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Questão de Português — Regência Nominal e Verbal (Casos Gerais) — VUNESP 2023

PortuguêsRegência Nominal e Verbal (Casos Gerais)
Código
vu184252
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Piracicaba
Ano
2023
Cargo
Aux (Piracicaba)

Desacelerar é preciso

 

Com pressa, o Coelho Branco de olhos cor-de-rosa tirou um relógio do bolso do colete e disse: “Ai, ai, ai! Vou chegar atrasado demais”. Alice, espantada por nunca ter visto um coelho falante e vestido, saiu em disparada e o seguiu até sua toca, de onde começaria uma fantástica viagem rumo ao País das Maravilhas.

 

Publicada em 1865, a obra Aventuras de Alice no País das Maravilhas, uma das histórias mais importantes da literatura mundial, foi fruto da imaginação do escritor e matemático Lewis Carroll (1832-1898), mas também de suas indagações sobre a relatividade temporal. O Coelho Branco pode simbolizar, por meio de sua obsessão pelo tempo, a angústia causada pela brevidade da experiência humana.

 

Afinal, na época em que a história foi escrita, os dias passaram a ser contados pelos ponteiros do relógio, e não mais pelo nascer e pôr do sol. Foi a partir da Revolução Industrial, na segunda metade do século 18, que a vida foi compartimentada em horas, minutos e segundos, entre “tempo de trabalho” e “tempo livre”. Assim como Alice, a humanidade caiu na toca do Coelho Branco e começou a correr atrás do tempo.

 

Desde então, a sociedade sonha com a dilatação das 24 horas do dia para conciliar o rendimento no trabalho com momentos de lazer com família e amigos, fazer atividade física, ler um livro ou simplesmente ficar de pernas para o ar. Num século em que o tempo se tornou privilégio, a consequência dessa “falta de tempo” vem provocando quadros de ansiedade, depressão e outros sofrimentos psíquicos. De acordo com o mais recente mapeamento global de transtornos mentais, realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil possui a população mais ansiosa do mundo.

 

(Maria Júlia Lledó. Desacelerar é preciso. Revista E, maio de 2023)

Considere o trecho a seguir:

 

Num século em que o tempo se tornou privilégio, a consequência dessa “falta de tempo” vem provocando quadros de ansiedade...

 

Os termos em destaque podem ser substituídos em conformidade com a norma-padrão de regência, respectivamente, por:

  1. Ase converteu em … acarretando em.
  2. Bvirou … ocasionando nos.
  3. Cse modificou no … suscitando.
  4. Dse transformou em … produzindo.
  5. Ese alterou em … originando em.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — se transformou em … produzindo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Regência verbal e nominal: substituição sem alterar o sentido

Gabarito: letra D. A única substituição que mantém a correção gramatical e o sentido do trecho é "se transformou em … produzindo", porque o verbo transformar-se rege a preposição em (assim como tornar-se), e o verbo produzir é transitivo direto, dispensando preposição — exatamente como provocar. As demais opções ou usam preposição indevida após verbo transitivo direto ("acarretando em", "ocasionando nos", "originando em") ou trocam a regência de modificar-se (que pede "em", não "no").

O comando pede uma substituição em conformidade com a norma-padrão de regência, ou seja, não basta que a nova expressão tenha sentido parecido: é preciso que a regência (a preposição exigida pelo verbo) esteja correta. Isso é uma questão de gramática normativa aplicada ao texto, não de interpretação. Você deve testar cada alternativa perguntando: o verbo proposto exige preposição? Qual? O complemento está adequado?

No trecho original, temos duas estruturas:

"Num século em que o tempo se tornou privilégio, a consequência dessa 'falta de tempo' vem provocando quadros de ansiedade..."

  • "se tornou": verbo tornar-se (no sentido de "transformar-se") é transitivo indireto e rege a preposição em — "tornou-se em privilégio".

  • "provocando": verbo provocar é transitivo direto, não exige preposição — "provocando quadros de ansiedade".

A alternativa D mantém exatamente essa estrutura: transformar-se também rege em ("transformou-se em privilégio"), e produzir é transitivo direto ("produzindo quadros de ansiedade"). Nenhuma outra opção preserva as duas regências corretamente.

A pegadinha central da banca é a preposição indevida após verbos transitivos diretos. Muitos candidatos, no uso coloquial, dizem "acarretar em", "ocasionar em", "originar em" — mas a norma-padrão rejeita essas construções. A banca oferece exatamente esses erros nas alternativas A, B e E, e ainda troca a regência de modificar-se na C.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"se converteu em … acarretando em" — O primeiro verbo está correto (converter-se rege em), mas "acarretando em" é erro de regência: acarretar é transitivo direto, não admite a preposição em. O correto seria apenas "acarretando quadros de ansiedade". A banca explora o uso coloquial "acarretar em", que fere a norma-padrão.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"virou … ocasionando nos" — O verbo virar (no sentido de "transformar-se") é transitivo direto, não rege preposição: "virou privilégio" (sem em). Além disso, "ocasionando nos" também é erro: ocasionar é transitivo direto, não admite a preposição em (a forma "nos" = em + os). Duplo erro de regência.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"se modificou no … suscitando" — O verbo modificar-se rege a preposição em, mas a forma "no" (em + o) está inadequada porque o complemento é "privilégio", palavra masculina, e a preposição exigida é em, não "no" (que seria "em o"). Na verdade, "modificou-se em privilégio" seria aceitável, mas a alternativa usa "no", que não se encaixa. Além disso, suscitar é transitivo direto e está correto, mas o primeiro erro já invalida a opção.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"se transformou em … produzindo"Transformar-se rege a preposição em ("transformou-se em privilégio"), e produzir é transitivo direto ("produzindo quadros de ansiedade"). As duas regências estão corretas e o sentido é preservado: o tempo se transformou em privilégio, e essa falta de tempo produz (provoca) quadros de ansiedade.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"se alterou em … originando em" — O verbo alterar-se rege a preposição em ("alterou-se em privilégio"), mas "originando em" é erro: originar é transitivo direto, não admite a preposição em. O correto seria "originando quadros de ansiedade".

PEGA ESSA DICA!

Em questões de regência, desconfie de verbos seguidos de preposição que parecem naturais na fala coloquial ("acarretar em", "ocasionar em", "originar em"). Consulte a transitividade: se o verbo é transitivo direto, o complemento vem sem preposição. Teste cada alternativa substituindo no trecho original e verificando se a preposição é realmente exigida.

Gabarito: letra D.

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