Questão de Português — Colocação Pronominal — VUNESP 2023
Português›Colocação Pronominal
Código
vu184149
Banca
VUNESP
Órgão
PM SP
Ano
2023
Cargo
Tec Adm ( )
Mulheres na política reduzem a corrupção, diz estudo do Insper
Lideranças públicas femininas têm até 35% menos chances de se envolverem em casos de corrupção do que as masculinas, enquanto líderes negros propõem três vezes mais leis e políticas públicas dedicadas à inclusão do que os não negros.
Os dados são de um levantamento realizado pelo Núcleo de Estudos Raciais do Insper, a pedido da Fundação Lemann. Os pesquisadores analisaram 95 estudos nacionais e internacionais sobre diversidade de gênero e raça na política e no mercado de trabalho. O levantamento mostra como políticas públicas podem ser mais efetivas quando grupos minoritários estão no poder.
Segundo o líder de equidade racial da Fundação Lemann, “essas evidências são preciosas, no sentido de fazer as pessoas entenderem que ter mulheres e pessoas negras em posições de tomada de decisão é uma necessidade da nossa sociedade.”
De acordo com o levantamento do Insper, a eleição de mulheres para cargos políticos repercute na redução da corrupção e do clientelismo nos postos do poder Executivo municipal.
A relação entre representação feminina e menores níveis de corrupção já havia sido relatada por um outro levantamento que avaliou mais de 100 países em 2001.
Ainda segundo a pesquisa do Insper, mulheres em cargos de liderança política tendem a investir até 7% a mais do que homens em bens públicos como saúde e educação, diminuir em até 24% a mortalidade infantil.
Líderes do sexo feminino apresentam maior preocupação em promover propostas e ações relacionadas à saúde voltadas a mulheres e crianças quando estão em legislaturas estaduais. Isso melhora a qualidade dos serviços de saúde pré-natal e infantil nos distritos onde são eleitas.
Já pessoas negras eleitas tendem a propor o triplo de leis e políticas públicas dedicadas à inclusão do que lideranças não negras.
Políticos negros também são mais propensos a responder à população, mesmo quando não houver possibilidade de ganho político, enquanto não negros tendem a responder menos quando não percebem vantagens envolvidas. Quando uma mulher se elege à prefeitura, um número maior de adolescentes do sexo feminino se registra para votar na eleição seguinte, mesmo que o voto seja facultativo. Se essas candidatas sofrerem uma derrota, o efeito é o contrário.
(Folha de S.Paulo, 20 de agosto de 2023. Adaptado)
Leia o texto para responder à questão. A expressão em destaque está substituída nos parênteses em conformidade com a norma-padrão em:
A... no sentido de fazerem as pessoas entenderem... (fazerem-las) – 3o parágrafo.
C... apresentam maior preocupação em promover propostas e ações... (promove-la) – 7o parágrafo.
D... um outro levantamento que avaliou mais de 100 países em 2001. (avaliou-os) – 5o parágrafo.
E... mesmo quando não houver possibilidade de ganho político... (a houver) – 9o parágrafo.
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GabaritoE — ... mesmo quando não houver possibilidade de ganho político... (a houver) – 9o parágrafo.
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Colocação pronominal: substituição de expressões por pronomes oblíquos
Gabarito: letra E. A única substituição em conformidade com a norma-padrão é "a houver", pois o pronome oblíquo átono "a" retoma corretamente o substantivo feminino "possibilidade" (termo antecedente), e a próclise é obrigatória porque a oração é introduzida pela conjunção subordinativa temporal "quando", palavra atrativa que exige o pronome antes do verbo. Como se lê no 9º parágrafo: "mesmo quando não houver possibilidade de ganho político" — a substituição por "quando a houver" preserva o sentido e obedece à regra de próclise.
A questão cobra colocação pronominal aplicada à substituição de expressões por pronomes oblíquos átonos (o, a, os, as, lhe, lhes). O comando pede a alternativa em que a troca está "em conformidade com a norma-padrão", ou seja, exige que o candidato verifique dois critérios simultaneamente: (1) a correção gramatical da forma pronominal escolhida (gênero, número e função sintática) e (2) a posição correta do pronome em relação ao verbo (próclise, ênclise ou mesóclise). Não basta o pronome "fazer sentido" — ele precisa respeitar as regras de colocação e de referência.
O texto-base é uma reportagem sobre diversidade na política. Para esta questão, o que importa não é o conteúdo temático, mas os trechos específicos indicados em cada alternativa. A banca selecionou cinco passagens e propôs uma substituição pronominal para cada uma. O candidato deve, em cada caso, identificar o referente (o termo que o pronome substitui) e verificar se a forma e a posição do pronome estão corretas.
A colocação pronominal na norma-padrão segue três posições: próclise (pronome antes do verbo), ênclise (pronome depois do verbo) e mesóclise (pronome no meio do verbo, apenas com futuros do presente e do pretérito). A próclise é obrigatória quando há palavras atrativas antes do verbo: conjunções subordinativas (que, se, quando, embora), palavras negativas (não, nunca, jamais), advérbios (sempre, talvez, já), pronomes relativos (que, o qual, cujo), pronomes indefinidos (algo, ninguém, tudo) e pronomes interrogativos. A ênclise é usada quando não há palavra atrativa, especialmente no início de orações. A mesóclise é restrita a verbos no futuro do presente e no futuro do pretérito, sem palavra atrativa.
No caso da alternativa E, a oração "mesmo quando não houver possibilidade de ganho político" contém a conjunção subordinativa "quando", que atrai o pronome para antes do verbo. Além disso, o pronome "a" substitui "possibilidade" (substantivo feminino singular), funcionando como objeto direto de "houver". A forma "a houver" está correta: pronome feminino singular + verbo "houver" no futuro do subjuntivo. A posição proclítica é obrigatória pela presença de "quando".
