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Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — VUNESP 2023

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
vu183996
Banca
VUNESP
Órgão
Pref SJRP
Ano
2023
Cargo
Prof ( )

No início de junho, a psiquiatra e epidemiologista Cleusa Ferri, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), corria para concluir um extenso e importante relatório que apresentará em setembro ao Ministério da Saúde. Elaborado com a participação de especialistas em neurologia, geriatria e saúde mental, o documento reúne as estimativas mais recentes, calculadas pela primeira vez para todo o país, de um problema que nas próximas décadas deve atingir em cheio o sistema de saúde: o aumento dos casos de demência. Com o relatório, os especialistas esperam mobilizar o governo e contribuir para criar uma estratégia de ação nacional para lidar com o tema, algo recomendado desde 2015 pela Organização Pan-americana da Saúde (Opas).

 

Há pressa. Ao menos 1,76 milhão de brasileiros com mais de 60 anos vivem com alguma forma de demência, um conjunto de enfermidades sem cura que, por mecanismos diferentes, causam a perda progressiva das células cerebrais e levam à incapacitação e à morte. A maior parte dessas pessoas – uma fração ainda não bem conhecida que, segundo especialistas, pode superar 70% do total – nem sequer tem diagnóstico, o que as impede de receber tratamento adequado para ajudar a controlar as alterações de memória, raciocínio, humor e comportamento que surgem com a progressão da doença.

 

Ferri e a neuropsicóloga Laiss Bertola chegaram a essa estimativa de casos depois de aferir, por meio de testes neuropsicológicos e de competência funcional no dia a dia, a proporção de pessoas que tinham demência em um grupo de 5.249 indivíduos, uma amostra representativa da população brasileira com 60 anos ou mais. As pesquisadoras projetaram a proporção então obtida (5,8%) para o restante da população brasileira da mesma faixa etária medida pelo Censo demográfico de 2010, o último de abrangência nacional então disponível. O número foi, por fim, corrigido para refletir o aumento de idosos na população nos anos seguintes. Os dados foram originalmente publicados em 22 de janeiro em um artigo na revista científica Journal of Gerontology.

 

(Ricardo Zorzetto, “Ao menos 1,76 milhão de pessoas têm alguma forma de demência no Brasil”. Em: revistapesquisa.fapesp.br, julho de 2023)

Leia o texto para responder à questão.

   

Observe os enunciados:

  • ... para ajudar a controlar as alterações de memória, raciocínio, humor e comportamento que surgem com a progressão da doença. (texto original)
  • ... para ajudar a controlar as alterações de memória, raciocínio, humor e comportamento, que surgem com a progressão da doença. (texto reescrito)
 

A reescrita do texto original permite concluir que o sentido

  1. Ase altera, uma vez que a ideia de restrição é alterada para ideia de explicação.
  2. Bse mantém, uma vez que a pontuação não muda as categorias gramaticais.
  3. Cse altera, uma vez que a ideia de explicação é alterada para ideia de comparação.
  4. Dse mantém, mesmo com a mudança das categorias gramaticais devido à pontuação.
  5. Ese altera, uma vez que a ideia de causa é alterada para ideia de limitação.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — se altera, uma vez que a ideia de restrição é alterada para ideia de explicação.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pontuação e sentido: oração adjetiva restritiva × explicativa

Gabarito: letra A. A reescrita altera o sentido: no original, a oração "que surgem com a progressão da doença" é restritiva (restringe quais alterações são controladas); com a vírgula, vira explicativa (todas as alterações, que por sinal surgem com a progressão, são controladas). A passagem que decide está no próprio enunciado: a única diferença entre os dois textos é a vírgula antes do "que" — e é exatamente essa vírgula que muda a classificação da oração adjetiva.

O comando

A questão pede que você compare duas versões do mesmo trecho e diga se o sentido se mantém ou se altera — e, se altera, como. Isso é típico de reescritura: a banca não quer que você decore regra, quer que você perceba o efeito de sentido da pontuação. Aqui, o verbo "concluir" indica que você deve inferir a consequência semântica da mudança, não apenas descrever a mudança gráfica.

O texto e o ponto decisivo

O trecho original é:

"...para ajudar a controlar as alterações de memória, raciocínio, humor e comportamento que surgem com a progressão da doença."

