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Questão de Português — Colocação Pronominal — VUNESP 2023

PortuguêsColocação Pronominal
Código
vu184246
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Guararema
Ano
2023
Cargo
Aux ( )

Cuidado com a automedicação

 

A automedicação é uma das práticas mais comuns no Brasil. Uma pesquisa do Conselho Federal de Farmácia (CFF), divulgada em 2019, apurou que 77% dos brasileiros têm esse hábito e que quase a metade da população brasileira (47%) se automedica ao menos uma vez por mês. Muitos motivos levam as pessoas a usarem medicamentos sem antes passar por uma consulta médica. As propagandas pela internet com promessas de remédios milagrosos é um deles.

 

Contudo, o péssimo hábito de se automedicar, somado ao fato de que muitos nem sequer leem a bula dos remédios e desobedecem à posologia correta, pode trazer sérios riscos à saúde.

 

Para Ricardo Cortesini, cardiologista, médico do esporte e clínico geral, o fato de muitos remédios não precisarem de receita médica também contribui para que a pessoa se automedique. “Esse comportamento é muito difundido, principalmente por uma questão cultural. Existe essa tradição enraizada nas famílias brasileiras. O tempo de demora e os valores praticados para passar por uma consulta médica também favorecem a automedicação. Por isso, as pessoas têm a tendência de ouvir o vizinho ou alguém da família que podem ou não ter um problema parecido e que indicam alguma medicação. Elas acabam tomando e achando que terão resultados satisfatórios.”

 

Segundo Contesini, as pessoas não devem acreditar que há um limite seguro para a automedicação. “A automedicação é totalmente inaceitável.”

 

Por exemplo, o uso indiscriminado e frequente do paracetamol, um dos medicamentos mais consumidos no mundo e disponível livremente nas farmácias brasileiras, pode ser o responsável pelos casos de falência do fígado. Nos Estados Unidos, as vendas do remédio chegam a 49 mil toneladas por ano, o que significa uma média de 298 comprimidos para cada norte-americano. Para agravar a situação, apesar de ser um medicamento que está no mercado há mais de 100 anos, ainda há desconfianças sobre sua eficácia para algumas indicações, segundo especialistas.

 

Para Ricardo Cortesini, o uso indiscriminado do paracetamol pode causar intoxicação no organismo. “A principal e mais grave é a insuficiência hepática, que pode levar, em alguns casos, até à necessidade de fazer um transplante hepático. Por ser um antitérmico, ele também mascara infecções, doenças reumatológicas e autoimunes e câncer”, alerta. Ele também adverte para outros remédios comumente utilizados sem consulta médica prévia: “o ácido acetilsalicílico (AAS) usado por muito tempo pode causar úlcera; a dipirona, utilizada indiscriminadamente, pode levar a uma anemia grave.”

 

(Eduardo Prestes, Folha Universal, 3 de setembro de 2023. Adaptado)

A alternativa que apresenta frase em que a expressão em destaque está corretamente substituída nos parênteses é:
  1. APor ser um antitérmico, ele também mascara infecções... (mascara-as) –.
  2. BPara agravar a situação, apesar de ser um medicamento... (agravar-la) –.
  3. C... apurou que 77% dos brasileiros têm esse hábito... (têm-lo) –.
  4. DMuitos motivos levam as pessoas a usarem medicamentos... (levam-nas) –.
  5. E... muitos nem sequer leem a bula dos remédios... (leem-na) –.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Muitos motivos levam as pessoas a usarem medicamentos... (levam-nas) –.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Colocação pronominal: a forma do pronome oblíquo após o verbo

Gabarito: letra D. A única substituição correta é "levam-nas" em "Muitos motivos levam as pessoas a usarem medicamentos" — o pronome "as" retoma "as pessoas" (objeto direto) e, como o verbo "levam" termina em -m (som nasal), a forma correta é -nas, não "levam-as". As demais alternativas erram por desrespeitar a regra de transformação do pronome "o/a/os/as" após verbos terminados em -r, -s, -z (viram -lo/-la/-los/-las) ou em som nasal (viram -no/-na/-nos/-nas), além de ignorarem a atração da próclise.

A questão cobra colocação pronominal e, mais especificamente, a forma assumida pelos pronomes oblíquos átonos "o, a, os, as" quando substituem um termo da oração. O comando pede a frase em que a expressão destacada está corretamente substituída nos parênteses — ou seja, não basta saber se o pronome pode ser usado; é preciso verificar se a forma dele está certa (se vira -lo, -la, -no, -na etc.) e se a colocação (próclise/ênclise) está adequada.

A regra que decide a questão é simples e aparece em toda prova:

  • Verbos terminados em -r, -s, -z (infinitivo, formas com "s" e "z"): o pronome "o/a/os/as" vira -lo, -la, -los, -las (ex.: "mascarar + as" = "mascará-las").

  • Verbos terminados em som nasal (-am, -em, -ão, -õe): o pronome vira -no, -na, -nos, -nas (ex.: "levam + as" = "levam-nas").

  • Verbos terminados em vogal ou ditongo oral (sem -r/-s/-z e sem nasal): o pronome permanece o, a, os, as (ex.: "comprou + a" = "comprou-a").

