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Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — VUNESP 2023

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
vu184019
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Piracicaba
Ano
2023
Cargo
Med (Piracicaba)

Leia o texto para responder à questão.

A ciência bate o martelo: beba menos, viva mais

 

Beber quantidades moderadas de álcool todos os dias não protege – como se pensava – contra a morte por doenças cardíacas, nem contribui para uma vida mais longa, de acordo com uma nova análise abrangente de estudos sobre o álcool. A revisão, que examinou 5 milhões de pessoas, é um dos maiores trabalhos a desmascarar a crença de que o consumo moderado de vinho ou outras bebidas alcoólicas faz bem. No ano passado, na Grã-Bretanha, pesquisadores concluíram que mesmo o baixo consumo de álcool estava associado ao aumento do risco de doenças. Beber níveis relativamente baixos – 25 gramas por dia para mulheres e 45 gramas ou mais por dia para homens – na verdade aumentou o risco de morte. Uma dose de vinho padrão tem cerca de 140 gramas. A porção padrão de cerveja tem cerca de 340 gramas e de bebidas destiladas, 40 gramas. “Este estudo destrói a esperança de muitas pessoas de que o uso moderado seria saudável”, disse Robert DuPont, psiquiatra e especialista em abuso de substâncias, primeiro diretor do Instituto Nacional de Abuso de Drogas.

 

“A mensagem é que, em termos de saúde, menos álcool é melhor”, disse Tim Naimi, autor do estudo e diretor do Instituto Canadense para Pesquisa do Uso de Substâncias. “Ou então podemos dizer: beba menos, viva mais.”

 

A crença de que o consumo diário de álcool é bom para a saúde data da década de 1980, quando pesquisadores identificaram o “paradoxo francês”: a sugestão de que baixas taxas de doenças cardiovasculares entre os homens na França estavam associadas ao consumo diário de vinho. Embora análises posteriores tenham encontrado falhas na pesquisa, a crença se tornou amplamente aceita.

 

“Muitas vezes se pensa que o álcool do vinho tem propriedades mágicas”, disse Tim Stockwell, principal autor do estudo. “Foi só um golpe publicitário para a indústria do vinho algumas décadas atrás. O papel protetor do álcool do vinho agora é contestado.”

 

(Marlene Simons, The Washington Post, O Estado de S.Paulo, 20 de abril de 2023. Adaptado)

As aspas em – “Este estudo destrói a esperança de muitas pessoas de que o uso moderado seria saudável” e os dois-pontos em – “Ou então podemos dizer: beba menos, viva mais.” (1o e 2o parágrafos, respectivamente) – foram empregados, correta e respectivamente, para

  1. Aintroduzir a fala de alguém; dar destaque a uma expressão.
  2. Bindicar o pensamento do autor; marcar a interrupção da sequência de raciocínio.
  3. Cseparar um conceito; encerrar um pensamento inicial.
  4. Dmostrar uma contradição; separar uma fala quebrada.
  5. Eisolar citação de outrem; dar a explicação de uma ideia anterior.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — isolar citação de outrem; dar a explicação de uma ideia anterior.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pontuação: aspas e dois-pontos no texto

Gabarito: letra E. As aspas em “Este estudo destrói a esperança de muitas pessoas de que o uso moderado seria saudável” isolam uma citação literal — fala de Robert DuPont, transcrita pelo autor — e os dois-pontos em “Ou então podemos dizer: beba menos, viva mais.” introduzem a explicação da ideia anterior, ou seja, o que exatamente se pode dizer. A alternativa E é a única que nomeia corretamente as duas funções, como se comprova no próprio texto.

O comando

A questão pede que você identifique a função de dois sinais de pontuação em trechos específicos. Não é uma questão de compreensão global do texto, mas de gramática aplicada ao contexto: você precisa saber o que aspas e dois-pontos fazem ali, e não o que significam as frases. A banca quer que você relacione o sinal ao seu papel discursivo.

