(Ana Martins Marques. Ouriço: revista de poesia e crítica. Juiz de Fora: Edições Macondo, 2021)
Em “e ainda assim infinitamente desprotegido”, a expressão em destaque indica
Aadição.
Bcausa.
Cconsequência.
Dconcessão.
Eexplicação.
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GabaritoD — concessão.
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Valor semântico de "e ainda assim" no poema
Gabarito: letra D. A expressão "e ainda assim" indica concessão, pois introduz uma quebra de expectativa: o ouriço está protegido por espinhos, envolto num suéter e subvencionado pela maior economia europeia — mas, apesar de tudo isso, permanece "infinitamente desprotegido". A pista está no próprio verso: "e ainda assim infinitamente desprotegido", em que "ainda assim" equivale a "apesar disso", "mesmo assim".
O comando
A questão pergunta o que a expressão em destaque indica — ou seja, qual relação lógico-discursiva o conectivo estabelece entre as ideias. Não se trata de compreensão literal, mas de reconhecer o valor semântico de um conectivo no contexto. Para resolver, é preciso identificar o que vem antes e o que vem depois da expressão e perceber se há oposição, quebra de expectativa (concessão) ou simples soma (adição).
O texto e o movimento argumentativo
O poema narra o resgate de um ouriço ferido, que é embrulhado num suéter e enviado de táxi para uma instituição de proteção animal. Na última estrofe, o poeta reflete sobre o ouriço "sozinho dentro de um táxi / armado com seus espinhos / envolto em meu velho suéter azul claro / subvencionado pela maior economia europeia".
A sequência de elementos — espinhos, suéter, subvenção — cria uma expectativa de proteção: tudo parece garantir segurança. O conectivo "e ainda assim" quebra essa expectativa: apesar de todos esses recursos, o ouriço permanece "infinitamente desprotegido". Essa quebra é a essência da concessão: reconhece-se um argumento contrário, mas não se abre mão da conclusão.
A técnica: como identificar concessão
A concessão é uma relação em que se admite um fato ou argumento que poderia levar a uma conclusão oposta, mas mesmo assim se mantém a conclusão. Os conectivos típicos são: embora, ainda que, mesmo que, apesar de, conquanto, por mais que. No caso, "e ainda assim" funciona como "apesar disso" — o "ainda assim" retoma toda a ideia anterior de proteção e a contrapõe ao estado final de desproteção.
Compare com a adição: se fosse adição, a expressão apenas somaria ideias, sem quebrar expectativa. Por exemplo: "ele é rico e ainda assim feliz" — aqui "ainda assim" também indica concessão (apesar de ser rico, é feliz), não adição. A adição seria "ele é rico e feliz", sem oposição.
Análise das alternativas
Conectivos e seus valores: Adição (soma ideias sem oposição, "e", "também"); Causa (indica motivo, "porque", "já que"); Consequência (marca efeito, "portanto", "logo"); Concessão (quebra de expectativa, "embora", "apesar de", "ainda que", "e ainda assim" = "apesar disso"); Explicação (justifica uma ideia, "pois", "porque")
Alternativa A — ❌ Incorreta
Adição somaria ideias sem oposição. No texto, "e ainda assim" não soma proteção; ele contrapõe a proteção aparente à desproteção real. A adição seria "armado com seus espinhos e envolto em meu velho suéter" — mas o trecho em destaque vai além, introduzindo a quebra.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Causa indicaria motivo: "porque", "já que". Aqui não há relação de causa; o fato de estar protegido não causa a desproteção. A desproteção é uma consequência inesperada que contrasta com a proteção, mas a expressão em si não marca causa.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Consequência marcaria efeito: "portanto", "logo". O trecho não diz que a proteção resulta em desproteção; ele diz que, apesar da proteção, há desproteção. A relação é de oposição, não de efeito.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Concessão é exatamente o que ocorre: admite-se a proteção (espinhos, suéter, subvenção) e, mesmo assim, afirma-se a desproteção. O conectivo "e ainda assim" equivale a "apesar disso", "mesmo assim". A passagem que prova:
"armado com seus espinhos / envolto em meu velho suéter azul claro / subvencionado pela maior economia europeia / e ainda assim infinitamente / desprotegido"
Aqui, "e ainda assim" quebra a expectativa criada pela lista de proteções, marcando a concessão.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Explicação justificaria uma ideia: "pois", "porque". O trecho não explica por que o ouriço está desprotegido; ele apenas contrasta a proteção com a desproteção. A explicação seria algo como "está desprotegido porque...", o que não ocorre.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre adição e concessão. O "e" inicial sugere soma, mas "ainda assim" inverte o sentido: não soma, opõe. Fique atento a expressões como "e ainda assim", "mas mesmo assim", "e mesmo assim" — todas marcam concessão.
PEGA ESSA DICA!
Para identificar o valor de um conectivo, pergunte: há quebra de expectativa? Se sim, é concessão. Se apenas soma, é adição. Se indica motivo, é causa. Se indica efeito, é consequência. Se explica, é explicação.
Conclusão: a expressão "e ainda assim" estabelece uma relação de concessão, pois admite a proteção aparente e, apesar dela, afirma a desproteção. Portanto, a alternativa correta é a letra D.