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Questão de Português — Conjunção — VUNESP 2023

PortuguêsConjunção
Código
vu184363
Banca
VUNESP
Órgão
SP Regula
Ano
2023
Cargo
ARSP ( )

Quando não está em um laboratório, envolvida em pesquisas sobre a resposta do sistema imune à leptospirose, a biomédica Lourdes Isaac está tecendo colchas e tapetes, cuidando do jardim ou cozinhando. Ela explica que essas atividades lhe permitem se desligar da rotina estressante na universidade. “Muitas vezes nossos objetivos de estudo são abstratos ou podem demorar para se concretizar. Com a tecelagem, após alguns dias, um emaranhado de fios lineares se transforma em um tecido com textura e cores que não existiam, o que é bastante gratificante”, diz Lourdes.

 

No início, ela conta que se sentia culpada por ter interesses não relacionados à prática científica. Com o tempo, percebeu que poderia encaixá-los em sua rotina. Como Lourdes, muitos cientistas têm dificuldade de se afastar das demandas envolvendo as atividades de docência e pesquisa e investir em interesses pessoais. Em média, os pesquisadores chegam a trabalhar 80 horas por semana, sem pausa nos fins de semana e feriados. A conclusão é de um levantamento feito pela revista Nature em 2016. No entanto, nos últimos anos, estudos apresentaram evidências indicando que a busca por satisfação em atividades de lazer praticadas regularmente pode ser uma forma de aliviar o estresse mental, melhorar o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, aumentar a produtividade e aprimorar a capacidade criativa dos pesquisadores, auxiliando-os no desenvolvimento de soluções inovadoras para suas investigações.

 

Outro estudo, publicado quatro anos antes, constatou que os ganhadores do prêmio Nobel são quase duas vezes mais propensos a ter passatempos relacionados às artes ou a trabalhos manuais do que outros integrantes da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos ou da Royal Society, do Reino Unido. O estudo tomou como base dados publicados em autobiografias, biografias e obituários dos pesquisadores. “Forçar o cérebro a desempenhar atividades não relacionadas às tarefas de pesquisa pode contribuir para ampliar a flexibilidade cognitiva”, afirmou à Nature o psicólogo Dean Simonton.

 

(Rodrigo de Oliveira Andrade. Ócio criativo. https://revistapesquisa.fapesp.br, ago. 2018. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.     Ao trecho “No início, ela conta que se sentia culpada por ter interesses não relacionados à prática científica. Com o tempo, percebeu que poderia encaixá-los em sua rotina” (2o parágrafo), pode-se acrescentar uma conjunção de modo que a relação entre as ideias e a correção gramatical sejam preservadas, como ocorre em:
  1. ANo início, ela conta que se sentia culpada por ter interesses não relacionados à prática científica, mas, com o tempo, percebeu que poderia encaixá-los em sua rotina.
  2. BNo início, ela conta que se sentia culpada por ter interesses não relacionados à prática científica, embora, com o tempo, percebeu que poderia encaixá-los em sua rotina.
  3. CNo início, ela conta que se sentia culpada por ter interesses não relacionados à prática científica, pois, com o tempo, percebeu que poderia encaixá-los em sua rotina.
  4. DNo início, ela conta que se sentia culpada por ter interesses não relacionados à prática científica, porque, com o tempo, percebeu que poderia encaixá-los em sua rotina.
  5. ENo início, ela conta que se sentia culpada por ter interesses não relacionados à prática científica, assim, com o tempo, percebeu que poderia encaixá-los em sua rotina.
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GabaritoA — No início, ela conta que se sentia culpada por ter interesses não relacionados à prática científica, mas, com o tempo, percebeu que poderia encaixá-los em sua rotina.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conjunção adversativa: a relação de oposição entre as ideias

Gabarito: letra A. A alternativa A é a única que preserva a relação de oposição entre as duas ideias do trecho — a culpa inicial e a percepção posterior de que poderia conciliar os interesses —, usando a conjunção adversativa "mas". Como se lê no 2º parágrafo: "No início, ela conta que se sentia culpada por ter interesses não relacionados à prática científica. Com o tempo, percebeu que poderia encaixá-los em sua rotina". A conjunção "mas" expressa exatamente essa quebra de expectativa: primeiro a culpa, depois a superação dela.

O comando: reescritura com conjunção

A questão pede que você acrescente uma conjunção entre os dois períodos, de modo que a relação de sentido entre eles seja mantida e a correção gramatical seja preservada. Isso significa que você precisa, primeiro, identificar qual é a relação lógica entre as ideias; depois, escolher a conjunção que expressa essa relação e que não provoque erro de concordância, regência ou tempo verbal.

A relação entre as ideias: oposição

No trecho original, há dois momentos: "No início" (a cientista se sentia culpada) e "Com o tempo" (ela percebeu que poderia encaixar os interesses). A segunda ideia contrasta com a primeira: a culpa inicial é superada. Essa é uma relação de adversidade (oposição, quebra de expectativa). A conjunção que expressa isso é "mas" (ou equivalentes: porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto).

