A Roda dos Expostos ou Roda dos Enjeitados foi uma das instituições brasileiras de mais longa vida, sobrevivendo aos três grandes regimes de nossa história. Criada em Portugal para acolher crianças “abandonadas” em todas as vilas e cidades do reino, foi transferida para o Brasil no Período Colonial. Foi extinta definitivamente somente na década de 1950.
O nome Roda dos Expostos provém do dispositivo onde se colocavam os bebês que se queria abandonar. A roda tinha forma cilíndrica, dividida ao meio por uma divisória, e era instalada no muro ou na janela da instituição. No lado de fora do muro, depositava-se a criança que se estava abandonando na abertura externa do dispositivo e, ao girar a roda, a criança já estava do lado interno da instituição. Para avisar a vigilante que a criança acabava de ser abandonada, puxava-se uma cordinha com uma sineta e retirava-se do local rapidamente, garantindo assim o seu anonimato.
Depois de “abandonadas” na Roda dos Expostos, todas as crianças eram encaminhadas aos cuidados da “Ama de Leite” ou “Ama Seca”, mulheres empregadas para alimentar e criar as crianças recebidas na roda até que fossem encaminhadas à adoção.
De um modo geral, convencionou-se que ao Estado caberia a administração dos negócios públicos, enquanto a assistência pública era direcionada às Associações Religiosas ou Leigas.
Leia o texto para responder à questão. Assinale a alternativa em que a passagem reescrita do texto está em conformidade com a norma-padrão de emprego do sinal indicativo de crase.
AEm 1950 extinguiu-se definitivamente à Roda dos Expostos.
BÀs organizações do Estado caberia administrar os negócios públicos.
CMuitos bebês ficavam à encargo de amas de leite que os amamentavam.
DA Roda dos Expostos sobreviveu à três grandes regimes de nossa história.
ECrianças eram encaminhadas à mulheres que as amamentavam.
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GabaritoB — Às organizações do Estado caberia administrar os negócios públicos.
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Crase: casos obrigatórios e proibidos na reescrita
Gabarito: letra B. A alternativa correta é a que emprega a crase em "Às organizações do Estado", pois o verbo "caber" exige a preposição "a" e o substantivo "organizações" admite o artigo feminino plural "as" — fusão de "a" + "as" = "às". Como se lê no texto: "convencionou-se que ao Estado caberia a administração dos negócios públicos", e a reescrita mantém a regência: quem cabe, cabe a algo. As demais alternativas ou usam crase diante de palavra masculina, ou diante de verbo, ou diante de numeral, ou trocam a preposição exigida pela regência.
O comando
A questão pede que você identifique a reescrita em conformidade com a norma-padrão de emprego do sinal indicativo de crase. Isso significa que você deve analisar cada alternativa sob a ótica da regência verbal e da presença do artigo feminino. Não se trata de interpretação de texto, mas de gramática aplicada: a crase ocorre quando há a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a(s)" ou com o "a" inicial de pronomes demonstrativos. Para resolver, você precisa verificar, em cada frase, se o verbo ou nome exige a preposição "a" e se o termo seguinte é feminino e admite artigo.
O texto e a regra
O texto-base fala da Roda dos Expostos e, no último parágrafo, traz a passagem que será reescrita: "convencionou-se que ao Estado caberia a administração dos negócios públicos, enquanto a assistência pública era direcionada às Associações Religiosas ou Leigas". A alternativa B reescreve essa ideia como "Às organizações do Estado caberia administrar os negócios públicos". Aqui, o verbo "caber" é transitivo indireto: quem cabe, cabe a algo. O complemento é "organizações do Estado", núcleo feminino plural "organizações", que admite o artigo "as". Logo, preposição "a" + artigo "as" = às. A crase é obrigatória.
A regra geral: crase = preposição "a" + artigo feminino "a(s)". Para testar, substitua o termo feminino por um masculino: se aparecer "ao", há crase; se aparecer apenas "o", não há. Em "caber a organizações", trocando por "caber a órgãos", teríamos "caber aos órgãos" — com "ao", confirmando a preposição. Como "organizações" é feminino, o correto é "às organizações".
