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Questão de Português — Termos Acessórios (Adjunto Adnominal, Adjunto Adverbial e Aposto). Vocativo — VUNESP 2023

PortuguêsTermos Acessórios (Adjunto Adnominal, Adjunto Adverbial e Aposto). Vocativo
Código
vu184441
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Peruíbe
Ano
2023
Cargo
Ag SE ( )

Em regra, idealizamos nossos profissionais da saúde(a) (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicoterapeutas, a lista é longa). Quando os consultamos, levando-lhes nossas dores,(b) depositamos neles toda nossa confiança, porque imaginamos, supomos que eles saibam sobre nós e nossos males exatamente o que é preciso para que eles possam nos curar. É bem possível que essa confiança seja excessiva, mas, mesmo em seu excesso, ela é útil para que um tratamento funcione.

 

Acreditar no médico que nos prescreve um remédio não é tudo, claro; ainda é preciso que ele prescreva o remédio certo. Mas é bem provável que, para quem acredita em seu médico, aumentem as chances de que o remédio prescrito seja eficaz, de que o paciente não caia na percentagem estatística dos que (sempre existem) não obtêm efeito algum com o remédio.

 

A importância da confiança para que os tratamentos funcionem vale provavelmente para todas as profissões da saúde. E vale mais ainda no caso da psicoterapia.

 

E vale mais ainda no caso da psicoterapia. Então, por que o psicoterapeuta não poderia esperar o tipo de vínculo duradouro e afetuoso que garante panetones, vinho e outros presentes nas festas? Porque nenhuma psicoterapia, seja ela qual for, deveria almejar a dependência do paciente. Transformar a confiança inicial numa eterna admiração e gratidão seria como substituir uma doença por um vício: você não tem mais pneumonia, mas tem uma necessidade visceral de tomar e venerar antibióticos.(c) De fato, se a psicoterapia faz seu efeito, o paciente para de idealizar o terapeuta.(d)

 

Há terapeutas que, aparentemente, cultivam o amor, a admiração e a gratidão de seus pacientes acima de tudo. Eles parecem se importar mais com isso do que com a eficácia dos tratamentos. Ou seja, há terapeutas que escolheram a profissão com uma boa dose daquela vontade de ser amado(e) e admirado, a mesma que talvez seja uma contraindicação para o exercício da profissão.

 

(Contardo Calligaris. Cartas a um jovem terapeuta: reflexões

para psicoterapeutas, aspirantes e curiosos. Paidós, 2021)

Assinale a alternativa em que a vírgula isola uma expressão temporal
  1. AEm regra, idealizamos nossos profissionais da saúde…
  2. BQuando os consultamos, levando-lhes nossas dores…
  3. C… você não tem mais pneumonia, mas tem uma necessidade visceral de tomar e venerar antibióticos
  4. D… se a terapia faz seu efeito, o paciente para de idealizar o terapeuta
  5. EOu seja, há terapeutas que escolheram a profissão com uma boa dose daquela vontade de ser amado…
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Quando os consultamos, levando-lhes nossas dores…

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vírgula e adjunto adverbial de tempo: como identificar a expressão temporal

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única em que a vírgula isola uma expressão temporal — no caso, a oração subordinada adverbial temporal "Quando os consultamos", que indica o momento em que depositamos confiança nos profissionais de saúde. Como se lê no texto: "Quando os consultamos, levando-lhes nossas dores, depositamos neles toda nossa confiança". A vírgula após a oração anteposta marca o deslocamento do adjunto adverbial de tempo, que poderia vir no final sem vírgula: "Depositamos neles toda nossa confiança quando os consultamos".

O comando: o que a banca pede

A questão pede que você identifique em qual alternativa a vírgula isola uma expressão temporal. Isso significa que o termo isolado deve ter valor de tempo (quando? em que momento?) e ser um adjunto adverbial — ou seja, um termo que modifica o verbo, indicando circunstância. A pegadinha está em distinguir adjunto adverbial (uma palavra ou locução, como "em regra", "à noite") de oração subordinada adverbial (uma oração inteira com verbo, como "quando os consultamos"). A banca usa o termo "expressão temporal" de forma ampla, incluindo a oração, mas a alternativa correta é a que apresenta claramente uma circunstância de tempo isolada por vírgula.

