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Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — VUNESP 2023

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
vu184012
Banca
VUNESP
Órgão
TJ SP
Ano
2023
Cargo
OJ ( )

LÍNGUA PORTUGUESA

 

Leia o texto para responder à questão seguinte.

Os fantasmas não fumam

Os fantasmas não fumam. Mas não por causa da campanha antitabagista que está na moda. Os fantasmas deixaram de fumar desde o doloroso acidente ocorrido no seu nevoento mundo.

Era um fantasma que tinha a mania de assistir ao deitar e ao despertar das moças quando se despiam ou vestiam. Nuas em pelo, elas não lhe interessavam. Como se vê, tratava- se de um fantasma antiquado.

Ora, uma noite, invisibilizando-se como fazia em tais ocasiões, ele entrou pela primeira vez no quarto de Lurdinha.

E, como vocês felizmente ainda ignoram, não é só para mim que Lurdinha é irresistível. O destino dela é inspirar amor à primeira vista, mas amor no duro – não a simples contemplação olhativa com que o fantasma até então se divertira.

Um amor para casar.

Ante essa impossibilidade, a vida do fantasma era um suspiro só.

Até que um dia recordou ter lido, em um poeta chinês, que fumar era uma maneira disfarçada de suspirar...

E o nosso fantasma apaixonado fumou tanto, tanto, que acabou fumando-se a si mesmo.

(Mario Quintana, Da preguiça como método de trabalho, 2013. Adaptado)

 

A pontuação está de acordo com a norma-padrão em:

  1. AMuitos felizmente ignoram, que Lurdinha é uma moça irresistível, e essa constatação não é só para mim.
  2. BLurdinha, era uma moça para casar; o fantasma, no entanto, via-se impossibilitado para realizar aquilo.
  3. CLurdinha, que inspira amor à primeira vista, superou com o fantasma, a simples contemplação olhativa.
  4. DO fantasma, certa noite, entrou no quarto de Lurdinha, descobriu-a irresistível e passou a suspirar por ela.
  5. EO fantasma que era antiquado, começou a fumar para disfarçar os suspiros; os outros fantasmas, não.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — O fantasma, certa noite, entrou no quarto de Lurdinha, descobriu-a irresistível e passou a suspirar por ela.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pontuação: a vírgula que separa o que pode e o que não pode

Gabarito: letra D. A alternativa D é a única em que todas as vírgulas estão empregadas conforme a norma-padrão: isola-se o adjunto adverbial deslocado ("certa noite") e separam-se orações coordenadas assindéticas ("entrou...", "descobriu-a...", "passou a suspirar..."). As demais alternativas cometem, cada uma, um erro clássico de vírgula — separar sujeito de verbo, verbo de complemento, ou isolar indevidamente um termo que não pode ser isolado.

O comando

A questão pede que você identifique a frase em que a pontuação está de acordo com a norma-padrão. Isso significa que você deve analisar cada alternativa como se fosse um texto autônomo, verificando se as vírgulas (e ponto e vírgula) estão empregadas corretamente. Não se trata de interpretar o texto de Mario Quintana, mas de aplicar as regras de pontuação. O comando é de conceito — você precisa dominar os usos obrigatórios, facultativos e proibidos da vírgula.

O texto

O texto-base é uma crônica de Mario Quintana sobre um fantasma que se apaixona por Lurdinha e, para disfarçar os suspiros, começa a fumar até "fumar-se a si mesmo". O conteúdo é irrelevante para a resolução; o que importa é a estrutura sintática das frases reescritas nas alternativas. Cada alternativa reescreve uma passagem do texto, e você deve julgar a pontuação dessa reescrita.

A técnica: os três usos da vírgula que decidem a questão

Para resolver, você precisa ter claro:

  1. Vírgula obrigatória para isolar adjunto adverbial deslocado (quando a circunstância não está no fim da oração). Ex.: "O fantasma, certa noite, entrou..." — "certa noite" é adjunto adverbial de tempo deslocado, por isso deve vir entre vírgulas.

  2. Vírgula obrigatória para separar orações coordenadas assindéticas (sem conectivo). Ex.: "entrou no quarto de Lurdinha, descobriu-a irresistível e passou a suspirar por ela" — as duas primeiras orações são assindéticas e devem ser separadas por vírgula; a última, introduzida por "e", não leva vírgula antes (a menos que haja sujeito diferente, o que não ocorre).

  3. Vírgula proibida entre sujeito e verbo, entre verbo e complemento, e entre nome e seu adjunto adnominal — a não ser que haja um termo intercalado que exija isolamento.

A pegadinha da banca está em colocar vírgulas que parecem corretas, mas que separam termos que não podem ser separados. Vejamos cada alternativa.