Sem vírgula antes do "que", a oração "que surgem..." é adjetiva restritiva: ela restringe o sentido de "alterações" — ou seja, nem todas as alterações são controladas, apenas aquelas que surgem com a progressão da doença. Já na reescrita:

"...para ajudar a controlar as alterações de memória, raciocínio, humor e comportamento , que surgem com a progressão da doença."

Com a vírgula, a oração passa a ser adjetiva explicativa: ela explica uma característica de todas as alterações mencionadas, sem restringir. O sentido muda porque a abrangência do termo "alterações" se amplia: no primeiro caso, há alterações que não são controladas; no segundo, todas o são.

A técnica que decide

A regra é clássica e cai muito em prova: a vírgula antes do pronome relativo "que" transforma a oração adjetiva de restritiva em explicativa. A restritiva restringe (delimita um subconjunto); a explicativa explica (acrescenta uma informação sobre o todo). Veja o contraste:

Sem vírgula (restritiva)

Com vírgula (explicativa)

"Os alunos que estudam passam" → só os que estudam passam.

"Os alunos , que estudam, passam" → todos os alunos estudam e passam.

Restringe o conjunto.

Explica sobre o conjunto inteiro.

No trecho da questão, a oração "que surgem com a progressão da doença" funciona exatamente assim: sem vírgula, ela restringe quais alterações são controladas; com vírgula, ela explica que todas as alterações (de memória, raciocínio, humor e comportamento) surgem com a progressão. Por isso, o sentido se altera — e a alternativa A está correta.

Oração adjetiva
  • 1Restritiva (sem vírgula)
    • Restringe o conjunto
    • Ex.: alunos que estudam passam
  • 2Explicativa (com vírgula)
    • Explica sobre o todo
    • Ex.: alunos, que estudam, passam
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa afirma que o sentido se altera porque a ideia de restrição vira explicação. Isso é exatamente o que ocorre: a vírgula antes do "que" muda a oração adjetiva de restritiva para explicativa. No original, "alterações que surgem" delimita quais alterações são controladas; na reescrita, "alterações , que surgem" informa que todas as alterações surgem com a progressão. A mudança de sentido é real e a alternativa descreve corretamente a direção: restrição → explicação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o sentido se mantém porque a pontuação não muda as categorias gramaticais. É verdade que as categorias gramaticais (substantivo, verbo, pronome relativo) permanecem as mesmas, mas isso não significa que o sentido se mantenha. A pontuação altera a função sintática da oração (de restritiva para explicativa) e, com isso, o sentido. A alternativa restringe o efeito da pontuação a um aspecto meramente formal, ignorando o impacto semântico. Erro: contradiz o texto (o sentido muda).

Alternativa C — ❌ Incorreta

Diz que o sentido se altera porque a ideia de explicação vira comparação. Há dois erros: primeiro, a direção está invertida (no original é restrição, não explicação); segundo, não há qualquer relação de comparação no trecho. A oração "que surgem" não compara nada; ela restringe ou explica. A alternativa troca o conceito de explicação por comparação, que não existe no texto. Erro: troca de conceito.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o sentido se mantém mesmo com a mudança das categorias gramaticais. Além de repetir o erro da B (achar que o sentido não muda), ainda afirma que as categorias gramaticais mudam — o que é falso: as palavras continuam as mesmas, apenas a pontuação muda. A alternativa contradiz o texto (o sentido muda) e ainda erra sobre as categorias gramaticais (elas não mudam). Erro: contradiz o texto e troca de conceito.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Diz que o sentido se altera porque a ideia de causa vira limitação. Não há relação de causa no trecho: a oração "que surgem" não expressa causa, mas sim uma característica das alterações. Além disso, a direção está invertida: no original há restrição (limitação), não causa. A alternativa troca os conceitos de causa e limitação, que não correspondem ao que o texto apresenta. Erro: troca de conceito.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão clássica entre oração restritiva e explicativa. Muitos candidatos acham que a vírgula é só uma pausa e não muda o sentido — mas ela muda a função da oração e, portanto, o significado.

PEGA ESSA DICA!

Ao comparar reescrituras, pergunte: "a vírgula separa uma oração adjetiva?" Se sim, verifique se ela é restritiva (sem vírgula) ou explicativa (com vírgula). Essa distinção é a chave para resolver questões de pontuação e sentido.

Gabarito: letra A.

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