Desde o momento no qual uma comunidade se reuniu em volta de alguém – para que esse alguém falasse ou fosse ouvido – a ideia de teatro definiu-se como algo eterno. O documento incontestável da presença do teatro é o edifício que o abriga.
Toda vez que entro num teatro vazio, conhecido ou não, algo se apodera de mim numa integração inesperada, involuntária e profunda. A sala solitária, que foi abandonada depois de um êxito emocionante ou de um fracasso desolador, é um espaço que continua vibrando, que soma suas emoções a outros momentos equivalentes. Entrar na sala de um teatro abandonado significa provocar um clima de expectativas e perguntas que precisam de respostas inequívocas.
Qualquer espaço pelo qual transitou um momento dramático carrega consigo uma dimensão que reforça a cada dia seus valores enriquecidos pelo tempo.
Um teatro que seja teatro não precisa de dimensões físicas, não é feito de medidas lineares ou cúbicas; sua especialidade é a consequência do que lá foi colocado, das palavras que lá foram pronunciadas, dos gestos que lá foram desenhados. O edifício teatral viverá sempre de valores abstratos. A beleza que lá foi colocada será parâmetro para seu julgamento.
(Gianni Ratto, Prólogo. Em: J.C. Serroni, Teatros – uma memória do espaço cênico no Brasil. Adaptado)
O trecho entre parênteses que substitui o destacado de acordo com a norma-padrão de regência e emprego do sinal de crase é:
ADesde o momento no qual uma comunidade se reuniu em volta de alguém ... (se juntou à alguém)
B... algo se apodera de mim numa integração inesperada, involuntária e profunda. (vem à mim)
CEntrar na sala de um teatro abandonado significa provocar um clima de expectativas... (levar à um)
D... provocar um clima de expectativas e perguntas que precisam de respostas inequívocas. (às quais demandam)
E... para que esse alguém falasse ou fosse ouvido ... (se dirigisse às pessoas)
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — ... para que esse alguém falasse ou fosse ouvido ... (se dirigisse às pessoas)
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Crase e regência: a substituição que respeita a norma-padrão
Gabarito: letra E. A alternativa E é a única em que a substituição mantém a regência correta e emprega a crase adequadamente: "se dirigisse às pessoas" — quem se dirige, dirige a alguém; "pessoas" é palavra feminina plural que admite artigo as; logo, preposição a + artigo as = às. Como se lê no trecho original: "para que esse alguém falasse ou fosse ouvido" — a substituição por "se dirigisse às pessoas" preserva o sentido de comunicação com um público, sem violar a norma.
A questão pede que você avalie substituições de trechos destacados por expressões entre parênteses, verificando se estão de acordo com a norma-padrão de regência e emprego do sinal de crase. Não se trata de interpretação de sentido, mas de correção gramatical: a substituição deve manter o sentido original e, ao mesmo tempo, respeitar as regras de regência (verbal ou nominal) e de crase. O comando é claro: "de acordo com a norma-padrão de regência e emprego do sinal de crase". Portanto, você deve testar cada alternativa perguntando: (1) o verbo ou nome exige preposição? (2) essa preposição é "a"? (3) o termo seguinte admite artigo feminino? Se sim, há crase; se não, não há.
O texto-base fala sobre a essência do teatro, mas o conteúdo do texto é irrelevante para a resolução — o que importa é a estrutura sintática dos trechos destacados. A banca VUNESP adora cobrar crase em contextos de regência, especialmente com verbos que pedem a preposição "a" (como "dirigir-se a", "referir-se a", "assistir a") e com pronomes relativos ("a qual", "as quais"). A armadilha central é a crase antes de pronome pessoal (nunca ocorre) e antes de artigo indefinido (nunca ocorre), além da troca de regência (usar verbo que não pede preposição como se pedisse).
A regra prática para crase: ocorre quando há fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a(s)" ou com o "a" inicial de pronomes demonstrativos (aquele, aquela, aquilo) e relativos (a qual, as quais). Para saber se há preposição, pergunte ao verbo ou nome: "a alguma coisa"? Se sim, e o termo for feminino e admitir artigo, use crase. Exemplo: "dirigir-se a" + "as pessoas" = "dirigir-se às pessoas". Se o termo for masculino, não há crase ("dirigir-se ao público"); se for pronome pessoal (mim, ti, ele), não há crase ("dirigir-se a mim"); se for artigo indefinido (uma), não há crase ("dirigir-se a uma pessoa").
Critério
A (se juntou à alguém)
B (vem à mim)
C (levar à um)
D (às quais demandam)
E (se dirigisse às pessoas)
Verbo exige preposição "a"?
Sim (juntar-se a)
Sim (vir a)
Sim (levar a)
Não (demandar é VTD)
Sim (dirigir-se a)
Termo seguinte admite artigo feminino?
Não (alguém = pron. indefinido)
Não (mim = pron. pessoal)
Não (um = art. indefinido masc.)
—
Sim (as pessoas)
Crase correta?
❌ Não (sem artigo)
❌ Não (sem artigo)
❌ Não (sem artigo)
❌ Erro de regência
✅ Sim (a + as = às)
Alternativa A — ❌ Incorreta
"se juntou à alguém" — erro de crase antes de pronome indefinido. O verbo "juntar-se" pede a preposição "a" (juntar-se a alguém), mas "alguém" é pronome indefinido que não admite artigo; portanto, não há crase. O correto seria "se juntou a alguém". A alternativa extrapola a regra, aplicando crase onde não há fusão de artigo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"vem à mim" — erro de crase antes de pronome pessoal. O verbo "vir" pede a preposição "a" (vir a alguém), mas "mim" é pronome pessoal oblíquo que não admite artigo; logo, não há crase. O correto seria "vem a mim". A alternativa contradiz a regra de crase proibida antes de pronomes pessoais.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"levar à um" — erro de crase antes de artigo indefinido. O verbo "levar" pede a preposição "a" (levar a um lugar), mas "um" é artigo indefinido masculino; não há artigo feminino para fundir, portanto não há crase. O correto seria "levar a um". A alternativa generaliza indevidamente a crase para contextos em que não há palavra feminina.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"às quais demandam" — erro de regência. O verbo "demandar" é transitivo direto (demandar algo), não exige preposição. A construção "perguntas às quais demandam" está incorreta; o correto seria "perguntas que demandam" (sem preposição) ou "perguntas às quais se referem" (se o verbo pedisse preposição). A alternativa troca a regência, usando preposição onde não há exigência.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"se dirigisse às pessoas" — regência correta + crase correta. O verbo "dirigir-se" exige a preposição "a" (dirigir-se a alguém). "Pessoas" é substantivo feminino plural que admite o artigo "as". Preposição "a" + artigo "as" = "às". A substituição mantém o sentido do trecho original ("falasse ou fosse ouvido" = comunicar-se com pessoas) e respeita a norma-padrão. É a única alternativa inteiramente correta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura erros de crase (A, B, C) com erro de regência (D) para testar se você domina as duas regras. A correta (E) exige reconhecer que "dirigir-se" pede preposição "a" e que "pessoas" admite artigo.
PEGA ESSA DICA!
Antes de marcar, pergunte: o verbo/nome exige preposição "a"? O termo seguinte é feminino e admite artigo? Se sim, crase; se não, sem crase. E desconfie de crase antes de pronomes pessoais e artigos indefinidos — sempre errada.