Usos da vírgula
  • 1Obrigatória
    • Isolar adjunto adverbial deslocado
    • Separar orações coordenadas assindéticas
  • 2Proibida
    • Entre sujeito e verbo
    • Entre verbo e complemento
    • Entre nome e adjunto adnominal
  • 3Prova do corte
    • Retirar o trecho entre vírgulas
    • Frase mantém sentido e estrutura
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Muitos felizmente ignoram, que Lurdinha é uma moça irresistível, e essa constatação não é só para mim."

Erro: separar verbo de complemento. A vírgula após "ignoram" separa o verbo transitivo direto de seu objeto direto (a oração subordinada substantiva objetiva direta "que Lurdinha é uma moça irresistível"). Isso é proibido. Além disso, "felizmente" é um adjunto adverbial curto e, em posição normal, não exige vírgula; se deslocado, deveria vir isolado, mas aqui está entre o sujeito e o verbo sem isolamento, o que também é inadequado. A frase correta seria: "Muitos felizmente ignoram que Lurdinha é uma moça irresistível, e essa constatação não é só para mim."

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Lurdinha, era uma moça para casar; o fantasma, no entanto, via-se impossibilitado para realizar aquilo."

Erro: separar sujeito de verbo. A vírgula após "Lurdinha" separa o sujeito do verbo "era". Isso é proibido. O ponto e vírgula está bem empregado para separar as duas orações coordenadas, e a vírgula após "fantasma" isola corretamente a conjunção "no entanto" (intercalada). Mas o erro inicial já invalida a alternativa. A forma correta seria: "Lurdinha era uma moça para casar; o fantasma, no entanto, via-se impossibilitado para realizar aquilo."

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Lurdinha, que inspira amor à primeira vista, superou com o fantasma, a simples contemplação olhativa."

Erro: separar verbo de complemento. A vírgula após "fantasma" separa o verbo "superou" de seu objeto direto "a simples contemplação olhativa". O adjunto adverbial "com o fantasma" está intercalado e deveria vir entre vírgulas, mas a vírgula que o fecha acaba separando verbo de complemento. A frase correta seria: "Lurdinha, que inspira amor à primeira vista, superou com o fantasma a simples contemplação olhativa." (sem a vírgula antes do objeto direto).

Alternativa D — ✅ Correta

"O fantasma, certa noite, entrou no quarto de Lurdinha, descobriu-a irresistível e passou a suspirar por ela."

Correta. A vírgula após "fantasma" isola o adjunto adverbial deslocado "certa noite" (circunstância de tempo). A vírgula após "Lurdinha" separa a primeira oração coordenada assindética ("entrou no quarto de Lurdinha") da segunda ("descobriu-a irresistível"). A terceira oração ("passou a suspirar por ela") é introduzida pela conjunção aditiva "e", e não há vírgula antes dela — o que está correto, pois o sujeito é o mesmo (o fantasma). Tudo conforme a norma-padrão.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"O fantasma que era antiquado, começou a fumar para disfarçar os suspiros; os outros fantasmas, não."

Erro: separar sujeito de verbo. A vírgula após "antiquado" separa o sujeito composto ("O fantasma que era antiquado") do verbo "começou". Além disso, a oração adjetiva "que era antiquado" é restritiva e não deve ser isolada por vírgulas (a ausência de vírgula antes do "que" está correta, mas a vírgula depois de "antiquado" quebra a estrutura). O ponto e vírgula está bem empregado, e a vírgula após "fantasmas" indica a elipse do verbo (zeugma), o que é correto. Mas o erro principal invalida a alternativa. A forma correta seria: "O fantasma que era antiquado começou a fumar para disfarçar os suspiros; os outros fantasmas, não."

NÃO CAIA NESSA!

A banca coloca vírgulas que parecem isolar um adjunto ou uma oração, mas na verdade separam sujeito de verbo ou verbo de complemento. Fique atento à função sintática dos termos ao redor da vírgula.

PEGA ESSA DICA!

Antes de marcar, faça a "prova do corte": retire o trecho entre vírgulas. Se a frase continuar fazendo sentido e mantiver a estrutura sintática correta, a vírgula está bem empregada; se quebrar a relação sujeito-verbo ou verbo-complemento, está errada.

Conclusão: a única alternativa em que todas as vírgulas respeitam a norma-padrão é a letra D. As demais cometem erros de separação indevida — A e C separam verbo de complemento; B e E separam sujeito de verbo. Lembre-se: a vírgula não pode separar termos que são sintaticamente ligados, a menos que haja um elemento intercalado que exija isolamento.

Gabarito: letra D

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