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Questão de Português — Crase — VUNESP 2023

PortuguêsCrase
Código
vu184008
Banca
VUNESP
Órgão
UNIVESP
Ano
2023
Cargo
Sup Ped ( )

A escola dos meus sonhos

 

Fico imaginando a minha escola ideal. Summer Hill? Waldorf? Eton? Mas o êxito dessas escolas depende de condições muito especiais. São filhas únicas e donzelas delicadas. O real desafio é inventar uma escola que seja boa e possa ser reproduzida para os nossos 50 milhões de alunos. Aqui vão meus devaneios.

 

Para começar, a escola tem de ensinar menos, para que os alunos aprendam mais. Há 27 tópicos na Matemática da nossa 4a série e 4 em Cingapura. Sem tempo para aprofundar cada ponto, o aluno ouve falar de tudo e não domina nada.

 

Cito um americano que sempre teve terríveis dificuldades com a Matemática. Foi ser carpinteiro. A casa típica daquele país é feita de madeira e sua planta requer alguns cálculos. Criou então, para escolas, o programa If I Had a Hammer (Se eu tivesse um martelo), no qual os alunos desenham e constroem pequenas casas. Semanas depois, as notas de Matemática dão um salto. Não adianta ouvir sermões. O que serve é viver situações que favoreçam o amadurecimento.

 

Isso tudo não passará de uma utopia delirante sem fórmulas para materializá-la, por isso precisamos da tecnologia para suprir, a distância, o que não existe perto.

 

Quando participava da formulação do Telecurso 2000, uma das melhores professoras supervisionou a montagem de um protótipo de aula. A sua preparação era sofisticada e atores profissionais atuavam em cena. Ao ver a projeção, ficou claríssimo que ela própria não seria capaz de dar uma aula tão boa. E o vídeo podia chegar a milhares de alunos.

 

Com atores ou com aqueles professores que são geniais em sala de aula, por que gastar o tempo dos mestres forçando-os a repetir a mesma aula, dia após dia? Melhor que se dediquem a interagir e dar mais protagonismo aos alunos. Para isso, devem ser abastecidos com sugestões minuciosas de como proceder. É hora de propor projetos inteligentes e que explorem as conexões da teoria com a prática.

 

A educação precisa incorporar a divisão de trabalho e a especialização de funções. Um sabe mais teoria, outro se especializa na preparação de materiais de ensino, e assim por diante. Na sala de aula não precisamos de um gênio polivalente, mas de alguém para liderar o processo, motivar, ajudar e atender os que tropeçam. Na sua retaguarda deve ter um exército de especialistas, chegando a ele pela via dos abundantes avanços das tecnologias digitais.

 

Pelo menos na teoria, a viabilidade dessa escola dos meus sonhos é assegurada por uma complementaridade bem articulada do que acontece na aula com o que é preparado em agências centrais, que devem respaldar a escola com uma imensidão de recursos. E a tecnologia permite essa fluidez.

 

Materializar um plano tão ambicioso está no reino das utopias. Julgo que tecnicamente é viável e faz todo o sentido. Porém as barreiras institucionais e políticas são formidáveis.

 

(Claudio de Moura Castro. https://www.estadao.com.br/opiniao/espaco-aberto/a-escola-dos-meus-sonhos-para-50-milhoesde-alunos/?utm_source=estadao:mail Publicado em 06.12.2020. Adaptado

O trecho reescrito a partir do texto apresenta o sinal indicativo de crase empregado corretamente em:
  1. A... do que acontece na aula com o que é preparado em agências centrais... (8o  parágrafo) → do que acontece na aula atrelado à propostas de agências centrais.
  2. BAqui vão meus devaneios. (1o  parágrafo) → Exponho à vocês meus devaneios.
  3. C... possa ser reproduzida para os nossos 50 milhões de alunos. (1o  parágrafo) → possa ser entregue à 50 milhões de estudantes brasileiros.
  4. DCriou então, para escolas, o programa If I Had a Hammer... (3o  parágrafo) → Propôs-se à criar o programa If I Had a Hammer...
  5. E... devem respaldar a escola com uma imensidão de recursos. (8o  parágrafo) → devem destinar à escola uma imensidão de recursos.
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GabaritoE — ... devem respaldar a escola com uma imensidão de recursos. (8o  parágrafo) → devem destinar à escola uma imensidão de recursos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase em reescrituras: a fusão preposição + artigo feminino

Gabarito: letra E. A única reescritura com crase correta é a que mantém a fusão da preposição "a" (exigida pelo verbo destinar: quem destina, destina algo a alguém) com o artigo feminino "a" que antecede o substantivo feminino "escola" — resultando em "à escola". Nas demais, ou falta a preposição exigida pela regência, ou há palavra masculina/verbo/pronome que proíbe o acento grave.