O texto: onde mora a resposta

No trecho da alternativa B, a oração "Quando os consultamos" funciona como adjunto adverbial de tempo: ela responde à pergunta "quando depositamos confiança?" — resposta: "quando os consultamos". A vírgula a isola porque ela está deslocada (anteposta à oração principal). Essa é uma regra clássica: adjunto adverbial antecipado, ainda que de curta extensão, pode ser isolado por vírgula (facultativo), e quando é uma oração inteira, a vírgula é obrigatória. As demais alternativas ou não têm valor temporal, ou a vírgula isola outro tipo de estrutura.

A técnica: como testar cada alternativa

Para cada alternativa, pergunte: o termo isolado pela vírgula indica tempo? Se sim, é a correta. Se não, identifique o que ele indica (modo, condição, oposição, explicação) e descarte. Veja a análise:

1Responde a "quando?"
2Teste: substituir por "agora", "ontem"
3Anteposto → vírgula
Obrigatória (oração)
Facultativa (curta extensão)
4Confusões comuns
Modo ("Em regra")
Condição ("se a terapia faz efeito")
Oposição ("mas")
Explicação ("Ou seja")
Adjunto adverbial de tempo
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Adjunto adverbial de tempo: Responde a "quando?"; Teste: substituir por "agora", "ontem"; Anteposto → vírgula (Obrigatória (oração), Facultativa (curta extensão)); Confusões comuns (Modo ("Em regra"), Condição ("se a terapia faz efeito"), Oposição ("mas"), Explicação ("Ou seja"))

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Em regra, idealizamos nossos profissionais da saúde…"

A expressão "Em regra" é um adjunto adverbial de modo (ou melhor, uma expressão que indica "de modo geral", "normalmente"), não de tempo. Ela responde a "como?", não a "quando?". A vírgula isola um adjunto adverbial deslocado, mas o valor é de modo, não temporal. Erro: troca de conceito — confunde modo com tempo.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Quando os consultamos, levando-lhes nossas dores…"

A oração "Quando os consultamos" é um adjunto adverbial de tempo: indica o momento em que a ação de depositar confiança ocorre. A vírgula a isola porque está anteposta à oração principal. É exatamente o que o enunciado pede: a vírgula isolando uma expressão temporal. Correta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"… você não tem mais pneumonia, mas tem uma necessidade visceral de tomar e venerar antibióticos"

A vírgula antes de "mas" isola uma oração coordenada adversativa (ideia de oposição). Não há expressão temporal alguma. Erro: troca de conceito — confunde oração adversativa com adjunto adverbial de tempo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"… se a terapia faz seu efeito, o paciente para de idealizar o terapeuta"

A oração "se a terapia faz seu efeito" é uma oração subordinada adverbial condicional (indica condição, não tempo). A vírgula a isola por estar anteposta, mas o valor é de condição, não de tempo. Erro: troca de conceito — confunde condição com tempo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Ou seja, há terapeutas que escolheram a profissão com uma boa dose daquela vontade de ser amado…"

A expressão "Ou seja" é um conectivo de explicação (retifica ou explica o que foi dito). A vírgula a isola por ser uma expressão explicativa intercalada, mas não há valor temporal. Erro: troca de conceito — confunde explicação com tempo.

Fechamento

A regra de ouro: adjunto adverbial de tempo responde a "quando?". Na dúvida, substitua o termo por "agora", "ontem", "à noite" — se fizer sentido, é tempo. Aqui, apenas a oração "Quando os consultamos" passa no teste. As demais alternativas ou têm outro valor semântico ou isolam estruturas diferentes. Fique atento: a banca adora trocar o valor do adjunto (modo por tempo, condição por tempo) para confundir.

Gabarito: letra B.

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