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Questão de Português — Crase — VUNESP 2023

PortuguêsCrase
Código
vu184158
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Taubaté
Ano
2023
Cargo
Ana Tec (Taubaté)

Projeto musical faz shows secretos em SP

 

“É muito raro isso aqui”, diz a cantora Marina Melo em frente a um público de cerca de cem pessoas em São Paulo. “Um monte de gente sentada no chão, sem saber exatamente o que vai escutar, disposta a ficar em silêncio e a ouvir”.

 

O espaço do palco é delimitado apenas por um tapete e um pedestal de microfone com luzinhas enroladas. A localização é um estúdio na zona oeste da capital, mas poderia ser qualquer outro canto — isso ajuda a resumir o Tranquilo, projeto musical mineiro que desembarcou em São Paulo e acontece nas noites de segunda-feira, mas nunca no mesmo lugar.

 

Funciona assim: aos domingos, o perfil no Instagram do Tranquilo publica uma enquete. Quem responde recebe por mensagem a localização e os detalhes dos shows marcados para o dia seguinte. A escalação de artistas – sempre representantes da música independente e autoral – só é liberada na segunda-feira e o lineup1 não se repete.

 

O projeto começou no quintal da casa do músico Thales Silva, que se sentia sem horizontes após lançar um álbum e não conseguir fazer o trabalho circular. “O artista independente não consegue furar algumas bolhas porque existem panelas que não se abrem. É como se você tivesse que expandir seu público sem ter oportunidades”, ele afirma. “Então eu criei o evento pensando nesses artistas que têm qualidade, mas que, se não acharem um palco, vão ficar eternamente parados.”

 

Durante as apresentações, em formato de pocket show2 e que elegem a diversidade como prioridade, o público recebe a letra de algumas composições. A localização escondida também gera curiosidade. Neste ano, o público chegou a 1 200 pessoas em Belo Horizonte.

 

Além de estimular a cena musical independente, o projeto se tornou uma espécie de celeiro de novos artistas com o momento “Olho no Olho”, que encerra as noites de shows com pessoas da plateia mostrando canções próprias.

 

(Laura Lewer. https://guia.folha.uol.com.br/shows/2023/03/conheca-o-tranquilo-projeto-musical-que-faz-shows-quase-secretos-em-sp.shtml. Publicado em 17.03.2023. Adaptado.)

 

1lineup: lista, sequência.

2pocket show: apresentação de curta duração.

Leia o texto para responder à questão.

   

O sinal indicativo de crase está corretamente empregado na frase da alternativa:

  1. AAqueles que dão retorno às mensagens do grupo ficam à par da localização e dos detalhes do show.
  2. BO projeto quer dar suporte à artistas que foram deixados à própria sorte, pois não receberam apoio de gravadoras.
  3. CNo que compete às apresentações do projeto, às quais se atribui marca independente e autoral, elas são muito diversificadas.
  4. DDevido à essa face inovadora do projeto Tranquilo, o público de Belo Horizonte chegou à 1 200 pessoas.
  5. ECom vista à prestigiar a plateia, há o momento “Olho no Olho”, aberto à quem queira se arriscar no palco.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — No que compete às apresentações do projeto, às quais se atribui marca independente e autoral, elas são muito diversificadas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase: a fusão da preposição "a" com o artigo/pronome "a"

Gabarito: letra C. A única frase em que o sinal indicativo de crase está corretamente empregado é a da alternativa C, pois há a fusão da preposição "a" (exigida pelo verbo "atribuir": quem atribui, atribui algo a alguém) com o artigo feminino "as" que antecede o pronome relativo "quais" ("às quais"). Nas demais, ou falta a preposição, ou há crase diante de palavra masculina, de verbo, de pronome pessoal ou de numeral — casos em que a crase é proibida.

A questão pede que se identifique a frase em que o acento grave foi usado corretamente. Isso não é uma questão de interpretação de texto, mas de aplicação da regra de crase em frases construídas a partir do tema do texto. O comando é direto: "O sinal indicativo de crase está corretamente empregado na frase da alternativa". Portanto, não se trata de inferir nada do texto, mas de analisar cada frase sob a ótica da norma-padrão.

A crase é a fusão de duas vogais idênticas: a preposição "a" + o artigo feminino "a(s)" ou + o "a" inicial de pronomes demonstrativos (aquele, aquela, aquilo) e relativos (a qual, as quais). Para saber se há crase, é preciso verificar se o termo regente exige a preposição "a" e se o termo regido (feminino) admite o artigo "a". Se um dos dois faltar, não há crase.

A alternativa C é a correta porque o verbo "atribuir" é transitivo direto e indireto: quem atribui, atribui algo a alguém. No trecho, "às quais" retoma "apresentações" (termo feminino plural), e a preposição "a" (exigida pelo verbo) funde-se com o artigo "as" (que acompanha o pronome relativo "quais"). Veja a estrutura: "atribui-se marca independente e autoral a + as apresentações" = "às quais". A crase é obrigatória.

