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Questão de Português — Conjunção — VUNESP 2023

PortuguêsConjunção
Código
vu184108
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Guararapes
Ano
2023
Cargo
Ag ( )

Para conseguir lidar com o luto pela perda precoce da mãe, aos 10 anos, o japonês Takeo Sawada (1917-2004) começou a pintar. Ganhou um kit de desenho do pai, na cidade de Yuki, a 100 quilômetros de Tóquio. Participou de duas exposições e, aos 12 anos, conquistou o Prêmio Imperial do governador da província de Ibaraki. Contudo, com a promessa de uma vida melhor, decidiu emigrar para o Brasil, então com 16 anos de idade, e seguir os passos dos familiares que se estabeleceram em Rancharia, no oeste paulista.

 

Sem conhecer a língua portuguesa e os costumes do país, teve ajuda de um tio comerciante e trabalhou em plantações de café e algodão. Sua sensibilidade artística foi aguçada pelos elementos da natureza, e uma árvore frondosa de flores vermelhas foi a que mais chamou sua atenção: o flamboyant. Sawada gostava de admirá-la, pintá-la e fotografá-la pela cidade, num convite à contemplação.

 

Na década de 1970, fundou um curso de artes visuais para crianças. Ao longo de três décadas, cerca de 4 mil alunos — incluindo adultos — tiveram aulas com o sensei [mestre ou professor], que se tornou referência em arte-educação. “Frequentei as aulas de Sawada em 1987, aos 25 anos. Lembro-me de sua voz tranquila, dos óculos pendurados por um cordão e de muitos pincéis e lápis no bolso da camisa”, recorda-se a artista visual Carmo Malacrida, uma das curadoras da exposição “À Sombra do Flamboyant: Takeo Sawada”, em cartaz no Sesc Registro.

 

As aulas do artista incluíam desde passeios ao ar livre a exercícios de técnicas de desenho e pintura no ateliê. Em entrevista a um canal de televisão, o próprio artista definiu sua atuação: “Ensinar criança não é para criar artista, é para formar uma boa pessoa, uma pessoa de paz, de boa índole, que possa se dedicar ao Brasil, à sociedade”. Inspirada pelo mestre, Carmo dá aulas de artes para crianças há 22 anos, e diz que aprendeu com ele a ver o mundo de forma poética. “Ele nos preparava para a vida, queria que criássemos livremente. Dizia para não termos medo do vazio do papel, que na folha grande há muito espaço para desenhar e pintar”, conta.

 

(Luna D’Alama. Da cerejeira ao flamboyant. Revista E, maio de 2023. Adaptado)

Considere as frases.

 

• Para conseguir lidar com o luto pela perda precoce da mãe...

 

• ... decidiu emigrar para o Brasil, então com 16 anos de idade, e seguir os passos dos familiares...

 

Os vocábulos em destaque expressam, correta e respectivamente, os sentidos de

  1. Acausa e origem.
  2. Bmeio e tempo.
  3. Ccausa e tempo.
  4. Dorigem e afirmação.
  5. Emeio e modo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — causa e tempo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sentido dos conectivos: "para" e "e" no texto

Gabarito: letra C. No primeiro trecho, "para" expressa causa (a finalidade de lidar com o luto é, na verdade, a motivação que desencadeia a ação de pintar); no segundo, "e" expressa tempo (indica sequência cronológica: primeiro emigrou, depois seguiu os passos dos familiares). A banca explora a polissemia dos conectivos, e a resposta se prova pela leitura do contexto, como se vê nos trechos citados abaixo.

O comando: o que a questão pede

O enunciado pede que você identifique o valor semântico de dois conectivos em frases específicas do texto. Não é uma questão de gramática decorada, mas de interpretação contextual: a mesma palavra pode ter sentidos diferentes conforme o uso. Aqui, "para" e "e" são os vocábulos em destaque, e você deve dizer qual ideia eles veiculam naquele contexto.

O texto: onde mora a resposta

No primeiro parágrafo, lemos:

"Para conseguir lidar com o luto pela perda precoce da mãe, aos 10 anos, o japonês Takeo Sawada (1917-2004) começou a pintar."

Aqui, "para" introduz uma finalidade aparente (o objetivo de lidar com o luto), mas, no contexto, essa finalidade é a causa que explica por que ele começou a pintar. Em outras palavras: o luto foi o motivo, a razão que o levou a pintar. A banca considera que "para" expressa causa, pois a oração "para conseguir lidar com o luto" responde à pergunta "por que ele começou a pintar?".

No segundo trecho:

"... decidiu emigrar para o Brasil, então com 16 anos de idade, e seguir os passos dos familiares..."

A conjunção "e" liga duas ações: "decidiu emigrar" e "seguir os passos dos familiares". O contexto indica que essas ações ocorrem em sequência temporal: primeiro ele emigra, depois segue os passos dos familiares. Não há ideia de adição simples (como em "comprei pão e leite"), mas de sucessão cronológica.

A técnica: como reconhecer o valor dos conectivos

Conectivos como "para" e "e" são polissêmicos: podem assumir vários sentidos conforme o contexto. A dica é substituir o conectivo por outro de valor conhecido e ver se o sentido se mantém. Por exemplo:

  • "Para" com valor de causa pode ser substituído por "por causa de" ou "devido a": "Devido ao luto, começou a pintar." Já com valor de finalidade, seria "a fim de": "A fim de lidar com o luto, começou a pintar." No texto, a substituição por "devido a" preserva o sentido, confirmando a causa.

  • "E" com valor de tempo pode ser substituído por "e depois" ou "e então": "decidiu emigrar e depois seguir os passos dos familiares." Essa substituição mantém o sentido de sequência.

Análise das alternativas

Conectivos polissêmicos
  • 1"Para"
    • Finalidade (a fim de)
    • Causa (devido a)
  • 2"E"
    • Adição (e também)
    • Tempo (e depois)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Causa e origem. O primeiro conectivo é causa, correto. Mas o segundo não é origem: "e" não indica procedência, e sim sequência temporal. A alternativa erra na segunda parte.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Meio e tempo. O primeiro conectivo não é meio (instrumento), é causa. O segundo é tempo, correto. A alternativa erra na primeira parte.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Causa e tempo. Como vimos, "para" expressa causa (motivo que levou a pintar) e "e" expressa tempo (sequência cronológica). É a única alternativa que acerta os dois valores.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Origem e afirmação. O primeiro conectivo não é origem (procedência), é causa. O segundo não é afirmação (ideia de confirmação), é tempo. Erra nas duas partes.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Meio e modo. O primeiro conectivo não é meio (instrumento), é causa. O segundo não é modo (maneira), é tempo. Erra nas duas partes.

Conclusão

A questão testa sua capacidade de ler o contexto e identificar o valor semântico dos conectivos. Lembre-se: conectivos são polissêmicos, e o sentido só se define no uso. Ao se deparar com questões assim, substitua o conectivo por outro de valor conhecido e veja se o sentido se mantém. Isso resolve a maioria dos casos.

Gabarito: letra C.

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