O sentido da expressão “convivência com o semiárido”, em uma primeira visão ou leitura, pode levar a uma compreensão equivocada: viver no semiárido, sofrendo com a problemática das mudanças climáticas que tanto aflige, principalmente, os agricultores e agricultoras de base familiar.
Mas o sentido real da expressão “convivência com o semiárido” traz em seu arcabouço o real significado sociotransformador: viver buscando transformar os obstáculos provocados pelas mudanças climáticas e pelas injustiças sociais em oportunidades para mudar as condições de vida a partir de transformações no comportamento. Isso inclui premissas como o cuidado com o meio ambiente para uma vida digna, evitando que a região venha a se constituir um deserto.
É grande a riqueza de possibilidades, de caminhos, de alternativas que já foram geradas. São frutos das lutas populares, dos trabalhos pastorais, comunidades eclesiais de base etc., a partir das quais muitas organizações sociais nasceram e permanecem até hoje. Elas mobilizam os agricultores e agricultoras, promovendo trocas de experiência e qualificando-os a partir da estratégia de construção coletiva do conhecimento.
Essas organizações sociais geram reais possibilidades de se conviver com o semiárido e ter vida digna, sobretudo a partir da produção agroecológica, da transição energética, da captação e manejo de água de chuva, que gera vida não só para os seres humanos, mas para todos que habitam o semiárido no bioma caatinga.
(José Dias, “O significado de conviver com o semiárido”. Folha de S.Paulo, 10.08.2023. Adaptado)
O uso do acento indicativo da crase atende à norma- padrão em:
AO sentido real da expressão “convivência com o semiárido” está relacionado à seu real significado sociotransformador.
BElas mobilizam os agricultores e agricultoras, com trocas de experiência e qualificação para à construção coletiva do conhecimento.
CO sentido da expressão “convivência com o semiárido” pode levar à compreensão equivocada do que seja viver ali.
DÉ grande a riqueza de possibilidades, de caminhos, de alternativas já geradas, que deram origem à muitas organizações sociais.
EAs organizações sociais possibilitam à convivência com o semiárido e vida digna a todos que habitam no bioma caatinga.
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GabaritoC — O sentido da expressão “convivência com o semiárido” pode levar à compreensão equivocada do que seja viver ali.
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Crase: quando usar o acento grave
Gabarito: letra C. A alternativa C é a única em que o acento grave é obrigatório, pois há a fusão da preposição a (exigida pelo verbo levar: quem leva, leva algo a alguém) com o artigo feminino a que antecede o substantivo compreensão. Nas demais, ou falta a preposição, ou há palavra que não admite artigo feminino, ou o verbo não pede preposição.
O comando da questão
O enunciado pede que você identifique a frase em que o acento indicativo de crase está empregado conforme a norma-padrão. Isso significa que você deve analisar cada alternativa e verificar se há, de fato, a ocorrência de crase — ou seja, a fusão de duas vogais idênticas: a preposição a + o artigo feminino a (ou o 'a' de pronomes demonstrativos/relativos). A crase só ocorre se houver dois 'as': um vindo da regência (verbal ou nominal) e outro do artigo que determina um substantivo feminino.
A técnica que resolve
Para cada alternativa, faça o teste clássico: troque a palavra feminina por uma masculina. Se na troca aparecer ao (preposição a + artigo o), então há crase; se aparecer apenas o (sem preposição), não há. Exemplo: levar à compreensão → levar ao entendimento (aparece 'ao', logo há crase). Já em relacionado à seu significado → relacionado ao seu significado (aqui o 'seu' é pronome possessivo, que não admite artigo, então não há crase — o 'ao' que aparece na troca é só a preposição, sem artigo).
Análise das alternativas
Crase (fusão a + a): Requisitos (Preposição "a" (regência), Artigo feminino "a"); Teste da troca (Aparece "ao" → há crase, Aparece só "o" → não há); Casos proibidos (Antes de possessivo ("a seu"), Antes de indefinido ("a muitas"), Verbo sem preposição ("possibilita a"))
Alternativa A — ❌ Incorreta
"O sentido real da expressão 'convivência com o semiárido' está relacionado à seu real significado sociotransformador."
O erro está em "à seu": o pronome possessivo seu não admite artigo feminino. A regência do verbo relacionar exige a preposição a (quem se relaciona, relaciona-se a algo), mas como o termo seguinte é um pronome possessivo, não há artigo para fundir. Portanto, o correto seria "a seu", sem acento grave. A alternativa extrapola a regra ao aplicar crase onde não há artigo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Elas mobilizam os agricultores e agricultoras, com trocas de experiência e qualificação para à construção coletiva do conhecimento."
Aqui há dois problemas. Primeiro, a preposição para já introduz a locução; não se usa crase após preposição que não seja 'a'. Segundo, o verbo qualificar (no sentido de capacitar) é transitivo direto: qualifica alguém — não exige preposição a. Portanto, o correto seria "para a construção" (apenas artigo, sem crase) ou, melhor, "para a construção" sem o 'a' de preposição. A alternativa contradiz a regência do verbo e restringe indevidamente o uso da crase.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"O sentido da expressão 'convivência com o semiárido' pode levar à compreensão equivocada do que seja viver ali."
Aqui a crase é obrigatória. O verbo levar exige a preposição a (quem leva, leva algo a alguém ou a algo). O substantivo compreensão é feminino e admite o artigo a. Logo, temos preposição + artigo = à. Confirme com a troca: levar ao entendimento — aparece 'ao', então há crase. A alternativa está correta e é a única que atende à norma-padrão.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"É grande a riqueza de possibilidades, de caminhos, de alternativas já geradas, que deram origem à muitas organizações sociais."
O erro está em "à muitas": a palavra muitas é um pronome indefinido que não admite artigo. A regência da expressão dar origem exige a preposição a (quem dá origem, dá origem a algo), mas como não há artigo, não há crase. O correto seria "a muitas", sem acento. A alternativa generaliza a regra ao aplicar crase diante de pronome indefinido.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"As organizações sociais possibilitam à convivência com o semiárido e vida digna a todos que habitam no bioma caatinga."
O verbo possibilitar é transitivo direto: possibilita algo — não exige preposição a. Portanto, o correto seria "a convivência" (apenas artigo, sem crase). A alternativa contradiz a regência do verbo, aplicando crase onde não há preposição.
Conclusão
A única alternativa em que a crase é obrigatória e correta é a letra C. Para acertar questões de crase, lembre-se: crase é a fusão de preposição 'a' + artigo feminino 'a'. Teste sempre com a troca por palavra masculina: se aparecer 'ao', há crase; se aparecer só 'o', não há. E desconfie de crase antes de pronomes possessivos, indefinidos e de verbos — nesses casos, quase sempre é proibida.