As demais alternativas apresentam erros clássicos de crase proibida:

  • A) "ficam à par" — "par" é palavra masculina (o par), logo não há artigo feminino "a" para fundir com a preposição. O correto é "a par" (sem crase).

  • B) "dar suporte à artistas" — "artistas" é palavra feminina, mas está no plural sem artigo definido (não se diz "as artistas" de forma genérica). Sem artigo, não há crase. O correto é "a artistas".

  • D) "Devido à essa" — antes de pronome demonstrativo "essa", não se usa artigo. A preposição "a" (exigida por "devido") não se funde com nada, então o correto é "devido a essa". Além disso, "chegou à 1 200 pessoas" — antes de numeral, não há artigo, logo não há crase; o correto é "chegou a 1 200 pessoas".

  • E) "Com vista à prestigiar" — antes de verbo, a crase é proibida. O correto é "com vista a prestigiar". E "aberto à quem" — "quem" é pronome relativo que nunca aceita crase; o correto é "aberto a quem".

Crase (fusão a + a)
  • 1Casos obrigatórios
    • Antes de palavra feminina com artigo
    • Antes de "aquele(a)", "aquilo"
    • Antes de "a qual", "as quais"
  • 2Casos proibidos
    • Antes de palavra masculina
    • Antes de verbo
    • Antes de pronome pessoal
    • Antes de pronome demonstrativo ("essa")
    • Antes de numeral
    • Antes de "quem"
  • 3Teste da troca
    • Trocar por palavra masculina
    • Aparece "ao" → há crase
    • Não aparece → sem crase
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Aqueles que dão retorno às mensagens do grupo ficam à par da localização e dos detalhes do show."

O erro está em "à par". A palavra "par" é um substantivo masculino (o par), portanto não admite o artigo feminino "a". Sem artigo, não há fusão com a preposição "a" (que aqui faz parte da locução "a par de"). O correto é "a par", sem acento grave. A banca tenta confundir com locuções femininas como "à toa", mas "par" não é feminino.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"O projeto quer dar suporte à artistas que foram deixados à própria sorte, pois não receberam apoio de gravadoras."

Dois problemas: (1) "à artistas" — a palavra "artistas" está no plural sem artigo definido (não se diz "as artistas" de forma genérica). Sem artigo, não há crase. O correto é "a artistas". (2) "à própria sorte" — aqui a crase é correta, pois "sorte" é feminino e admite artigo ("a própria sorte"), e a locução "à própria sorte" é uma locução adverbial feminina. Mas como a frase contém um erro, a alternativa inteira é incorreta.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"No que compete às apresentações do projeto, às quais se atribui marca independente e autoral, elas são muito diversificadas."

A crase em "às apresentações" é correta: o verbo "competir" exige preposição "a" (quem compete, compete a algo) e "apresentações" é feminino plural com artigo "as". A crase em "às quais" também é correta: o verbo "atribuir" exige preposição "a" (quem atribui, atribui algo a alguém) e o pronome relativo "quais" é antecedido pelo artigo "as". A fusão "a + as" = "às" é obrigatória.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Devido à essa face inovadora do projeto Tranquilo, o público de Belo Horizonte chegou à 1 200 pessoas."

Dois erros: (1) "à essa" — antes do pronome demonstrativo "essa", não se usa artigo. A preposição "a" (exigida por "devido") fica sozinha: "devido a essa". (2) "chegou à 1 200 pessoas" — antes de numeral, não há artigo feminino "a" para fundir com a preposição. O correto é "chegou a 1 200 pessoas".

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Com vista à prestigiar a plateia, há o momento 'Olho no Olho', aberto à quem queira se arriscar no palco."

Dois erros: (1) "à prestigiar" — antes de verbo no infinitivo, a crase é proibida. O correto é "com vista a prestigiar". (2) "aberto à quem" — o pronome relativo "quem" nunca aceita crase. O correto é "aberto a quem".

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura casos de crase obrigatória com casos de crase proibida. A alternativa C é a única que apresenta a fusão correta da preposição com o artigo/pronome. As demais erram ao colocar crase antes de palavra masculina (A), de palavra sem artigo (B), de pronome demonstrativo e numeral (D) e de verbo e pronome relativo (E).

PEGA ESSA DICA!

Para testar a crase, substitua a palavra feminina por uma masculina. Se aparecer "ao", há crase; se aparecer "ao" sem sentido, não há. Ex.: "às apresentações" → "aos shows" (aparece "ao", logo há crase). "à par" → "ao par" (não faz sentido, logo não há crase).

Gabarito: letra C. A crase é a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a(s)" ou com o "a" de pronomes. Para acertar, verifique sempre se o termo regente exige a preposição e se o termo regido admite o artigo. Se um dos dois faltar, não há crase.

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