Além da forma, é preciso observar a colocação: se houver palavra atrativa (advérbio, conjunção subordinativa, pronome relativo, palavra negativa) antes do verbo, usa-se próclise (pronome antes do verbo). Nas alternativas, porém, o foco principal é a forma do pronome, não a posição.

Vamos analisar cada alternativa:

Alternativa

Verbo original

Forma proposta

Forma correta

Erro

A

mascara

mascara-as

também as mascara (próclise)

Forma (vogal oral não altera o pronome) e colocação (advérbio "também" atrai próclise)

B

agravar

agravar-la

agravá-la

Forma (verbo em -r exige -la, com supressão do -r e acento)

C

têm

têm-lo

têm-no

Forma (verbo em som nasal exige -no) e colocação (conjunção "que" atrai próclise)

D

levam

levam-nas

levam-nas

Nenhum — correta

E

leem

leem-na

nem sequer a leem (próclise)

Colocação (locução negativa "nem sequer" atrai próclise)

1Termina em -r, -s, -z
Vira -lo, -la, -los, -las
Ex.: agravá-la
2Termina em som nasal (-m, -ão)
Vira -no, -na, -nos, -nas
Ex.: levam-nas, têm-no
3Termina em vogal oral
Permanece o, a, os, as
Ex.: mascara-as
4Palavra atrativa antes
Exige próclise
Ex.: também as mascara
Pronome átono após verbo
LEVELsoulevel.com.br
Pronome átono após verbo: Termina em -r, -s, -z (Vira -lo, -la, -los, -las, Ex.: agravá-la); Termina em som nasal (-m, -ão) (Vira -no, -na, -nos, -nas, Ex.: levam-nas, têm-no); Termina em vogal oral (Permanece o, a, os, as, Ex.: mascara-as); Palavra atrativa antes (Exige próclise, Ex.: também as mascara)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Por ser um antitérmico, ele também mascara infecções..."

A substituição proposta é "mascara-as". O verbo "mascara" termina em -a (vogal oral), então o pronome "as" permanece "as", e a forma correta seria "mascara-as" — mas a alternativa escreve "mascara-as" com hífen, o que está errado porque o verbo termina em vogal, não em -r/-s/-z nem em som nasal. A forma correta seria "mascara-as" (sem alteração), mas a alternativa apresenta "mascara-as" como se fosse a forma transformada, o que é incorreto. Além disso, há a palavra atrativa "também" (advérbio) antes do verbo, o que exigiria próclise: "também as mascara". A alternativa erra tanto na forma quanto na colocação.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Para agravar a situação, apesar de ser um medicamento..."

A substituição proposta é "agravar-la". O verbo "agravar" termina em -r (infinitivo), então o pronome "a" vira "-la": "agravá-la" (com acento agudo no "a" para manter a tonicidade). A alternativa escreve "agravar-la", mantendo o "r" e o hífen, o que está errado — a forma correta é "agravá-la". Além disso, a palavra "Para" (preposição) antes do verbo não atrai próclise obrigatória, mas a forma do pronome está incorreta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"... apurou que 77% dos brasileiros têm esse hábito..."

A substituição proposta é "têm-lo". O verbo "têm" termina em -m (som nasal), então o pronome "o" vira "-no": "têm-no". A alternativa escreve "têm-lo", o que está errado — a forma correta é "têm-no". Além disso, há a conjunção subordinativa "que" antes do verbo, o que exigiria próclise: "que o têm". A alternativa erra na forma e na colocação.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Muitos motivos levam as pessoas a usarem medicamentos..."

A substituição proposta é "levam-nas". O verbo "levam" termina em -m (som nasal), então o pronome "as" vira "-nas": "levam-nas". A forma está correta. Não há palavra atrativa antes do verbo ("Muitos motivos" é sujeito, não atrator), então a ênclise é adequada. A alternativa está totalmente correta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"... muitos nem sequer leem a bula dos remédios..."

A substituição proposta é "leem-na". O verbo "leem" termina em -m (som nasal), então o pronome "a" vira "-na": "leem-na". A forma está correta quanto à transformação, mas há a palavra atrativa "nem sequer" (locução de sentido negativo) antes do verbo, o que exige próclise: "nem sequer a leem". A alternativa usa ênclise, o que é incorreto diante da palavra atrativa.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura duas regras: a forma do pronome (vira -lo/-la/-no/-na) e a colocação (próclise/ênclise). Na alternativa E, a forma está certa, mas a colocação errada; na C, a forma errada; na D, ambas certas. Leia o comando com atenção: ele pede a substituição correta, ou seja, forma e colocação adequadas.

PEGA ESSA DICA!

Decore a regra de ouro: verbo terminado em -r, -s, -z → pronome vira -lo/-la/-los/-las; verbo terminado em som nasal → pronome vira -no/-na/-nos/-nas; verbo terminado em vogal oral → pronome permanece o/a/os/as. E lembre: palavra atrativa (não, nunca, que, se, advérbio) antes do verbo exige próclise.

Conclusão: a única alternativa em que a substituição está totalmente correta — forma e colocação — é a letra D ("levam-nas"). As demais erram na forma do pronome (A, B, C) ou na colocação (E).

Gabarito: letra D

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