A técnica que decide
A pegadinha central é a regência verbal. Muitos candidatos marcam a alternativa que parece mais natural, mas a banca testa se você conhece a regência de verbos como "caber", "sobreviver", "encaminhar" e "ficar". Veja:
Caber: VTI, exige preposição "a".
Sobreviver: VTI, exige preposição "a".
Encaminhar: VTDI, exige preposição "a" para o objeto indireto.
Ficar: verbo de ligação ou intransitivo, não exige preposição "a" para complemento.
Além disso, é preciso observar se o termo seguinte é feminino e admite artigo. Em "a encargo", "encargo" é masculino, então não há artigo "a" — logo, sem crase. Em "a três regimes", "três" é numeral, e não se usa artigo antes de numeral — sem crase. Em "a mulheres", "mulheres" é feminino plural, mas o verbo "encaminhar" exige a preposição "a" e o artigo "as"? Sim, mas a alternativa E usa "a mulheres" sem crase, o que estaria errado se o artigo fosse usado; no entanto, a ausência de artigo é possível, mas a banca considera que a forma correta seria "às mulheres" se houvesse determinação. Vamos analisar cada uma.
Crase (preposição "a" + artigo "a(s)")
1Casos obrigatórios
Verbo exige "a" + termo feminino com artigo
Caber a → às organizações
Sobreviver a → às mudanças
2Casos proibidos
Antes de palavra masculina (a encargo)
Antes de numeral (a três regimes)
Verbo sem preposição (extinguir a Roda)
Sem artigo plural (a mulheres → às mulheres)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
"Em 1950 extinguiu-se definitivamente à Roda dos Expostos."
Aqui, o verbo "extinguir" é transitivo direto: extingue-se algo, não se extingue a algo. Portanto, não há preposição "a" exigida. O "a" antes de "Roda" é apenas artigo, sem preposição, então não há crase. O correto seria "extinguiu-se a Roda dos Expostos" (sem acento). A alternativa extrapola a regra ao colocar crase onde não há fusão.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Às organizações do Estado caberia administrar os negócios públicos."
Como explicado, o verbo "caber" exige preposição "a", e "organizações" é feminino plural com artigo "as". Fusão: a + as = às. A crase é obrigatória. A reescrita mantém o sentido do texto original: "ao Estado caberia a administração dos negócios públicos". Perfeita.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Muitos bebês ficavam à encargo de amas de leite que os amamentavam."
O problema: "encargo" é palavra masculina. Não há artigo feminino "a" para fundir com a preposição. O correto seria "a encargo" (sem crase), pois "encargo" não admite artigo "a". A alternativa erra ao usar crase diante de palavra masculina — caso proibido.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"A Roda dos Expostos sobreviveu à três grandes regimes de nossa história."
Aqui, o verbo "sobreviver" exige preposição "a", mas o termo seguinte é "três", um numeral. Não se usa artigo definido antes de numeral, portanto não há artigo "a" para fundir. O correto seria "sobreviveu a três grandes regimes" (sem crase). A alternativa erra ao usar crase diante de numeral — caso proibido.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Crianças eram encaminhadas à mulheres que as amamentavam."
O verbo "encaminhar" é VTDI: encaminha-se algo a alguém. A preposição "a" é exigida, e "mulheres" é feminino plural. No entanto, a forma correta seria "às mulheres" (com crase), pois há artigo "as" implícito. A alternativa usa "à mulheres" — sem o "s" do artigo, o que é um erro de concordância e de crase. O correto seria "às mulheres". A alternativa erra ao não usar o artigo plural, além de apresentar crase inadequada.
Conclusão
A única alternativa que emprega a crase corretamente é a B, pois une a preposição exigida por "caber" com o artigo feminino plural "as". As demais caem em casos proibidos: palavra masculina, numeral, verbo transitivo direto ou ausência de artigo. Lembre-se: crase só ocorre quando há fusão de preposição "a" + artigo feminino "a(s)". Teste sempre com a troca por palavra masculina: se aparecer "ao", há crase; se aparecer "o", não há.
PEGA ESSA DICA!
Na hora da prova, sublinhe o verbo e pergunte: "quem cabe, cabe a quê?". Se a resposta for "a algo", e esse algo for feminino, a crase é obrigatória. Desconfie de crase antes de masculino, numeral, verbo ou pronome de tratamento.