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Questão de Português — Questões Mescladas de Sintaxe — VUNESP 2023

PortuguêsQuestões Mescladas de Sintaxe
Código
vu184427
Banca
VUNESP
Órgão
CIJUN
Ano
2023
Cargo
Adv ( )

Enquanto um mundo novo repleto de oportunidades se abre ao adolescente que vislumbra a fase adulta, é possível que aos seus responsáveis reste uma sensação oposta, de um mundo com menos brilho do que havia antes de os filhos crescerem. E não precisa nem que o tal ninho vazio se concretize — muitas vezes, a dor já começa antes.

 

A educadora e pesquisadora do comportamento adolescente Carolina Delboni diz que, para muitos pais, a sensação nessa fase da vida é de que perderam os filhos. “E, como os pais não sabem se relacionar com essa ‘perda’, muitas vezes eles acabam se relacionando pela raiva”, afirma. Com isso, a distância em casa só aumenta: adultos num canto, magoados, e os jovens no outro, se sentindo incompreendidos e buscando compreensão lá fora.

 

Também é papel dos pais, segundo Delboni, quebrar os estereótipos da adolescência — evitar cair na tentação, por exemplo, de acusar os filhos de serem lacônicos, de não saírem do quarto e do celular, ou de dizer que conversar com eles é impossível. “A gente tem o costume de rebater tudo o que vem do universo adolescente, de dizer que é coisa fútil, de chamar a música que eles gostam de ruim, de falar que o lugar que eles escolheram para ir passear não é o melhor etc. Sempre temos algo a dizer que mostra que eles deveriam estar fazendo diferente”, afirma a pesquisadora.

 

Para ela, este hábito “corta todos os vínculos” com o jovem. “O que isso vai acrescentar às relações? Nada. Não vai melhorar o vínculo, pelo contrário, e ainda não vai tirar ele dali do celular. Por outro lado, você já experimentou perguntar o que ele está vendo? Pode ser que ele não mostre, mas você fez uma pergunta, demonstrou interesse. Nesse cotidiano, estamos sempre querendo tirar o adolescente à força do seu lugar em vez de nos deslocarmos para o canto dele, sem reclamar”.

 

(Marcella Franco. Estamos sempre querendo tirar o adolescente à força do

seu lugar, diz educadora. Folha de S. Paulo, 12.10.2023. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão.

   

Em “Enquanto um mundo novo repleto de oportunidades se abre ao adolescente...” (1º parágrafo), as expressões em destaque exercem, respectivamente, as funções de

  1. Acomplemento nominal e objeto indireto.
  2. Badjunto adnominal e complemento nominal.
  3. Ccomplemento nominal e agente da passiva.
  4. Dadjunto adverbial e agente da passiva.
  5. Eadjunto adnominal e objeto indireto.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — complemento nominal e objeto indireto.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Funções sintáticas: complemento nominal e objeto indireto

Gabarito: letra A. A alternativa correta é a que classifica "ao adolescente" como complemento nominal e "à fase adulta" como objeto indireto. A primeira expressão complementa o substantivo abstrato "oportunidades" (quem tem oportunidades, tem oportunidades para algo), enquanto a segunda complementa o verbo transitivo indireto "vislumbra" (quem vislumbra, vislumbra algo). Como se lê no 1º parágrafo: "Enquanto um mundo novo repleto de oportunidades se abre ao adolescente que vislumbra a fase adulta".

A questão cobra a análise sintática de termos preposicionados — um dos pontos mais traiçoeiros da sintaxe, pois exige distinguir funções que parecem idênticas na superfície. O comando é direto: pede a função de cada expressão destacada. Não há inferência nem interpretação; é pura aplicação de regra gramatical. O segredo está em identificar a que palavra cada termo se liga: se liga a um verbo, é complemento verbal (objeto); se liga a um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio), é complemento nominal ou adjunto adnominal.

Vamos ao trecho decisivo:

"Enquanto um mundo novo repleto de oportunidades se abre ao adolescente que vislumbra a fase adulta"

Aqui temos duas expressões preposicionadas: "ao adolescente" e "à fase adulta". A primeira se liga ao substantivo "oportunidades" — "oportunidades ao adolescente" — e, como "oportunidades" é um substantivo abstrato (nome), o termo preposicionado que o complementa é complemento nominal. A segunda se liga ao verbo "vislumbra" — "vislumbra a fase adulta" — e, como o verbo é transitivo indireto (quem vislumbra, vislumbra algo), o termo é objeto indireto.

A técnica que decide a questão é simples: pergunte a que palavra o termo se refere. Se a resposta for um verbo, é objeto (direto ou indireto); se for um nome, é complemento nominal ou adjunto adnominal. No caso, "ao adolescente" responde a "oportunidades de quê?" (nome), e "à fase adulta" responde a "vislumbra o quê?" (verbo). Essa distinção elimina as alternativas que confundem as duas funções.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura as funções justamente porque ambas são preposicionadas e parecem equivalentes. A armadilha está em não perceber que "ao adolescente" complementa um nome (oportunidades), e não um verbo. Quem lê rápido pode achar que "se abre" pede objeto indireto, mas o termo está ligado a "oportunidades", não ao verbo.

Termo preposicionado
  • 1Liga-se a VERBO
    • Objeto direto (sem preposição)
    • Objeto indireto (com preposição)
  • 2Liga-se a NOME
    • substantivo abstrato, adjetivo, advérbio
    • Complemento nominal (sentido passivo, receptor)
    • Adjunto adnominal (sentido ativo, agente/posse)
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta porque classifica "ao adolescente" como complemento nominal e "à fase adulta" como objeto indireto. No trecho, "oportunidades" é um substantivo abstrato que exige complemento preposicionado (oportunidades para alguém), e "vislumbra" é um verbo transitivo indireto que exige objeto (vislumbra algo). A classificação está perfeitamente ancorada no texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao classificar "ao adolescente" como adjunto adnominal. O adjunto adnominal tem sentido ativo (agente) ou de posse, e pode ser substituído por um adjetivo. "Ao adolescente" tem sentido passivo (receptor da oportunidade) e não pode ser trocado por um adjetivo — é complemento nominal. A segunda parte, "à fase adulta", está correta como complemento nominal, mas o erro na primeira já invalida a alternativa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao classificar "à fase adulta" como agente da passiva. O agente da passiva só ocorre em voz passiva, com verbo no particípio (ex.: "a fase adulta é vislumbrada pelo adolescente"). No trecho, "vislumbra" está na voz ativa, e "à fase adulta" é o objeto do verbo, não o agente. A primeira parte está correta (complemento nominal), mas a segunda invalida a alternativa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao classificar "ao adolescente" como adjunto adverbial e "à fase adulta" como agente da passiva. O adjunto adverbial indica circunstância (tempo, lugar, modo etc.) e não é exigido pelo nome; "ao adolescente" é exigido por "oportunidades" e tem valor de alvo, não de circunstância. Além disso, não há voz passiva no trecho, então não há agente da passiva.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao classificar "ao adolescente" como adjunto adnominal. Como visto, o termo tem sentido passivo e complementa o substantivo abstrato "oportunidades", sendo complemento nominal. A segunda parte, "à fase adulta", está correta como objeto indireto, mas o erro na primeira invalida a alternativa.

Gabarito: letra A. A regra de ouro: termo preposicionado ligado a verbo é objeto; ligado a nome (substantivo abstrato, adjetivo ou advérbio) é complemento nominal. Identifique o núcleo a que o termo se liga e a função se revela. Essa distinção é a chave para não cair na pegadinha da banca.

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