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Questão de Português — Sinônimos e Antônimos — VUNESP 2023

PortuguêsSinônimos e Antônimos
Código
vu184181
Banca
VUNESP
Órgão
PC SP
Ano
2023
Cargo
Inv Pol ( )
A fuga da autoridade adulta

       Eu estava falando em uma conferência em Nova Iorque durante o verão de 2016 quando descobri o termo “adultar”. Tomava um drinque em um bar quando vi um jovem na casa dos 30 usando uma camiseta que dizia “Chega de adultar por hoje”. Depois, entrevistei uma mulher cuja camiseta transmitia uma mensagem simples: “Adultar é cruel!”.
       Caso você não esteja familiarizado com a palavra, adaptada do inglês “adulting”, adultar é definido como “a prática de se comportar do modo característico de um adulto responsável, especialmente na realização de tarefas mundanas, mas necessárias”. A palavra é usada para transmitir uma conotação negativa em relação às responsabilidades associadas à vida adulta. E sugere que, dada a oportunidade, qualquer mulher ou homem sensato na casa dos 30 preferiria não adultar, e evitar o papel de um adulto.
          A tendência de retratar a vida adulta como uma conquista excepcionalmente difícil que precisa ser ensinada coexiste com uma sensação palpável de desencanto com o status de adulto. Em tudo além do nome a vida adulta se tornou desestabilizada, a ponto de ter se tornado alvo de escárnio e, para muitos, uma identidade indesejada. Não surpreende que adultar seja uma atividade que muitos indivíduos biologicamente maduros só estejam preparados para desempenhar em tempo parcial.
         O corolário da idealização do adultamento em regime parcial é o desmantelamento da autoridade adulta. O impacto corrosivo da perda da autoridade adulta no desenvolvimento dos jovens foi uma grande preocupação para a filósofa política Hannah Arendt. Escrevendo nos anos 1950, Arendt chamou atenção para o “colapso gradual da única forma de autoridade” que existiu em “todas as sociedades conhecidas historicamente: a autoridade dos pais sobre filhos, dos professores sobre os alunos e, em geral, dos mais velhos sobre os mais novos”. Setenta anos depois, a desautorização da vida adulta se tornou amplamente celebrada na cultura popular ocidental. Em vez de se preocupar com as consequências da erosão da autoridade adulta, esse desenvolvimento é visto como positivo por partes da mídia, que acreditam que pessoas crescidas têm muito pouco a ensinar às crianças.

(Frank Furedi, revistaoeste.com. 24.07.2020. Adaptado)
Leia o texto, para responder à questão.     Assinale a alternativa em que há analogia de sentido entre a palavra destacada e as que a seguem.
  1. ACruel – cru e crueza.
  2. BEscárnio – escarnecer e esbulho.
  3. CHomem – homérico e homicídio.
  4. DAutoridade – alteridade e autoritarismo.
  5. EAdultar – adulterar e adultério.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Cruel – cru e crueza.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Analogia de sentido: derivação por sufixação

Gabarito: letra A. A questão pede a alternativa em que a palavra destacada mantém analogia de sentido com as que a seguem — ou seja, as três palavras devem compartilhar o mesmo radical e, por isso, pertencer à mesma família etimológica, com sentido derivado da mesma base. Isso ocorre apenas em A) Cruel – cru e crueza: todas derivam do latim crudelis/crudus, com o sentido comum de "crueldade, dureza, falta de brandura". As demais alternativas apresentam falsos cognatos — palavras que se parecem na grafia, mas têm origens e sentidos distintos.

A banca VUNESP, nesta questão, não cobra interpretação do texto em si, mas semântica vocabular: a capacidade de reconhecer a relação de derivação entre palavras. O texto-base serve apenas como contexto de leitura — a palavra "cruel" aparece na camiseta citada no 1º parágrafo ("Adultar é cruel!"), mas a resposta se resolve pelo conhecimento lexical, não pelo conteúdo do texto.

O comando: o que a banca pede

O enunciado "Assinale a alternativa em que há analogia de sentido entre a palavra destacada e as que a seguem" exige que você identifique, entre as opções, aquela em que a palavra em destaque e as duas seguintes compartilham o mesmo radical e, portanto, têm sentidos derivados da mesma base. Não se trata de sinônimos (palavras diferentes com sentido próximo), nem de antônimos (sentidos opostos), mas de palavras da mesma família — o que chamamos de derivação ou família etimológica.

