Planejar uma viagem pode ser uma tarefa desafiadora. Os guias, por sua natureza, mandam todos os leitores para os mesmos destinos. E as pesquisas na web podem ter como resultado dados confusos e inúteis. Mas, alguns viajantes que são fãs de tecnologia estão tendo sucesso recorrendo aos chatbots de inteligência artificial, como o ChatGPT e o Bard, para se inspirar e planejar as férias, tratando esses serviços como agentes de viagens gratuitos e sob demanda.
Alpa Patel, uma viajante ávida que vive na cidade de Nova Iorque, gostou da ideia de usar o ChatGPT porque ele oferece uma lista muito clara às pessoas. Ela está planejando uma viagem com a família para Edimburgo, na Escócia, no verão. Depois de ficar frustrada com a mesmice de sempre dos sites de viagens que aparecem no Google, Alpa teve uma ideia: que tal pedir alguns conselhos ao ChatGPT?
Ela perguntou de forma bem específica pelos passeios de um dia, adequados quando se tem um filho que enjoa ao andar de carro. Portanto, ela achava que não seria viável passar horas dentro de um carro para chegar a seu destino. Em resposta, o ChatGPT sugeriu a ela algumas opções nas quais ela poderia deslocar-se de trem.
O elemento de sequenciação e coesão textual – Portanto –, em destaque no terceiro parágrafo, está em coordenação com o enunciado anterior expressando relação de sentido de
Acondição.
Bexplicação.
Ccontraste.
Dcausa.
Econclusão.
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GabaritoE — conclusão.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Conjunção coordenativa conclusiva: o sentido de “Portanto”
Gabarito: letra E. O conectivo “Portanto” é uma conjunção coordenativa conclusiva, pois introduz uma conclusão a partir do que foi dito antes. No terceiro parágrafo, a conclusão é a de que não seria viável passar horas de carro, o que justifica a busca por opções de trem. A passagem que ancora essa leitura é:
“Portanto, ela achava que não seria viável passar horas dentro de um carro para chegar a seu destino.”
O “Portanto” retoma a ideia anterior — a de que o filho enjoa ao andar de carro — e dela extrai uma consequência lógica: a inviabilidade de viagens longas de carro. Essa é a essência da relação de conclusão.
O comando e o que ele pede
A questão pergunta qual relação de sentido o conectivo “Portanto” estabelece com o enunciado anterior. Isso é uma questão de coesão sequencial: o conectivo costura as ideias, indicando como uma oração se liga à outra. Não se trata de interpretar o texto, mas de reconhecer o valor semântico de uma conjunção coordenativa. Para resolver, é preciso saber a classificação das conjunções e, principalmente, observar o contexto — pois uma mesma conjunção pode ter sentidos diferentes.
A técnica: conjunções coordenativas e seus valores
As conjunções coordenativas ligam orações independentes e se dividem em cinco tipos:
Aditivas: e, nem, mas também (ideia de soma).
Adversativas: mas, porém, contudo (ideia de oposição).
Alternativas: ou, ora...ora (ideia de alternância).
Conclusivas: logo, portanto, pois (deslocado), por isso (ideia de conclusão).
Explicativas: porque, pois (no início), porquanto (ideia de explicação).
O “Portanto” é classicamente conclusivo. No texto, ele aparece após a informação de que o filho enjoa no carro, e a conclusão é a de que não seria viável passar horas dirigindo. Veja o trecho completo:
“Ela perguntou de forma bem específica pelos passeios de um dia, adequados quando se tem um filho que enjoa ao andar de carro. Portanto, ela achava que não seria viável passar horas dentro de um carro para chegar a seu destino.”
A relação é de causa e consequência lógica: a causa (enjoar no carro) leva à conclusão (não ser viável viajar de carro). O conectivo “Portanto” marca exatamente essa passagem de premissa para conclusão.
Análise das alternativas
Conjunções coordenativas: Aditivas (e, nem, mas também, ideia de soma); Adversativas (mas, porém, contudo, ideia de oposição); Alternativas (ou, ora...ora, ideia de alternância); Conclusivas (logo, portanto, pois (deslocado), ideia de conclusão); Explicativas (porque, pois (início), porquanto, ideia de explicação)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Condição é expressa por conjunções como “se”, “caso”, “desde que”. O texto não apresenta nenhuma hipótese condicional; ao contrário, afirma uma conclusão. A alternativa troca o conceito: confunde conclusão com condição.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Explicação é expressa por “porque”, “pois” (no início), “porquanto”. O “Portanto” não explica, ele conclui. A alternativa troca o conceito: confunde conclusão com explicação, que é uma pegadinha comum, pois ambos aparecem no mesmo parágrafo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Contraste é expresso por “mas”, “porém”, “contudo”. O texto não apresenta oposição entre as ideias; ao contrário, há uma continuidade lógica. A alternativa troca o conceito: confunde conclusão com adversidade.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Causa é expressa por “porque”, “visto que”, “já que”. O “Portanto” não introduz a causa, mas a consequência lógica. A alternativa troca o conceito: inverte a relação de causa e consequência.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Conclusão é o valor semântico de “Portanto”. O conectivo retoma a premissa (filho enjoa no carro) e dela extrai uma conclusão (não seria viável viajar de carro). A passagem “Portanto, ela achava que não seria viável passar horas dentro de um carro” comprova a relação de conclusão.
NÃO CAIA NESSA!
A banca coloca “causa” e “explicação” como distratores, pois o parágrafo também contém “porque” (causa). Mas o “Portanto” não marca causa; marca a conclusão que se tira da causa.
PEGA ESSA DICA!
Para identificar o valor de um conectivo, pergunte: “o que ele faz com a ideia anterior?” Se ele fecha um raciocínio, é conclusão; se justifica, é explicação; se opõe, é adversidade.