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Questão de Português — Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc) — VUNESP 2023

PortuguêsPontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
Código
vu184083
Banca
VUNESP
Órgão
Pref SJRP
Ano
2023
Cargo
Sup Ens ( )

Os estranhos do bem

 

Pouco me lembro do apartamento onde passei minha infância, mas não esqueci nada da rua onde morava, das casas vizinhas, do quarteirão inteiro onde eu brincava desde o início da tarde até o início da noite e, por vezes, inclusive à noite. Naquela época não havia medo de assaltos, de atropelamentos, de sequestros-relâmpago: a gente pegava a bicicleta e saía com a maior liberdade, sem pânico nem neuras, oposto do que acontece hoje, quando as crianças só podem brincar dentro do prédio, em prisão domiciliar. Porém, mesmo com liberdade, havia um perigo rondando. Você deve lembrar o que nossos pais buzinavam em nossos ouvidos a cada vez que abríamos a porta de casa para sair: “Não dê conversa a estranhos.” Mais uma vez, é o oposto do que acontece hoje. Trancafiados em casa, com as bicicletas enferrujando na garagem, não se faz outra coisa a não ser dar conversa a estranhos.

 

Quando menina, eu me perguntava: o que será que eles (os adultos) querem dizer com “estranho”? Estranho, para mim, era um cara que usasse óculos escuros à noite, tivesse uma bruta cicatriz ao lado da orelha e uma faca ensanguentada entre os dentes. Mas estranho, para eles, ia além: era qualquer um que a gente não conhecesse. Podia ser o pároco do bairro: um estranho, corra!

 

Aí a gente cresce e inventam um troço chamado computador. E os pais somos nós! Conscientes das nossas responsabilidades, batemos à porta do quarto das crianças e damos sequência à tradição, alertando-os: “Não dê conversa a estranhos.” Quá, quá, quá.

 

Afora as orientações inevitáveis contra pedófilos e mal-intencionados em geral, é preciso relaxar: ninguém com mais de 10 anos evita estranhos, ao contrário, eles são buscados nas redes sociais, onde todos se expõem, transformando o mundo num gigantesco albergue coletivo.

 

Estranho é mau? Estranho é pior que a gente? Se devemos ter vigilância com nossos filhos – e devemos mesmo –, é preciso também controlar a paranoia e não surtar por eles trocarem ideias com quem nunca viram antes, e provavelmente jamais verão. E só para lembrar: estranhos, somos todos.

 

(Martha Medeiros, Feliz por nada. Adaptado)

Leia o texto, para responder à questão.

 

Observando-se a pontuação do enunciado – Quando menina, eu me perguntava: o que será que eles (os adultos) querem dizer com “estranho”? –, é correto afirmar que os dois-pontos, os parênteses e as aspas foram empregados, correta e respectivamente, para:

  1. Aesclarecer uma passagem anterior; determinar o sentido do termo; realçar a ironia contida na palavra.
  2. Bapresentar criticamente o pensamento da autora; especificar o sentido da própria expressão; fazer uma citação de termo.
  3. Cdefinir o significado da palavra precedente; ironizar os que recebem essa denominação; distinguir a palavra das demais.
  4. Dtornar clara ao leitor a intenção da autora; introduzir uma reflexão sobre o que foi dito antes; realçar o sentido que se quer dar à palavra.
  5. Eintroduzir um esclarecimento do que foi enunciado; definir o conteúdo de um termo precedente; acentuar o valor significativo da palavra.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — introduzir um esclarecimento do que foi enunciado; definir o conteúdo de um termo precedente; acentuar o valor significativo da palavra.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Pontuação: dois-pontos, parênteses e aspas no trecho

Gabarito: letra E. Os dois-pontos introduzem um esclarecimento do que foi enunciado; os parênteses definem o conteúdo de um termo precedente; as aspas acentuam o valor significativo da palavra. No trecho, os dois-pontos anunciam a pergunta que explica a dúvida da autora; os parênteses isolam "os adultos", esclarecendo quem são "eles"; as aspas destacam "estranho", termo central da reflexão.