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura dois critérios: a correção da forma pronominal (gênero/número) e a posição do pronome (próclise/ênclise). O candidato pode acertar um e errar o outro. Por exemplo, na alternativa A, "fazerem-las" está com a forma errada (faltou o "-las" após "fazerem"), mas a posição ênclise até seria aceitável com infinitivo. Já na alternativa B, "analisaram-los" está com a forma errada (deveria ser "analisaram-nos"), mas a posição ênclise está correta. A alternativa E acerta os dois critérios.
PEGA ESSA DICA!
Ao substituir uma expressão por pronome oblíquo, verifique primeiro o gênero e o número do referente (o/a, os/as) e a função sintática (objeto direto = o/a/os/as; objeto indireto = lhe/lhes). Depois, verifique se há palavra atrativa antes do verbo (conjunção, advérbio, pronome relativo, palavra negativa) — se houver, use próclise. Só use ênclise se não houver atrativa e o verbo não estiver no futuro.
Alternativa
Substituição proposta
Referente
Forma do pronome
Posição (próclise/ênclise)
Correção
A
"fazerem-las"
"as pessoas"
❌ Incorreta (deveria ser "fazerem-nas"; além disso, "as pessoas" é sujeito, não objeto direto)
Ênclise (aceitável com infinitivo)
❌ Incorreta
B
"analisaram-los"
"95 estudos"
❌ Incorreta (deveria ser "analisaram-nos")
Ênclise (correta, sem palavra atrativa)
❌ Incorreta
C
"promove-la"
"propostas e ações"
❌ Incorreta (deveria ser "promovê-las"; plural e com acento)
Ênclise (aceitável com infinitivo)
❌ Incorreta
D
"avaliou-os"
"mais de 100 países"
✅ Correta ("os" masculino plural)
❌ Incorreta (deveria ser próclise: "que os avaliou", pois há pronome relativo "que")
❌ Incorreta
E
"a houver"
"possibilidade"
✅ Correta ("a" feminino singular)
✅ Correta (próclise obrigatória pela conjunção "quando")
✅ Correta — Gabarito
Alternativa A — ❌ Incorreta
A substituição proposta é "fazerem-las" para "fazerem as pessoas entenderem". O pronome "las" é a forma combinada de "as" após verbo terminado em -r, -s, -z (fazerem + as = fazerem-nas, não fazerem-las). A forma correta seria "fazerem-nas". Além disso, o pronome "as" substituiria "as pessoas" (objeto direto), mas a construção "fazer as pessoas entenderem" tem "as pessoas" como sujeito do infinitivo "entenderem", não como objeto direto de "fazer". A substituição por pronome oblíquo átono não é adequada aqui, pois "as pessoas" exerce função de sujeito. A alternativa erra tanto na forma (deveria ser "-nas") quanto na função sintática.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A substituição proposta é "analisaram-los" para "analisaram 95 estudos". O pronome "los" é a forma combinada de "os" após verbo terminado em -r, -s, -z (analisaram + os = analisaram-nos, não analisaram-los). A forma correta seria "analisaram-nos". A posição ênclise está correta (não há palavra atrativa antes do verbo), mas a forma pronominal está errada. A alternativa erra na forma do pronome.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A substituição proposta é "promove-la" para "promover propostas e ações". O pronome "la" é a forma combinada de "a" após verbo terminado em -r, -s, -z (promover + a = promovê-la, não promove-la). A forma correta seria "promovê-la" (com acento agudo no "e" para indicar a vogal tônica). Além disso, "propostas e ações" é plural, então o pronome deveria ser "as" (promovê-las), não "a". A alternativa erra tanto na forma (faltou o acento e a combinação correta) quanto no número do pronome.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A substituição proposta é "avaliou-os" para "avaliou mais de 100 países". O pronome "os" está correto em gênero e número (países = masculino plural), e a posição ênclise está correta (não há palavra atrativa antes do verbo). No entanto, a forma "avaliou-os" está correta? Sim, pois o verbo "avaliou" termina em -u (não em -r, -s, -z), então o pronome "os" permanece "os", não vira "los" nem "nos". A forma "avaliou-os" está gramaticalmente correta. Por que a alternativa está incorreta? Porque o pronome "os" substitui "mais de 100 países", que é objeto direto, e a posição ênclise está correta. Na verdade, esta alternativa parece correta. Vamos reavaliar: o trecho original é "um outro levantamento que avaliou mais de 100 países em 2001". A substituição por "avaliou-os" seria: "um outro levantamento que avaliou-os em 2001". Aqui, o pronome "os" está em ênclise, mas há uma palavra atrativa antes: o pronome relativo "que". O pronome relativo "que" atrai próclise, então o correto seria "que os avaliou". A alternativa erra na posição do pronome: deveria ser próclise ("que os avaliou"), não ênclise ("avaliou-os").
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A substituição proposta é "a houver" para "houver possibilidade". O pronome "a" substitui "possibilidade" (substantivo feminino singular), funcionando como objeto direto de "houver". A oração é "mesmo quando não houver possibilidade de ganho político". A substituição fica: "mesmo quando não a houver". A conjunção subordinativa "quando" atrai próclise, então o pronome deve vir antes do verbo: "quando a houver". A forma "a" está correta (feminino singular), e a posição proclítica é obrigatória. A alternativa está em conformidade com a norma-padrão.
Conclusão: a questão testa dois critérios simultâneos: a forma do pronome (gênero, número e combinação com o verbo) e a posição (próclise/ênclise). A alternativa E é a única que acerta ambos: "a" substitui "possibilidade" corretamente e a próclise é obrigatória pela conjunção "quando". As demais erram na forma (A, B, C) ou na posição (D).