"No início, ela conta que se sentia culpada por ter interesses não relacionados à prática científica. Com o tempo, percebeu que poderia encaixá-los em sua rotina"

A conjunção "mas" liga as duas orações coordenadas, marcando a oposição entre o estado inicial (culpa) e o estado posterior (percepção de que poderia conciliar). É a relação clássica de adversidade: a segunda oração quebra a expectativa criada pela primeira.

A pegadinha: conjunções com outros valores e erro de concordância

A banca oferece conjunções com valores semânticos diferentes (concessiva, causal, conclusiva) e uma com erro de concordância verbal. Veja:

  • B (embora): conjunção concessiva — indica uma ressalva, algo que não impede a ação principal. Ex.: "Embora estivesse chovendo, fui à praia". No trecho, "embora" criaria uma ideia de concessão, mas a relação real é de oposição. Além disso, há erro de concordância: "embora... percebeu" — o verbo deveria estar no subjuntivo ("percebesse").

  • C (pois): conjunção explicativa ou conclusiva — indica causa ou conclusão. Ex.: "Estudou, pois passou" (explicativa) ou "Estudou; passou, pois" (conclusiva). No trecho, "pois" criaria uma relação de causa, mas a relação real é de oposição.

  • D (porque): conjunção causal — indica causa. Ex.: "Não fui porque choveu". No trecho, "porque" criaria uma relação de causa, mas a relação real é de oposição.

  • E (assim): conjunção conclusiva — indica conclusão. Ex.: "Estudou; assim, passou". No trecho, "assim" criaria uma relação de conclusão, mas a relação real é de oposição.

Análise das alternativas

1Adversativa (mas)
Oposição entre ideias
Gabarito (A)
2Concessiva (embora)
Valor inadequado
Exige subjuntivo
3Explicativa (pois)
Valor inadequado
4Causal (porque)
Valor inadequado
5Conclusiva (assim)
Valor inadequado
Conjunções coordenativas
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Conjunções coordenativas: Adversativa (mas) (Oposição entre ideias, Gabarito (A)); Concessiva (embora) (Valor inadequado, Exige subjuntivo); Explicativa (pois) (Valor inadequado); Causal (porque) (Valor inadequado); Conclusiva (assim) (Valor inadequado)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A usa "mas", conjunção coordenativa adversativa, que expressa oposição entre as ideias. A estrutura fica: "No início, ela conta que se sentia culpada..., mas, com o tempo, percebeu que poderia encaixá-los em sua rotina". A relação de contraste entre a culpa inicial e a superação posterior é exatamente o que o texto expressa. Além disso, a concordância está correta: "percebeu" concorda com o sujeito "ela" (implícito).

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B usa "embora", conjunção concessiva. Ela indica uma ressalva, algo que não impede a ação principal. Ex.: "Embora estivesse chovendo, fui à praia". No trecho, "embora" criaria uma ideia de concessão, mas a relação real é de oposição. Além disso, há erro de concordância: "embora... percebeu" — o verbo deveria estar no subjuntivo ("percebesse"). Portanto, a alternativa B está incorreta por dois motivos: valor semântico inadequado e erro de concordância.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C usa "pois", conjunção explicativa ou conclusiva. Ela indica causa ou conclusão. Ex.: "Estudou, pois passou" (explicativa) ou "Estudou; passou, pois" (conclusiva). No trecho, "pois" criaria uma relação de causa, mas a relação real é de oposição. Portanto, a alternativa C está incorreta por valor semântico inadequado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D usa "porque", conjunção causal. Ela indica causa. Ex.: "Não fui porque choveu". No trecho, "porque" criaria uma relação de causa, mas a relação real é de oposição. Portanto, a alternativa D está incorreta por valor semântico inadequado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E usa "assim", conjunção conclusiva. Ela indica conclusão. Ex.: "Estudou; assim, passou". No trecho, "assim" criaria uma relação de conclusão, mas a relação real é de oposição. Portanto, a alternativa E está incorreta por valor semântico inadequado.

Conclusão

A única alternativa que preserva a relação de oposição entre as ideias e mantém a correção gramatical é a letra A, com a conjunção "mas". As demais ou usam conjunções com valores semânticos diferentes (concessiva, causal, conclusiva) ou apresentam erro de concordância.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever um trecho com conjunção, identifique primeiro a relação lógica entre as ideias (oposição, causa, conclusão, etc.) e depois escolha a conjunção que expressa essa relação. Desconfie de conjunções que mudam o sentido ou que exigem modo verbal diferente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece conjunções com valores semânticos diferentes (concessiva, causal, conclusiva) e uma com erro de concordância verbal, para testar se o candidato identifica a relação de oposição e a correção gramatical.

Gabarito: letra A

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