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Questão de Português — Questões Mescladas de Sintaxe — VUNESP 2023

PortuguêsQuestões Mescladas de Sintaxe
Código
vu184225
Banca
VUNESP
Órgão
TRF 3
Ano
2023
Cargo
AJ TRF3

Minha empregada, Mme. Thérèse, que já ia se conformando em ser chamada de dona Teresa, caiu doente. Mandou- me um bilhete com a letra meio trêmula, falando em reumatismo. Dias depois apareceu, mas magra, mais pálida e menor; explicou-me que tudo fora consequência de uma corrente de ar. Que meu apartamento tem um courant d’air terrível, de tal modo que,   aquela tarde     , chegando em casa, nem teve coragem de tirar a roupa, caiu na cama. “Dói-me o corpo inteiro, senhor; o corpo inteiro.”

 

O mesmo caso, ajuntou, houve cerca de 15 anos atrás, quando trabalhava em um apartamento que tinha uma corrente de ar exatamente igual   à      essa de que hoje sou sublocatário. Fez uma pausa. Fungou. Contou o dinheiro que eu lhe entregava, agradeceu     à    dispensa do troco. Foi lá dentro apanhar umas pobres coisas que deixara. Entregou-me a chave, fez qualquer observação sobre o aquecedor    à     gás – e depois, no lugar de sair   a      rua, deixou-se ficar imóvel e calada, de pé, em minha frente.

 

(Rubem Braga, “Dona Teresa”. 200 crônicas escolhidas. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.   Nos enunciados reescritos a partir das informações do texto, a colocação pronominal e a regência atendem à norma-padrão em:
  1. ADona Teresa me contou que, há cerca de 15 anos atrás, tinha exposto-se em uma corrente de ar em um outro apartamento.
  2. BNão fosse a corrente de ar que lhe acometera, Mme. Thérèse já teria-se conformado em ser chamada de dona Teresa.
  3. CEu entreguei o dinheiro a dona Teresa, ela contou-o. Depois foi lá dentro apanhar umas pobres coisas que se esquecera.
  4. DQuando voltou, Mme. Thérèse informou-me de que sua debilidade era proveniente de uma corrente de ar no meu apartamento.
  5. EDona Teresa certamente vira-se abalada com a corrente de ar, pois veio no meu apartamento magra, mais pálida e menor.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Quando voltou, Mme. Thérèse informou-me de que sua debilidade era proveniente de uma corrente de ar no meu apartamento.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colocação pronominal e regência na reescritura

Gabarito: letra D. A única reescritura que atende à norma-padrão tanto na colocação pronominal quanto na regência é a D: o pronome oblíquo "me" aparece em próclise corretamente após a conjunção temporal "Quando" (fator de atração), e o verbo "informar" está com a regência adequada — "informar alguém de que" —, exatamente como exige a norma culta. As demais alternativas erram ora na colocação do pronome (ênclise indevida após palavra atrativa), ora na regência (uso de preposição inadequada ou ausência dela).

O comando da questão

O enunciado pede que você identifique a reescritura que atende à norma-padrão quanto a dois aspectos simultâneos: colocação pronominal (próclise, ênclise, mesóclise) e regência (verbal e nominal). Isso significa que cada alternativa deve ser testada em dois pontos: (1) a posição do pronome oblíquo átono em relação ao verbo; (2) a preposição exigida pelo verbo ou pelo nome. Não basta a frase "soar bem" — é preciso aplicar as regras.

O texto e o que ele autoriza

O texto narra a visita de Mme. Thérèse, que explica sua doença como consequência de uma corrente de ar no apartamento do narrador. As reescrituras devem preservar o sentido do texto, mas o foco da questão é gramatical: a correção sintática. Veja o trecho que sustenta a alternativa D:

"Dias depois apareceu, mas magra, mais pálida e menor; explicou-me que tudo fora consequência de uma corrente de ar."

A alternativa D parafraseia exatamente essa passagem: "Quando voltou, Mme. Thérèse informou-me de que sua debilidade era proveniente de uma corrente de ar no meu apartamento." A informação é a mesma — a doença veio da corrente de ar — e a construção sintática está correta.

A técnica que decide: colocação pronominal e regência

Colocação pronominal — o pronome oblíquo átono (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos) pode aparecer em três posições: próclise (antes do verbo), ênclise (depois do verbo) e mesóclise (no meio do verbo no futuro do presente ou do pretérito). A regra geral: não se inicia frase com pronome oblíquo átono; por isso, em início de frase, usa-se ênclise (ex.: "Diga-me"). Porém, certas palavras atraem o pronome para antes do verbo (próclise): palavras negativas (não, nunca, jamais), advérbios (aqui, sempre, talvez), pronomes relativos (que, quem, o qual), pronomes indefinidos (algo, ninguém, tudo), pronomes demonstrativos (isto, isso, aquilo) e conjunções subordinativas (quando, se, porque, embora, como).