O texto

O texto é uma reportagem sobre um estudo que desmente a crença de que beber moderadamente faz bem à saúde. No primeiro parágrafo, o autor cita diretamente o psiquiatra Robert DuPont: “Este estudo destrói a esperança de muitas pessoas de que o uso moderado seria saudável”. No segundo, cita Tim Naimi, autor do estudo, que diz: “Ou então podemos dizer: beba menos, viva mais.” Perceba: as aspas marcam a fala de outra pessoa (citação), e os dois-pontos, dentro dessa fala, anunciam o esclarecimento — o que se pode dizer.

A técnica

  • Aspas: servem para isolar citações literais, isto é, reproduzir exatamente o que alguém disse ou escreveu. No texto, as aspas aparecem exatamente nessa função: o autor transcreve as palavras de DuPont e de Naimi. Também podem indicar ironia, estrangeirismo, gíria, mas aqui é citação.

  • Dois-pontos: têm várias funções — introduzir uma citação, uma enumeração, um esclarecimento, uma explicação. No trecho “podemos dizer: beba menos, viva mais”, os dois-pontos introduzem a explicação do que se pode dizer: a mensagem é “beba menos, viva mais”. É uma relação de explicação da ideia anterior.

A pegadinha da banca está em usar termos vagos nas outras alternativas, como “dar destaque a uma expressão” (A), “indicar o pensamento do autor” (B), “separar um conceito” (C) ou “mostrar uma contradição” (D). Nenhuma delas captura a função específica no texto.

1Isolam citação literal
2Fala de outrem
3Outros usos: ironia, estrangeirismo, gíria
4Dois-pontos
Introduzem explicação
Outros usos: citação, enumeração, esclarecimento
Aspas
LEVELsoulevel.com.br
Aspas: Isolam citação literal; Fala de outrem; Outros usos: ironia, estrangeirismo, gíria; Dois-pontos (Introduzem explicação, Outros usos: citação, enumeração, esclarecimento)

Alternativa A — ❌ Incorreta

“introduzir a fala de alguém; dar destaque a uma expressão.” A primeira parte até poderia servir para as aspas (introduzir fala), mas a segunda parte está errada: os dois-pontos não dão “destaque a uma expressão”, eles introduzem uma explicação. Além disso, “introduzir a fala” é uma função do travessão ou dos dois-pontos, não das aspas — as aspas isolam a fala já introduzida. Erro: troca de função.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“indicar o pensamento do autor; marcar a interrupção da sequência de raciocínio.” As aspas não indicam “pensamento do autor” — indicam citação de outrem (DuPont). E os dois-pontos não marcam interrupção; marcam continuidade explicativa. Erro: troca de função.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“separar um conceito; encerrar um pensamento inicial.” As aspas não “separam um conceito” — isolam uma citação literal. Os dois-pontos não “encerram” nada; eles abrem a explicação. Erro: troca de função.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“mostrar uma contradição; separar uma fala quebrada.” Não há contradição no trecho entre aspas — é uma afirmação de DuPont. E os dois-pontos não separam “fala quebrada”; eles introduzem a explicação. Erro: troca de função.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

“isolar citação de outrem; dar a explicação de uma ideia anterior.” Exatamente. As aspas isolam a fala de Robert DuPont (citação de outrem), e os dois-pontos introduzem a explicação do que se pode dizer (“beba menos, viva mais” é a explicação da mensagem). A alternativa usa os termos técnicos corretos e se aplica perfeitamente ao texto.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de pontuação, pergunte-se: “qual é a função exata do sinal neste contexto?”. Não basta saber a regra geral; é preciso ver como ela se aplica ao trecho. Grife o trecho e identifique se é citação, explicação, enumeração, etc.

Gabarito: letra E — a única que descreve corretamente as funções de aspas (citação) e dois-pontos (explicação) no texto.

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