A questão pede que você avalie a reescritura de trechos do texto e identifique em qual deles o sinal indicativo de crase foi empregado corretamente. Isso não é uma questão de interpretação de sentido, mas de gramática aplicada: você precisa verificar, em cada reescritura, se há a dupla condição para a crase — (1) um termo anterior que exija a preposição "a" e (2) uma palavra feminina seguinte que aceite o artigo "a". Sem essas duas condições, não há crase.

O texto-base serve apenas como ponto de partida para as reescrituras; a decisão é puramente gramatical. Vamos aplicar a regra a cada alternativa.

A técnica central é o teste da troca: substitua a palavra feminina por uma masculina equivalente. Se aparecer "ao", há crase; se aparecer apenas "o" (sem preposição) ou "a" (sem artigo), não há. Esse teste revela se a preposição e o artigo estão presentes.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura reescrituras com erros de regência (verbo que não pede "a"), palavras masculinas (que nunca aceitam crase) e verbos no infinitivo (diante dos quais a crase é proibida). A única que acerta a tríade — preposição + artigo + substantivo feminino — é a letra E.

Crase: fusão a + a
  • 1Exige (dupla condição)
    • Termo anterior pede prep. "a"
    • Palavra feminina aceita art. "a"
  • 2Proibida antes de
    • Palavra masculina
    • Verbo no infinitivo
    • Pronome de tratamento
      • exceto senhora, senhorita, madame, dona
  • 3Teste da troca
    • Aparece "ao" → há crase
    • Aparece "o" ou "a" → não há
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"... do que acontece na aula com o que é preparado em agências centrais..." → "... do que acontece na aula atrelado à propostas de agências centrais."

Aqui o erro é duplo. Primeiro, "propostas" está no plural, mas o artigo está no singular ("à"), o que já quebra a concordância — o correto seria "às propostas". Segundo, mesmo que estivesse no singular, o verbo "atrelar" exige a preposição "a" (atrelar algo a algo), e o substantivo "propostas" é feminino, então a crase seria possível — mas a forma apresentada está gramaticalmente incorreta pela falta de concordância. A alternativa erra ao restringir o alcance: troca "agências centrais" por "propostas de agências centrais", alterando o sentido original, e ainda comete erro de concordância.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Aqui vão meus devaneios." → "Exponho à vocês meus devaneios."

"Vocês" é pronome de tratamento/pessoal, e diante de pronome de tratamento não há crase (exceto senhora, senhorita, madame e dona). Além disso, o verbo "expor" é transitivo direto e indireto: expõe-se algo a alguém, mas a preposição "a" não se funde com o pronome "vocês" — fica apenas "a vocês", sem acento grave. A alternativa erra ao aplicar crase onde é proibida (antes de pronome).

Alternativa C — ❌ Incorreta

"... possa ser reproduzida para os nossos 50 milhões de alunos." → "... possa ser entregue à 50 milhões de estudantes brasileiros."

"50 milhões" é uma expressão masculina (milhões é substantivo masculino), e diante de palavra masculina a crase é proibida. O correto seria "a 50 milhões", sem acento. A alternativa erra ao aplicar crase antes de palavra masculina — um dos casos clássicos de crase proibida.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Criou então, para escolas, o programa If I Had a Hammer..." → "Propôs-se à criar o programa If I Had a Hammer..."

"Criar" é verbo no infinitivo, e diante de verbo a crase é proibida. O correto seria "Propôs-se a criar", sem acento. A alternativa erra ao aplicar crase antes de verbo — outro caso clássico de proibição.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"... devem respaldar a escola com uma imensidão de recursos." → "... devem destinar à escola uma imensidão de recursos."

Aqui a crase é obrigatória e correta. O verbo "destinar" é transitivo direto e indireto: quem destina, destina algo a alguém — exige a preposição "a". O termo seguinte, "escola", é substantivo feminino que aceita o artigo "a". Preposição + artigo = "à". O teste da troca confirma: "devem destinar ao colégio" (masculino) — aparece "ao", logo há crase. A reescritura preserva o sentido do original (respaldar a escola = destinar recursos a ela) e aplica a crase corretamente.

PEGA ESSA DICA!

Antes de marcar, faça o teste da troca por palavra masculina. Se aparecer "ao", há crase; se aparecer "o" ou "a" isolados, não há. E desconfie de reescrituras com verbos no infinitivo, pronomes de tratamento e palavras masculinas — nesses casos a crase é proibida.

Gabarito: letra E — a única reescritura em que preposição "a" (exigida por destinar) e artigo feminino "a" (de escola) se fundem corretamente em "à escola".

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