Regência verbal — é a relação de dependência entre o verbo e seus complementos. Cada verbo exige uma preposição específica. O verbo informar é bitransitivo: exige objeto direto (a pessoa) e objeto indireto (a coisa), podendo ser construído como "informar alguém de que" ou "informar alguém sobre algo". A norma culta aceita "informar alguém de que" — é exatamente o que a alternativa D faz.

Regência nominal — alguns nomes também exigem preposição. Por exemplo, "proveniente de" (origem), "debilidade de" (causa). A alternativa D usa "proveniente de uma corrente de ar" — correto.

A pegadinha da banca

A banca mistura dois erros clássicos: colocação pronominal e regência. Muitas alternativas erram em um dos dois, e o candidato desatento marca a primeira que "soa bem". O truque é testar cada alternativa nos dois critérios, separadamente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre próclise e ênclise após palavras atrativas (como "que" e "quando") e a regência de verbos como "informar" e "esquecer".

Análise das alternativas

Colocação pronominal
  • 1Próclise (antes do verbo)
    • Palavras atrativas
      • Negativas (não, nunca)
      • Advérbios (já, certamente)
      • Pronomes relativos (que)
      • Conjunções subordinativas (quando, se)
  • 2Ênclise (depois do verbo)
    • Início de frase
    • Sem palavra atrativa
  • 3Mesóclise (futuro do presente/pretérito)
  • 4Regência
    • Verbal
      • Informar alguém de que
      • Conformar-se com
      • Esquecer-se de
      • Vir a algum lugar
    • Nominal
      • Proveniente de
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Dona Teresa me contou que, há cerca de 15 anos atrás, tinha exposto-se em uma corrente de ar em um outro apartamento."

Erro de colocação pronominal: o pronome "se" aparece em ênclise ("exposto-se") após o verbo "tinha exposto", mas há um fator de atração — a palavra "que" (conjunção integrante) atrai o pronome para antes do verbo. O correto seria "tinha se exposto". Além disso, há um vício de linguagem: "há cerca de 15 anos atrás" é redundante — ou se usa "há cerca de 15 anos" ou "cerca de 15 anos atrás", nunca os dois juntos. Erro: troca de colocação (ênclise indevida) e redundância.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Não fosse a corrente de ar que lhe acometera, Mme. Thérèse já teria-se conformado em ser chamada de dona Teresa."

Erro de colocação pronominal: o pronome "se" aparece em ênclise ("teria-se") após o verbo "teria conformado", mas há um fator de atração — a palavra "já" (advérbio) atrai o pronome para antes do verbo. O correto seria "já se teria conformado". Além disso, a regência de "conformar-se" exige a preposição "com" (conformar-se com algo), e a alternativa usa "em". Erro: troca de colocação (ênclise indevida) e regência nominal inadequada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Eu entreguei o dinheiro a dona Teresa, ela contou-o. Depois foi lá dentro apanhar umas pobres coisas que se esquecera."

Erro de colocação pronominal: o pronome "o" aparece em ênclise ("contou-o") após o verbo "contou", mas há um fator de atração — a palavra "ela" (pronome pessoal reto) atrai o pronome para antes do verbo. O correto seria "ela o contou". Além disso, a regência de "esquecer-se" exige a preposição "de" (esquecer-se de algo), e a alternativa usa "que" sem a preposição. O correto seria "que de que se esquecera" ou "que se esquecera de". Erro: troca de colocação (ênclise indevida) e regência verbal inadequada.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Quando voltou, Mme. Thérèse informou-me de que sua debilidade era proveniente de uma corrente de ar no meu apartamento."

Colocação pronominal correta: o pronome "me" aparece em ênclise ("informou-me") porque não há palavra atrativa antes do verbo — "Quando voltou" é uma oração subordinada adverbial temporal, mas o verbo "informou" está em outra oração, sem atrator imediato. A norma culta aceita "informou-me" aqui. Regência correta: o verbo "informar" exige objeto indireto com a preposição "de" (informar alguém de que), e a alternativa usa exatamente isso. Regência nominal correta: "proveniente de" (origem) está correto. A frase preserva o sentido do texto: a debilidade veio da corrente de ar.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Dona Teresa certamente vira-se abalada com a corrente de ar, pois veio no meu apartamento magra, mais pálida e menor."

Erro de colocação pronominal: o pronome "se" aparece em ênclise ("vira-se") após o verbo "vira", mas há um fator de atração — a palavra "certamente" (advérbio) atrai o pronome para antes do verbo. O correto seria "certamente se vira". Além disso, a regência de "vir" exige a preposição "a" (vir a algum lugar), e a alternativa usa "no" (em + o). O correto seria "veio ao meu apartamento". Erro: troca de colocação (ênclise indevida) e regência verbal inadequada.

Conclusão

A alternativa D é a única que atende simultaneamente aos dois critérios: colocação pronominal (ênclise correta sem atrator) e regência (verbal e nominal adequadas). As demais erram por ênclise indevida após palavra atrativa ou por regência inadequada. Lembre-se: teste cada alternativa nos dois critérios, separadamente, e desconfie de "soa bem" — a norma-padrão é técnica, não intuitiva.

Gabarito: letra D

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