O comando

A questão pede que se identifique a função de três sinais de pontuação — dois-pontos, parênteses e aspas — no contexto específico do trecho. Não se trata de decorar regras isoladas, mas de observar o efeito de sentido que cada sinal produz naquele enunciado. A palavra-chave é "respectivamente": a ordem das funções deve corresponder exatamente à ordem dos sinais.

O texto e o trecho analisado

O texto discute a mudança no conceito de "estranho" entre a infância da autora e os dias atuais. No trecho em questão, a autora relembra sua dúvida infantil:

"Quando menina, eu me perguntava: o que será que eles (os adultos) querem dizer com “estranho”?"

Aqui, os dois-pontos anunciam a pergunta que materializa a dúvida — ou seja, introduzem um esclarecimento do que foi enunciado. Os parênteses isolam a expressão "os adultos", que define o referente do pronome "eles". As aspas destacam a palavra "estranho", sinalizando que ela é o objeto da reflexão e que seu sentido é central no texto.

A técnica que decide

Para cada sinal, pergunte: que efeito ele produz no trecho? Não basta saber que dois-pontos podem enumerar, citar ou explicar; é preciso ver qual dessas funções ocorre aqui. O mesmo vale para parênteses (intercalar, esclarecer, definir) e aspas (citar, ironizar, destacar). A alternativa correta é a que descreve com precisão o papel de cada sinal naquele contexto.

1Introduzem esclarecimento
2Anunciam a pergunta
3Parênteses
Definem termo precedente
Isolam "os adultos"
4Aspas
Acentuam valor significativo
Destacam "estranho"
Dois-pontos
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Dois-pontos: Introduzem esclarecimento; Anunciam a pergunta; Parênteses (Definem termo precedente, Isolam "os adultos"); Aspas (Acentuam valor significativo, Destacam "estranho")

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. Diz que os dois-pontos "esclarecem uma passagem anterior" — mas eles introduzem o esclarecimento, não esclarecem o que veio antes. Além disso, afirma que as aspas "realçam a ironia", e não há ironia na palavra "estranho" aqui: ela é usada com sentido próprio, apenas destacada. A banca trocou a função dos sinais.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. "Apresentar criticamente o pensamento da autora" é vago e não corresponde à função dos dois-pontos, que é anunciar a pergunta. "Especificar o sentido da própria expressão" até se aproxima dos parênteses, mas "fazer uma citação de termo" não é o papel das aspas no trecho — elas destacam a palavra, não citam discurso alheio.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. "Definir o significado da palavra precedente" não é o que os dois-pontos fazem: eles introduzem a pergunta. "Ironizar os que recebem essa denominação" é invenção — não há ironia. "Distinguir a palavra das demais" é vago e não capta o realce de sentido que as aspas conferem a "estranho".

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito. "Tornar clara ao leitor a intenção da autora" é subjetivo e não descreve a função sintática dos dois-pontos. "Introduzir uma reflexão sobre o que foi dito antes" também não: os dois-pontos anunciam a pergunta, não uma reflexão posterior. "Realçar o sentido que se quer dar à palavra" é próximo, mas a alternativa falha nos dois primeiros itens.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta porque descreve com precisão cada sinal no trecho. Os dois-pontos introduzem um esclarecimento — a pergunta que explica a dúvida da autora. Os parênteses definem o conteúdo de um termo precedente — "os adultos" especifica quem são "eles". As aspas acentuam o valor significativo da palavra — destacam "estranho" como termo central da reflexão. Tudo isso está ancorado no trecho:

"Quando menina, eu me perguntava: o que será que eles (os adultos) querem dizer com “estranho”?"

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca as funções entre as alternativas. Cada distratora mistura os papéis dos sinais, exigindo que você analise o efeito no trecho, não a regra decorada.

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de pontuação, pergunte sempre: "que efeito este sinal produz aqui?" — e confira a ordem "respectivamente".

Gabarito: letra E

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