos. Uma metanálise anterior mostrou que, em pessoas saudáveis, após os 35 anos, o encolhimento é constante, a taxas de 2% ao ano, que aceleram aos 60. Assumindo esse declínio linear, os pesquisadores encontraram diferenças entre 2,6 e 6,5 anos entre quem estava geneticamente programado para cochilar e os que não.

 

Esses “anos economizados”, escreveram, podem equivaler à diferença entre um volume do cérebro de alguém com função cognitiva normal e comprometimento cognitivo leve. Uma das limitações do estudo é que é uma amostra com apenas pessoas de ascendência europeia e branca.

 

(Leon Ferrari. Disponível em <estadão.com.br>. Acesso em 26.06.2023. Adaptado)

Na passagem – Os estudiosos compararam as medidas de saúde do cérebro e cognição de indivíduos “geneticamente programados” para tirar sonecas... –, as aspas são empregadas para indicar
  1. Acorreção do autor a informação do artigo.
  2. Breferência a conteúdo veiculado no artigo.
  3. Ccitação da fala da autora sênior da pesquisa.
  4. Dexpressão irônica empregada pelo autor.
  5. Eimprecisão dos termos científicos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — referência a conteúdo veiculado no artigo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Uso das aspas: referência a conteúdo veiculado no artigo

Gabarito: letra B. As aspas em “geneticamente programados” sinalizam que a expressão foi retirada do conteúdo do artigo científico — ou seja, trata-se de uma referência a conteúdo veiculado no artigo, não uma fala direta da autora, nem ironia, nem correção do autor. Como se lê no 2º parágrafo: "Os estudiosos compararam as medidas de saúde do cérebro e cognição de indivíduos ‘geneticamente programados’ para tirar sonecas..." — a expressão entre aspas remete ao que foi dito no estudo, funcionando como um eco do discurso científico.

O comando

A questão pergunta para que servem as aspas naquele trecho específico. Isso é uma questão de pontuação com valor semântico: não basta saber a regra geral (aspas marcam citação, ironia, estrangeirismo etc.); é preciso olhar o contexto e identificar qual dessas funções a banca quer que você reconheça. O verbo "indicar" pede que você nomeie a função que as aspas exercem ali.

O texto

O texto é uma notícia sobre uma pesquisa científica. No 2º parágrafo, o autor parafraseia o estudo: diz que os pesquisadores compararam indivíduos "geneticamente programados" para tirar sonecas com outros que não tinham essas variantes. A expressão entre aspas não é do autor da notícia — ela foi tomada de empréstimo do artigo científico, para deixar claro que se trata de um termo técnico usado pelos pesquisadores. É exatamente isso que a alternativa B afirma.

A técnica que decide

As aspas têm múltiplas funções: citação literal, ironia, estrangeirismo, gíria, destaque de termo com sentido especial. Para decidir qual é a correta, você deve perguntar ao contexto: a expressão entre aspas é uma fala transcrita? É uma palavra usada com sentido irônico? Ou é um termo que o autor tomou de empréstimo de outra fonte (no caso, o artigo científico)? Aqui, a expressão "geneticamente programados" aparece dentro da paráfrase do estudo, não em uma citação direta com verbo de elocução (como "disse a autora"). Portanto, as aspas sinalizam que o termo pertence ao discurso do artigo, não ao autor da notícia. É uma referência a conteúdo veiculado no artigo.

PEGA ESSA DICA!

Ao analisar aspas, verifique se há verbo de elocução (disse, afirmou, declarou) antes. Se houver, é citação direta; se não, pode ser referência a termo, ironia ou destaque. Aqui, não há verbo de elocução — é referência.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que as aspas indicam correção do autor a informação do artigo. Isso não procede: o autor da notícia não está corrigindo nada; ele está reproduzindo um termo do estudo. Não há qualquer sinal de correção no trecho. A alternativa extrapola ao atribuir uma intenção crítica que o texto não autoriza.

Alternativa B — ✅ Correta

Como explicado, as aspas em "geneticamente programados" remetem ao conteúdo do artigo científico. O autor da notícia parafraseia o estudo e, ao usar as aspas, sinaliza que a expressão é do artigo, não dele. Isso é exatamente referência a conteúdo veiculado no artigo. A alternativa está correta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que as aspas indicam citação da fala da autora sênior da pesquisa. Isso não é verdade: a fala da autora aparece no 3º parágrafo, com verbo de elocução ("afirmou Victoria Garfield"), e está entre aspas como citação direta. No trecho do 2º parágrafo, não há fala da autora; há apenas a paráfrase do estudo. A alternativa confunde citação direta com referência a termo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que as aspas indicam expressão irônica empregada pelo autor. Isso não procede: não há qualquer tom irônico no trecho. O autor está reproduzindo um termo técnico do estudo, sem intenção de zombaria ou crítica. A alternativa extrapola ao atribuir ironia onde não há.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que as aspas indicam imprecisão dos termos científicos. Isso não é verdade: o termo "geneticamente programados" é preciso no contexto do estudo (refere-se a indivíduos com variantes genéticas associadas ao hábito de cochilar). As aspas não marcam imprecisão; marcam referência a termo do artigo. A alternativa troca o conceito de aspas.

Conclusão

A única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a B: as aspas em "geneticamente programados" referem-se a conteúdo veiculado no artigo científico. As demais extrapolam (A, D), confundem (C) ou trocam o conceito (E).

Gabarito: letra B.

Link permanente: /questoes/vu183968