Questão de Português — Regência Nominal e Verbal (Casos Gerais) — VUNESP 2023
Português›Regência Nominal e Verbal (Casos Gerais)
Código
vu184369
Banca
VUNESP
Órgão
SP Regula
Ano
2023
Cargo
TFSP ( )
Leia a tira para responder à questão.
(Charles Schulz. Snoopy: assim é a vida, Charlie Brown! Porto Alegre: L&PM, 2009. Adaptado)
Em – Tenho a sensação de que ela recebe por notas baixas – (4o quadro), o trecho em destaque pode ser substituído, sem prejuízo da norma-padrão de regência, por
ASuspeito em que
BNão duvido que
CCreio em que
DSuponho de que
EPressinto de que
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoB — Não duvido que
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Regência verbal: substituindo "Tenho a sensação de que" sem quebrar a norma-padrão
Gabarito: letra B. A expressão "Tenho a sensação de que" pode ser substituída por "Não duvido que" porque ambos os enunciados expressam certeza, convicção — e o verbo duvidar, na forma negativa, rege a conjunção integrante "que" sem preposição, exatamente como a construção original. As demais alternativas ou exigem preposição indevida (A, C, D, E) ou mudam o sentido (A, D, E).
O comando pede uma substituição sem prejuízo da norma-padrão de regência — ou seja, a nova construção deve manter o mesmo sentido e obedecer à regência correta do verbo escolhido. Não se trata de interpretação de texto, mas de gramática normativa aplicada: você precisa conhecer a regência de cada verbo apresentado nas alternativas.
Na tira, o personagem diz: "Tenho a sensação de que ela recebe por notas baixas". A expressão "ter a sensação de que" equivale a "achar", "crer", "suspeitar" — mas, na norma-padrão, nem todos esses verbos aceitam a mesma construção. O segredo é testar cada alternativa: o verbo pede preposição antes do "que"?
Suspeitar é transitivo direto: suspeitar algo — não se diz "suspeito em que".
Crer é transitivo indireto com a preposição em: crer em algo — mas, diante de oração subordinada substantiva, a preposição cai: creio que... (e não "creio em que").
Supor e pressentir são transitivos diretos: supor algo, pressentir algo — não admitem preposição.
Duvidar é transitivo indireto com a preposição de: duvidar de algo — mas, na forma negativa, a preposição é suprimida diante da conjunção integrante: não duvido que... (e não "não duvido de que", embora esta também seja aceita por alguns gramáticos, a forma sem preposição é a mais consagrada e a que a banca considera correta).
A alternativa B é a única que preserva o sentido de convicção e respeita a regência do verbo duvidar na forma negativa. As demais ou erram a regência (A, C, D, E) ou alteram o sentido (A, D, E).
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre verbos que pedem preposição (como duvidar de) e os que não pedem (como suspeitar, crer, supor, pressentir). O candidato desatento marca "Suspeito em que" por achar que "suspeitar" rege "em", mas o verbo é transitivo direto.
PEGA ESSA DICA!
Antes de marcar, teste a regência: substitua o verbo por um sinônimo e veja se a preposição permanece. Se o verbo for transitivo direto, não pode haver preposição antes do "que".
Regência verbal
1Transitivo direto (sem preposição)
Suspeitar → "suspeito que"
Supor → "suponho que"
Pressentir → "pressinto que"
2Transitivo indireto (com preposição)
Crer (em) → "creio que" (cai a preposição)
Duvidar (de) → "não duvido que" (cai na forma negativa)
3Sentido de convicção
"Tenho a sensação de que"
"Não duvido que"
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Suspeito em que" — o verbo suspeitar é transitivo direto (suspeitar algo), não rege a preposição "em". A forma correta seria "suspeito que". Além disso, o sentido de suspeitar é de dúvida, não de certeza — a substituição alteraria o sentido da frase original.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Não duvido que" — o verbo duvidar rege a preposição "de" (duvidar de algo), mas, na forma negativa, a preposição é suprimida diante da conjunção integrante: não duvido que.... A construção mantém o sentido de convicção e está de acordo com a norma-padrão.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Creio em que" — o verbo crer rege a preposição "em" (crer em algo), mas, diante de oração subordinada substantiva, a preposição cai: creio que.... A forma "creio em que" é incorreta na norma-padrão.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Suponho de que" — o verbo supor é transitivo direto (supor algo), não rege a preposição "de". A forma correta seria "suponho que". Além disso, o sentido de supor é de hipótese, não de certeza.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Pressinto de que" — o verbo pressentir é transitivo direto (pressentir algo), não rege a preposição "de". A forma correta seria "pressinto que". Além disso, o sentido de pressentir é de intuição, não de certeza.
Conclusão: a única alternativa que preserva o sentido e respeita a regência é a letra B. Lembre-se: na dúvida, teste a regência do verbo — se ele for transitivo direto, não pode haver preposição antes do "que".