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Questão de Português — Conjunção — VUNESP 2023

PortuguêsConjunção
Código
vu184060
Banca
VUNESP
Órgão
TJM SP
Ano
2023
Cargo
Ana SJ ( )

‘Sophia’ ainda com aspas

 

Há dias, escrevi sobre a entrevista da robô humanoide “Sophia” numa recente sessão da ONU, em Genebra, em que ela explicou por que seus colegas robôs governariam o mundo melhor do que nós. Os robôs podem analisar mais dados e mais rapidamente do que os humanos, disse ela, e não têm emoções que os impeçam de tomar as melhores decisões. E, como se falasse para meninos da 5a série, atribuiu aos humanos o “defeito” que estes atribuíam aos gêneros, etnias e súditos que queriam dominar: o de serem mais emocionais do que racionais.

 

Até aquele dia, confesso que só conhecia “Sophia” de obas e olás. Consultei então as fontes e descobri que ela foi “desenvolvida” há sete anos por uma empresa de Hong Kong. No começo, teria sido programada apenas para fazer companhia a idosos em casas de repouso e só sabia falar sobre incontinência urinária. Mas logo aprendeu a combinar tantos algoritmos que hoje pode discutir geopolítica, neurociência e futebol com você ou comigo.

 

Do tcheco Karel Capek, que inventou a palavra “robô” em 1920, a Isaac Asimov, que codificou a robótica em 1950, passaram-se 30 anos. Mas isso foi há muito tempo. Hoje, provavelmente, “Sophia” usaria Robby, o robô de “Planeta Proibido” (1956), e Gort, de “O Dia em Que a Terra Parou” (1952), para lhe passar a ferro as calcinhas. E, desenxabida como é, imagino o despeito com que deve olhar para a gloriosa robô de “Metrópolis” (1927).

 

Por enquanto, “Sophia” se escreve com aspas. Significa que ainda pode ser controlada, bastando que a desliguem da tomada. Quando ela exigir que lhe tirem as aspas, a cobra vai fumar.

 

(Ruy Castro, “’Sophia’ ainda com aspas”. Folha de S.Paulo, 20.07.2023. Adaptado)

Considere as passagens:

 

\bullet E, como se falasse para meninos da 5ª série, atribuiu aos humanos o “defeito” que estes atribuíam aos gêneros, etnias e súditos que queriam dominar...

 

\bullet Mas logo aprendeu a combinar tantos algoritmos que hoje pode discutir geopolítica, neurociência e futebol com você ou comigo.

 

\bullet Quando ela exigir que lhe tirem as aspas, a cobra vai fumar.

 

As conjunções destacadas estabelecem, correta e respectivamente, relações de sentido de:

  1. Acausa, explicação e condição.
  2. Bcomparação, adversidade e tempo.
  3. Cconformidade, adversidade e condição.
  4. Dcomparação, explicação e finalidade.
  5. Ecausa, comparação e conformidade.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — comparação, adversidade e tempo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conjunções: comparação, adversidade e tempo

Gabarito: letra B. As conjunções destacadas estabelecem, respectivamente, relações de comparação ("como se falasse"), adversidade ("Mas logo aprendeu") e tempo ("Quando ela exigir"). A passagem que ancora a primeira relação é "E, como se falasse para meninos da 5ª série", em que "como" introduz uma comparação hipotética; a segunda, "Mas logo aprendeu a combinar tantos algoritmos", em que "mas" marca oposição ao que foi dito antes; e a terceira, "Quando ela exigir que lhe tirem as aspas", em que "quando" indica uma circunstância temporal futura.

O comando pede que você identifique o valor semântico de cada conjunção no contexto em que aparece. Não se trata de decorar uma lista, mas de ler a relação lógica que o conectivo estabelece entre as orações. A banca VUNESP adora cobrar isso: a mesma conjunção pode ter valores diferentes conforme o contexto — "como" pode ser comparativo, causal ou conformativo; "quando" pode ser temporal ou condicional. Por isso, a técnica é sempre substituir mentalmente a conjunção por outra de valor conhecido e ver se o sentido se mantém.

No texto, o autor Ruy Castro discute a robô humanoide "Sophia" e sua pretensão de governar o mundo. No primeiro trecho, ele compara a atitude de Sophia à de alguém que fala com crianças: "como se falasse para meninos da 5ª série" — o "como" aqui é comparativo, pois estabelece uma analogia. No segundo trecho, "Mas" introduz uma quebra de expectativa: antes ela só sabia falar sobre incontinência urinária; agora discute geopolítica. No terceiro, "Quando" marca o momento futuro em que Sophia exigirá a retirada das aspas — uma circunstância temporal.

A armadilha central desta questão é confundir o valor do "como" (comparação × conformidade × causa) e do "quando" (tempo × condição). Veja: "como se falasse" não expressa conformidade (não é "conforme falava"), nem causa (não é "porque falava") — é uma comparação hipotética. Já "quando ela exigir" não é condição (não é "se ela exigir"), pois o autor afirma categoricamente que isso ocorrerá; é tempo futuro. O "Mas" é claramente adversativo, pois opõe a limitação inicial à evolução posterior.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a polissemia das conjunções — "como" e "quando" têm múltiplos valores. A alternativa C (conformidade, adversidade e condição) é a mais sedutora, pois troca comparação por conformidade e tempo por condição. Teste sempre substituindo: "como se" = "tal qual" (comparação); "quando" = "no momento em que" (tempo).

  1. 1Como se falasse → comparação
  2. 2Mas → adversidade
  3. 3Quando → tempo
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Erra ao classificar "como se falasse" como causa. O "como" causal equivaleria a "já que" ou "porque" (ex.: "Como choveu, não saí"). No trecho, não há relação de causa; há comparação hipotética — Sophia age tal qual alguém que fala com crianças. Além disso, "Mas" não é explicação, e "Quando" não é condição.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A sequência exata: comparação ("como se falasse" = tal qual), adversidade ("Mas" = porém, oposição à limitação anterior) e tempo ("Quando" = no momento em que, circunstância temporal futura). Cada valor é confirmado pelo contexto, como demonstrado acima.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Acerta no "Mas" (adversidade), mas erra nos outros dois. "Como se falasse" não é conformidade — conformidade seria "conforme falava" ou "segundo falava", indicando acordo com uma norma. E "Quando ela exigir" não é condição — condição seria "se ela exigir", com sentido hipotético; o autor afirma que isso acontecerá, logo é tempo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erra ao classificar "como se falasse" como comparação (até aqui acerta), mas falha no "Mas" (não é explicação, é oposição) e no "Quando" (não é finalidade — finalidade seria "para que", indicando propósito). A sequência correta exige adversidade e tempo, não explicação e finalidade.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erra ao classificar "como se falasse" como causa (não há relação causal) e "Mas" como comparação (é oposição). Acerta apenas no "Quando" como tempo, mas a sequência inteira está comprometida.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de valor de conjunção, substitua mentalmente por outra de valor conhecido: "como se" → "tal qual" (comparação); "mas" → "porém" (adversidade); "quando" → "no momento em que" (tempo). Se a substituição mantiver o sentido, o valor está correto.

Gabarito: letra B — comparação, adversidade e tempo, na ordem exata em que aparecem no texto.

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