– O quê? Se eu já comprei livros, apostilas, cadernos, pasta, caixa de lápis de cor, lápis preto, esferográfica, borracha mole, borracha dura, régua, compasso, clipe, apontador, tudo novo, novinho, porque o material do ano passado está superado, como é que não está completo?
– Cê esqueceu do gravador.
– Esqueci nada, rapaz. Vi o gravador na lista e achei que era piada. Vocês gostam de brincar com a gente.
– Brincadeira tem hora, pai. Tou precisando de gravador.
– Verdade?
– Lógico. A turma toda vai de gravador, só eu que dou uma de palhaço?
– Nunca me constou que a característica do palhaço é não levar um gravador na mão.
– A tiracolo pai, com alça. Tem um modelo japonês, levinho, muito bacana. Também se leva na sacola.
– Então você quer aparecer no colégio portando gravador porque está na moda, pois não?
[...]
– Esqueci de botar na lista a minicalculadora. Faz uma falta danada na aula de Matemática. Beto já comprou a dele, Heleno também, Miquinha também.
– Pelo que vejo, o Brasil contará com grandes matemáticos no futuro.
– Sem calculadora, como é que a gente vai calcular? Resolver um problema ouriçado?
– No meu tempo...
– Seu tempo já era. Não tinha calculadora, como é que cês iam precisar de calculadora?
– Talvez você tenha razão. Era um tempo muito mal equipado. Pior: nem equipado era.
– Viu? Gosto quando cê reconhece a verdade. Mas tem mais. Tá faltando o principal.
– Um helicóptero, imagino?
– Não. Um minicomputador. Tem aí um modelo escolar que é joia. Não pesa muito na mochila, é um barato, vou te contar. Sem microcomputador não posso aparecer no colégio, fico desmoralizado!
(Carlos Drummond de Andrade, “Equipamento escolar”.
As palavras que ninguém diz, 2011. Adaptado)
A calculadora traz benefícios aulas de matemática, pois permite que um problema ouriçado seja resolvido. Além disso, vou contar você uma coisa: não posso ir colégio sem um microcomputador. Portanto, não .
Em conformidade com a norma-padrão, as lacunas do enunciado devem ser preenchidas, correta e respectivamente, com:
Aà ... a ... ao ... esqueça deles
Bnas ... à ... no ... os esqueça
Càs ... a ... ao ... se esqueça deles
Dpara ... à ... ao ... esqueça eles
Ea ... a ... no ... esqueça-os
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GabaritoC — às ... a ... ao ... se esqueça deles
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Crase, regência e colocação pronominal: a tríade que decide
Gabarito: letra C. A alternativa correta é a que preenche as lacunas com "às ... a ... ao ... se esqueça deles", pois respeita, na ordem: a crase obrigatória em "benefícios às aulas" (regência de "benefício" + artigo "as"), a ausência de crase antes do verbo em "contar a você" (crase proibida diante de verbo), a contração "ao colégio" (regência de "ir" + artigo "o") e a colocação pronominal com o verbo "esquecer-se" exigindo a preposição "de" ("se esqueça deles"). A banca combina três tópicos de norma-padrão — crase, regência verbal e colocação pronominal — e a letra C é a única que acerta os quatro pontos simultaneamente.
O comando: o que a banca pede
A questão é de norma-padrão (modo de cobrança: conceito). O enunciado apresenta um texto com quatro lacunas e pede o preenchimento "correta e respectivamente". Isso significa que cada lacuna deve ser analisada isoladamente quanto à regência do verbo/nome que a antecede e à presença ou não de artigo definido feminino/masculino no termo seguinte. Não há interpretação de sentido aqui — é pura aplicação de regras gramaticais, mas regras que dependem do contexto sintático de cada lacuna.
O texto: o que ele fornece
O texto-base é uma crônica de Drummond sobre um diálogo entre pai e filho a respeito do material escolar. Para esta questão, o texto serve apenas como ponto de partida temático — o enunciado reescreve o diálogo em discurso indireto, e as lacunas estão nessa reescritura. O que importa é a estrutura sintática de cada frase do enunciado, não o conteúdo da crônica em si.
A técnica: as quatro regras que decidem
1ª lacuna — "benefícios ___ aulas de matemática"
O substantivo "benefício" exige a preposição "a" (quem tem benefício, tem benefício a algo). O termo seguinte é "aulas", substantivo feminino plural precedido do artigo "as". Temos, então: preposição "a" + artigo "as" = às (crase obrigatória). A regra é clássica: crase é a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a/as".