A técnica: como reconhecer a analogia de sentido

A analogia de sentido ocorre quando palavras derivam do mesmo radical e, por isso, carregam um núcleo de significado comum. Para resolver, você deve:

  1. Identificar o radical da palavra destacada (a parte que carrega o sentido básico).

  2. Verificar se as palavras seguintes compartilham esse mesmo radical.

  3. Descartar as opções em que a semelhança é apenas gráfica ou sonora (parônimos ou homônimos), mas não etimológica.

Aplicando às alternativas:

Alternativa

Palavra destacada

Palavras seguintes

Mesmo radical?

Veredito

A

Cruel

cru, crueza

Sim — todas de crud-

✅ Correta

B

Escárnio

escarnecer, esbulho

Nãoesbulho tem outra origem

❌ Incorreta

C

Homem

homérico, homicídio

Nãohomérico vem de Homero

❌ Incorreta

D

Autoridade

alteridade, autoritarismo

Nãoalteridade vem de alter

❌ Incorreta

E

Adultar

adulterar, adultério

Nãoadulterar vem de adulter-

❌ Incorreta

Análise das alternativas

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Cruel, cru e crueza formam uma família etimológica perfeita: todas derivam do latim crudelis (cruel) e crudus (cru, duro, que não amadureceu). O radical crud- (que evolui para cru- em português) carrega o sentido de "dureza, aspereza, falta de brandura". Veja:

  • Cruel: que causa sofrimento, desumano.

  • Cru: que está no estado natural, sem preparo; também "duro, severo" (sentido figurado).

  • Crueza: qualidade do que é cru; também "crueldade, dureza" (sentido figurado).

As três compartilham o mesmo radical e, portanto, há analogia de sentido — exatamente o que o enunciado pede.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Escárnio (zombaria, desprezo) e escarnecer (zombar, ridicularizar) formam uma família: ambas vêm do germânico skernjan (zombar). Porém, esbulho (ato de esbulhar, tomar à força, espoliar) tem origem completamente diferente — vem do latim spolium (despojo, butim). A semelhança gráfica com "escárnio" é mera coincidência; esbulho é um falso cognato aqui. A alternativa tangencia o tema ao incluir uma palavra que não pertence à mesma família.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Homem vem do latim homo (ser humano). Homicídio também vem de homo + caedere (matar) — mesma raiz. Porém, homérico (relativo a Homero, o poeta grego; ou "grandioso, épico") deriva do nome próprio Homero (grego Homeros), não de homo. A semelhança é apenas gráfica; homérico é um falso cognato em relação a "homem". A alternativa troca o conceito ao incluir uma palavra de origem distinta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Autoridade e autoritarismo compartilham o radical autor- (do latim auctor, aquele que faz crescer, que cria). Porém, alteridade (qualidade do que é outro, do latim alter, outro) tem radical diferentealter-. A semelhança com "autoridade" é apenas aparente; alteridade é um falso cognato aqui. A alternativa extrapola ao incluir uma palavra que não pertence à mesma família.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Adultar (neologismo do inglês adulting, comportar-se como adulto responsável) deriva de adulto (latim adultus, particípio de adolescere, crescer). Adultério (infidelidade conjugal) e adulterar (falsificar, corromper) vêm do latim adulterare, que tem origem distinta — provavelmente de ad + alter (ir para o outro lado, desviar-se). A semelhança gráfica é enganosa; adulterar e adultério são falsos cognatos em relação a "adultar". A alternativa troca o conceito ao incluir palavras de outra família etimológica.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a semelhança gráfica entre palavras de origens diferentes (parônimos e falsos cognatos). A armadilha está em escolher uma alternativa em que as palavras parecem da mesma família, mas não são — como "adultar" e "adulterar", que se escrevem quase iguais, mas vêm de radicais distintos.

PEGA ESSA DICA!

Para resolver questões de analogia de sentido, identifique o radical da palavra destacada e verifique se as demais compartilham o mesmo radical — não apenas a mesma grafia ou sonoridade. Desconfie de palavras que se parecem, mas têm origens diferentes.

Gabarito: letra A. A única alternativa em que há analogia de sentido é a que apresenta palavras da mesma família etimológicacruel, cru e crueza —, todas derivadas do mesmo radical crud-. As demais caem na armadilha dos falsos cognatos, que confundem semelhança gráfica com parentesco semântico.

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