Questão de Português — Orações Subordinadas Adverbiais — VUNESP 2023
Português›Orações Subordinadas Adverbiais
Código
vu184130
Banca
VUNESP
Órgão
PM SP
Ano
2023
Cargo
Alun Of ( )
Há nessa poesia um clima de mistério. A única certeza é de que o mundo não revela o que, efetivamente, é. As grandes experiências estão na proporção direta do desvendamento do mistério. O desejo de exploração do que transcende ao imediato valoriza a intuição como faculdade capaz de permitir a sintonia com o lado obscuro das coisas. A busca desse indefinível torna a expressão indireta e nebulosa. Uma vez que a expressão direta é considerada inapta à captação da essência do ser, proliferam insinuações verbais.
Em síntese, essa poesia caracteriza-se pela concepção mística do mundo; pelo interesse no particular e no individual, em lugar do geral; pelo escapismo em que se aliena da sociedade contemporânea; pelo conhecimento ilógico e intuitivo; pela valorização da arte pela arte; pela utilização da via associativa.
Leia o texto de Lígia Cademartori para responder à questão.
“Uma vez que a expressão direta é considerada inapta à captação da essência do ser, proliferam insinuações verbais.” (1º parágrafo)
Em relação à oração que a sucede, a oração sublinhada expressa ideia de
Acausa.
Bcondição.
Cconcessão.
Dcomparação.
Econsequência.
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GabaritoA — causa.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Orações subordinadas adverbiais: a relação de causa
Gabarito: letra A. A oração sublinhada "Uma vez que a expressão direta é considerada inapta à captação da essência do ser" expressa causa em relação à oração que a sucede ("proliferam insinuações verbais"). A locução conjuntiva "uma vez que" é clássica das orações subordinadas adverbiais causais, e o próprio texto confirma a relação: a expressão direta ser considerada inapta é o motivo pelo qual proliferam insinuações verbais. Como se lê no 1º parágrafo:
"Uma vez que a expressão direta é considerada inapta à captação da essência do ser, proliferam insinuações verbais."
A conjunção "uma vez que" equivale a "já que", "visto que", "porque" — todas introduzem orações causais. A oração subordinada (a causa) vem antes da principal (a consequência), mas a relação semântica é de causa → consequência, não o contrário.
O comando da questão
O enunciado pergunta: "Em relação à oração que a sucede, a oração sublinhada expressa ideia de...". Ou seja, a banca quer que você identifique a relação semântica que a oração sublinhada estabelece com a oração principal. Isso é uma questão de gramática em contexto: não basta decorar a lista de conjunções; é preciso ler o sentido que a conjunção constrói no trecho.
A técnica: conjunção + sentido
Para resolver, siga dois passos:
Identifique a conjunção/locução que inicia a oração sublinhada: "uma vez que".
Lembre do valor semântico dessa locução: ela é causal — indica o motivo, a razão, a causa do que se afirma na oração principal.
Veja o quadro das principais conjunções adverbiais para não confundir:
Tipo
Conjunções típicas
Exemplo
Causal
porque, pois, visto que, já que, uma vez que, como
"Não saiu de casa porque estava chovendo."
Condicional
se, caso, contanto que, desde que
"Se você estudar, passará."
Concessiva
embora, ainda que, mesmo que, conquanto
"Sairá, embora esteja cansado."
Comparativa
como, tal qual, mais... do que
"Ela é mais alta do que eu."
Consecutiva
de modo que, de sorte que, tão... que
"Falou tão baixo que ninguém ouviu."
A pegadinha clássica é confundir causa com consequência. Na frase do texto, a oração sublinhada é a causa; a oração principal é a consequência. Se a banca perguntasse "qual é a consequência?", a resposta seria "proliferam insinuações verbais". Mas a pergunta é sobre a oração sublinhada, que é a causa.
Orações subordinadas adverbiais: Causais (porque, pois, visto que, já que, uma vez que, como); Condicionais (se, caso, desde que); Concessivas (embora, ainda que, mesmo que); Consecutivas (de modo que, tão... que); Comparativas (como, tal qual, mais... do que)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A oração sublinhada é introduzida por "uma vez que", locução conjuntiva causal. Ela expressa a causa de "proliferam insinuações verbais": o fato de a expressão direta ser considerada inapta é o motivo que leva à proliferação de insinuações. O texto confirma: a expressão direta é inapta → logo, proliferam insinuações. A relação é de causa e efeito, e a oração sublinhada é a causa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Condição seria expressa por conjunções como se, caso, desde que — indicaria uma hipótese necessária para que algo ocorra. No trecho, não há hipótese: há um fato (a expressão direta ser considerada inapta) que determina a consequência. A locução "uma vez que" não é condicional; é causal. A banca tenta confundir com a ideia de "uma vez que" no sentido de "se acontecer", mas aqui o sentido é de causa já estabelecida.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Concessão expressa uma ideia de oposição ou ressalva: "embora", "ainda que", "mesmo que". Na concessão, o fato da oração subordinada não impede o fato da principal (ex.: "Embora chova, sairei"). No trecho, não há oposição: a oração sublinhada é a razão da principal, não uma objeção. A relação é de causa, não de concessão.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Comparação seria expressa por como, tal qual, mais... do que — estabelece uma relação de igualdade ou superioridade entre dois termos. No trecho, não há comparação entre dois elementos; há uma relação de causa e efeito. A locução "uma vez que" não tem valor comparativo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Consequência seria expressa por de modo que, de sorte que, tão... que — indica o efeito da oração principal. No trecho, a oração sublinhada é a causa, e a oração principal é a consequência. A banca inverte a relação: se perguntasse "qual é a consequência?", a resposta seria "proliferam insinuações verbais", mas a oração sublinhada é a causa. A alternativa E confunde a direção da relação.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca a relação de causa por consequência, invertendo a direção lógica. Para não cair, pergunte: "o que é o motivo?" e "o que é o efeito?". A oração sublinhada é o motivo.
PEGA ESSA DICA!
Memorize as conjunções causais: porque, pois, visto que, já que, uma vez que, como. Quando aparecer "uma vez que", a relação é de causa, salvo se o contexto indicar outro valor (raro).