2ª lacuna — "vou contar ___ você uma coisa"
O verbo "contar" no sentido de narrar é transitivo direto e indireto (VTDI): conta-se algo a alguém. O complemento "você" é um pronome de tratamento que não admite artigo. Sem artigo, não há crase — apenas a preposição "a". Portanto: a (sem acento grave).
3ª lacuna — "não posso ir ___ colégio"
O verbo "ir" exige a preposição "a" (ir a algum lugar). O termo seguinte é "colégio", substantivo masculino precedido do artigo "o". Preposição "a" + artigo "o" = ao (contração, sem crase, pois o artigo é masculino).
4ª lacuna — "não ___"
Aqui entra a regência do verbo "esquecer". Na norma-padrão, o verbo "esquecer" pode ser:
Transitivo direto (sem pronome): "Esqueci o material."
No enunciado, a forma correta é a pronominal: "não se esqueça deles" — com o pronome "se" e a preposição "de" contraída com o pronome "eles" (deles). A alternativa C é a única que traz essa construção completa.
Crase
1Obrigatória
Preposição "a" + artigo feminino "a/as"
Ex.: benefício às aulas
2Proibida
Antes de pronome de tratamento
Ex.: contar a você
Antes de verbo
3Regência
Verbo "ir"
Exige preposição "a"
Ex.: ir ao colégio
Verbo "esquecer"
Pronominal: esquecer-se de algo
Ex.: se esqueça deles
Transitivo direto: esquecer algo
Ex.: esqueça-os
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Alternativa A — ❌ Incorreta
"à ... a ... ao ... esqueça deles"
Erra na 1ª lacuna: "benefícios à aulas" está incorreto, pois o artigo "as" (plural) exige "às", não "à". Além disso, na 4ª lacuna, "esqueça deles" sem o pronome "se" foge à construção pronominal exigida pela norma-padrão quando se usa a preposição "de".
Alternativa B — ❌ Incorreta
"nas ... à ... no ... os esqueça"
Erra na 1ª lacuna: "benefícios nas aulas" troca a preposição exigida por "benefício" (que pede "a", não "em"). Na 2ª lacuna, "contar à você" é erro grave: crase antes de pronome de tratamento é proibida. Na 3ª lacuna, "ir no colégio" viola a regência do verbo "ir", que pede "a", não "em". Na 4ª lacuna, "os esqueça" usa o verbo como transitivo direto, mas com pronome oblíquo átono "os" — construção que não corresponde à norma para o verbo "esquecer" pronominal.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"às ... a ... ao ... se esqueça deles"
Acerta as quatro lacunas: às (preposição + artigo plural), a (preposição antes de pronome de tratamento), ao (preposição + artigo masculino) e se esqueça deles (verbo pronominal com preposição "de").
Alternativa D — ❌ Incorreta
"para ... à ... ao ... esqueça eles"
Erra na 1ª lacuna: "benefícios para aulas" não atende à regência de "benefício" (que pede "a"). Na 2ª lacuna, "contar à você" repete o erro de crase antes de pronome de tratamento. Na 4ª lacuna, "esqueça eles" é construção coloquial, fora da norma-padrão (o correto seria "esqueça-os" ou "se esqueça deles").
Alternativa E — ❌ Incorreta
"a ... a ... no ... esqueça-os"
Erra na 1ª lacuna: "benefícios a aulas" sem crase, pois falta o artigo "as" (o correto é "às aulas"). Na 3ª lacuna, "ir no colégio" viola a regência do verbo "ir". A 4ª lacuna "esqueça-os" é gramaticalmente possível (verbo transitivo direto), mas a combinação com os erros anteriores invalida a alternativa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura três tópicos para derrubar quem resolve só um deles. O candidato que acerta a crase, mas erra a regência de "ir" ("no" em vez de "ao"), cai na letra E. O que acerta a regência, mas erra a crase antes de pronome de tratamento, cai na B. A armadilha é a combinação — é preciso testar as quatro lacunas, não apenas a primeira.
PEGA ESSA DICA!
Antes de marcar, teste cada lacuna com a pergunta certa: (1) o termo anterior exige preposição? (2) o termo seguinte admite artigo? Se sim para ambos e o artigo for feminino, há crase. Se o termo seguinte for pronome de tratamento ou verbo, crase é proibida. Para "esquecer", lembre: com pronome "se", exige "de"; sem pronome, é transitivo direto.
Gabarito: letra C. A regra de ouro: em questões de lacunas, resolva cada espaço como uma questão independente — a alternativa só é correta se acertar todas as lacunas, pois a banca sempre coloca distratores que acertam uma ou duas, mas erram as demais.