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Questão de Português — Questões Variadas de Classe de Palavras — VUNESP 2023

PortuguêsQuestões Variadas de Classe de Palavras
Código
vu184447
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Peruíbe
Ano
2023
Cargo
Dir Esc (Peruíbe)

Uma pesquisa demonstra que a melatonina, conhecida popularmente como “hormônio do sono”, a despeito de seu efeito antioxidante e regulador do sono, pode piorar a inflamação intestinal, dependendo do conjunto de bactérias que vivem no corpo humano, especialmente no intestino do hospedeiro – isto é, na microbiota, antigamente chamada “flora intestinal”.

 

O uso de melatonina pela população, sem prescrição médica, tem sido bastante corriqueiro para dormir melhor.

 

“O problema principal é que todo mundo acha que é inócuo, que um hormônio como a melatonina não causa males, só melhora o sono, e o que esse estudo acaba de revelar é que as pessoas têm de ficar atentas, porque uma suplementação hormonal pode melhorar o sono, mas pode piorar outra coisa”, diz a professora Cristina Ribeiro de Barros Cardoso, da Universidade de São Paulo (USP).

 

No laboratório de Cardoso, enfermidades inflamatórias intestinais são pesquisadas, entre elas doença de Crohn e retocolite ulcerativa. São condições imunomediadas, ou seja, correspondem a respostas imunológicas descontroladas que acabam causando destruição no trato gastrointestinal e efeitos clínicos muito fortes, como dores abdominais, diarreias constantes, sangramentos e muita fadiga. É preciso, assim, diminuir ou suprimir a imunidade para reduzir a inflamação excessiva que causa danos ao intestino.

 

A pesquisadora ressalta que muitos pacientes não respondem adequadamente nem mesmo aos tratamentos mais modernos e dispendiosos, gerando a necessidade de cirurgias para a remoção de partes do intestino. Esses são procedimentos bastante invasivos para os pacientes, com consequências diretas na sua qualidade de vida, o que levou o grupo de pesquisa a procurar novas opções terapêuticas.

 

A melatonina, então, entrou no foco de investigação do grupo de Cardoso. O hormônio pode atuar como antioxidante e melhorar diversas condições fisiológicas ou patológicas. “Começamos esse trabalho imaginando que teríamos um potencial novo tratamento para doença de Crohn e retocolite ulcerativa, mas, para nossa surpresa, o que vimos foi exatamente o contrário. E esse alerta precisa ser feito”, ressalva Cardoso.

 

(Ricardo Muniz. Melatonina, comumente usada para dormir melhor, pode piorar

quadros de inflamação intestinal. www1.folha.uol.com.br, 28.04.2023. Adaptado)

No trecho “Esses são procedimentos bastante invasivos para os pacientes…”, o vocábulo destacado pertence à mesma classe de palavras que na frase:

  1. AO paciente se submeteu a um tratamento que não era bastante para curá-lo.
  2. BPor irritar bastante o intestino, o medicamento foi considerado inapropriado.
  3. CBastante gente tem mostrado preocupação com a saúde gastrointestinal.
  4. DA pesquisa foi considerada bastante para abolir o medicamento do país.
  5. ENão se falou o bastante ainda sobre os efeitos adversos de certos medicamentos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Por irritar bastante o intestino, o medicamento foi considerado inapropriado.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Classe de palavras: o advérbio "bastante"

Gabarito: letra B. No trecho do texto, "bastante" é advérbio de intensidade, pois intensifica o adjetivo "invasivos" (procedimentos bastante invasivos = muito invasivos). A única alternativa em que "bastante" exerce a mesma função é a B, em que ele intensifica o verbo "irritar" (irritar bastante = irritar muito). Nas demais, "bastante" é adjetivo (A e D) ou pronome indefinido (C e E).

O comando

A questão pede que você identifique a classe gramatical de "bastante" no contexto do texto e encontre a frase em que a palavra pertence à mesma classe. Isso é uma questão de morfologia (classificação das palavras) aplicada ao contexto — não basta saber que "bastante" pode ser advérbio ou adjetivo; é preciso analisar a função que ela exerce em cada frase.

O texto e a palavra em questão

No trecho "Esses são procedimentos bastante invasivos para os pacientes", a palavra "bastante" modifica o adjetivo "invasivos", indicando intensidade (procedimentos muito invasivos). Quando uma palavra modifica um adjetivo, um verbo ou outro advérbio, ela é um advérbio. Portanto, no texto, "bastante" é advérbio de intensidade.

A técnica: como identificar a classe de "bastante"

A palavra "bastante" pode pertencer a três classes, dependendo do contexto:

Classe

Função

Exemplo

Advérbio

Intensifica verbo, adjetivo ou outro advérbio (equivale a "muito")

"Ela é bastante inteligente."

Adjetivo

Qualifica um substantivo (equivale a "suficiente")

"Havia bastantes motivos."

Pronome indefinido

Acompanha ou substitui um substantivo, indicando quantidade indefinida

"Bastante gente chegou."

A pegadinha da banca é que "bastante" é uma palavra polissêmica (tem vários sentidos) e polimórfica (pode ser de várias classes). O candidato que decora "bastante é advérbio" erra; o que analisa o contexto acerta.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a polissemia de "bastante": em todas as alternativas a palavra aparece, mas com classes diferentes. A armadilha é escolher uma em que ela seja adjetivo ou pronome, achando que é a mesma coisa.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

"O paciente se submeteu a um tratamento que não era bastante para curá-lo."

Aqui, "bastante" é adjetivo, pois qualifica o substantivo "tratamento" (o tratamento não era suficiente). Equivale a "suficiente". No texto, é advérbio. Erro: troca de classe (adjetivo × advérbio).

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Por irritar bastante o intestino, o medicamento foi considerado inapropriado."

Aqui, "bastante" intensifica o verbo "irritar" (irritar muito). É advérbio de intensidade, exatamente como no texto, em que intensifica o adjetivo "invasivos". É a única que mantém a classe original.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Bastante gente tem mostrado preocupação com a saúde gastrointestinal."

Aqui, "bastante" acompanha o substantivo "gente", indicando quantidade indefinida. É pronome indefinido. No texto, é advérbio. Erro: troca de classe (pronome indefinido × advérbio).

Alternativa D — ❌ Incorreta

"A pesquisa foi considerada bastante para abolir o medicamento do país."

Aqui, "bastante" é adjetivo, pois qualifica o substantivo "pesquisa" (a pesquisa foi suficiente). Equivale a "suficiente". No texto, é advérbio. Erro: troca de classe (adjetivo × advérbio).

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Não se falou o bastante ainda sobre os efeitos adversos de certos medicamentos."

Aqui, "bastante" vem precedido do artigo "o", funcionando como substantivo (o bastante = o suficiente). No texto, é advérbio. Erro: troca de classe (substantivo × advérbio).

Conclusão

A questão testa a capacidade de reconhecer a classe gramatical pelo contexto. A palavra "bastante" só é advérbio quando intensifica um verbo, um adjetivo ou outro advérbio. No texto, intensifica o adjetivo "invasivos"; na alternativa B, intensifica o verbo "irritar". Nas demais, ela é adjetivo, pronome indefinido ou substantivo. Gabarito: letra B.

PEGA ESSA DICA!

Ao encontrar uma palavra que pode ter várias classes, pergunte: o que ela modifica? Se modifica verbo, adjetivo ou advérbio → advérbio. Se modifica substantivo → adjetivo ou pronome. Se vem precedida de artigo → substantivo.

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