Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Crase — VUNESP 2023

PortuguêsCrase
Código
vu184461
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Osasco
Ano
2023
Cargo
Enf ( )

Idosos e robôs

 

Bona Poli, 85 anos, pediu para ouvir uma história. “Uma excelente escolha”, disse o pequeno robô, instruindo-a a ouvir com atenção. “Era uma vez”, o robô começou e, ao terminar, perguntou a ela qual era o trabalho do protagonista.

 

“Pastor”, Bona respondeu. “Fantástico”, disse o robô. “Você tem uma excelente memória.”

 

A cena ocorre no momento em que tanto a promessa quanto os perigos da inteligência artificial estão ficando mais evidentes. Mas, para cuidadores exaustos, que se reuniram em Carpi (Itália), essa situação apontou para um futuro bem-vindo, quando humanoides poderão ajudar famílias a compartilhar o peso de manter a população idosa estimulada, ativa e saudável.

 

“Agache e alongue”, disse o robô, levantando-se e conduzindo exercícios de postura. As mulheres na sala observavam – algumas entretidas, outras cautelosas, porém todas loucas para saber como a nova tecnologia poderia ajudá-las a cuidar de seus parentes idosos.

 

Elas ouviam a voz calma e automatizada do robô e davam feedback do mundo real. O objetivo era ajudar os programadores a projetar uma máquina mais atraente e útil para dar assistência às famílias italianas cada vez mais sobrecarregadas.

 

A Itália está se preparando para um boom populacional de idosos. Mais de 7 milhões dos quase 60 milhões de italianos já têm mais de 75 anos. E 3,8 milhões não são considerados autossuficientes.

 

“A revolução”, disse Olimpia Pino, professora de psicologia da Universidade de Parma, seria se um “robô pudesse colaborar com esses cuidados”. A inteligência artificial pode tornar os robôs mais responsivos, disse ela, mantendo os idosos autossuficientes por mais tempo e proporcionando mais alívio aos cuidadores.

 

A Itália, assim como outros países, está sendo fustigada por grandes ventos demográficos. As baixas taxas de natalidade e a fuga de muitos jovens em busca de oportunidades econômicas no exterior exauriram os postos de cuidadores.

 

São as mulheres que geralmente assumem os cuidados dos familiares, o que as retira da força de trabalho, prejudicando a economia e, dizem os especialistas, diminuindo ainda mais as taxas de natalidade.

 

Leonardo Saponaro, estudante de psicologia que dirigia o grupo, explicou que o robô não é um substituto das pessoas, “mas pode ser uma companhia”.

 

(Jason Horowitz. O Estado de S. Paulo, 10.05.2023. Adaptado)

O sinal indicativo de crase está corretamente empregado na alternativa:
  1. AEm breve as famílias italianas não terão à quem recorrer para auxiliá-las no trato de idosos que são dependentes.
  2. BMuitos países precisam proceder à uma mudança social visando o acolhimento dos idosos e a manutenção da força de trabalho.
  3. CO encontro em Carpi reuniu idosos e cuidadores e, devido à essa oportunidade, os participantes conheceram o pequeno robô.
  4. DDadas às necessidades de combater o sedentarismo dos idosos, o robô praticou exercícios físicos com a plateia.
  5. EPara estabelecer empatia, o objetivo dos estudiosos é criar robôs que tenham reações análogas às de um ser humano.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — Para estabelecer empatia, o objetivo dos estudiosos é criar robôs que tenham reações análogas às de um ser humano.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase: quando a preposição encontra o artigo

Gabarito: letra E. A crase em "análogas às de um ser humano" é correta porque o adjetivo "análogas" exige a preposição a (quem é análogo, é análogo a algo) e o termo seguinte, "as", é o pronome demonstrativo "as" (= aquelas), que admite o artigo. Temos a fusão: a + as = às. Como se vê, a banca cobra o caso clássico de crase antes de pronome demonstrativo, que é obrigatória.

O comando pede a alternativa em que o sinal indicativo de crase está corretamente empregado. Isso significa que devemos analisar cada ocorrência de "à" e verificar se há, de fato, a fusão da preposição a com o artigo feminino a ou com o pronome demonstrativo a/as. A crase nunca ocorre antes de palavras masculinas, antes de verbos, antes de pronomes de tratamento, antes de "uma" (artigo indefinido) e antes de pronomes que não admitem artigo, como "quem", "essa", "esta".

A técnica decisiva é o teste da troca: substitua o termo feminino por um masculino equivalente. Se aparecer "ao", há crase; se aparecer apenas "ao" sem crase, não há. Por exemplo: "análogas ao comportamento de um ser humano" — como surge "ao", a forma feminina correta é "às". Esse teste resolve a questão sem decoreba.

A alternativa E é a única que passa no teste. Nas demais, ou falta a preposição (caso A), ou há um termo que não admite artigo (casos B, C e D). Vamos analisar cada uma.

Crase
  • 1Obrigatória
    • Antes de pronome demonstrativo (a/as = aquelas)
      • Ex.: análogas às de um ser humano
  • 2Proibida
    • Antes de pronome relativo (quem)
    • Antes de artigo indefinido (uma)
    • Antes de pronome demonstrativo que não admite artigo
    • Após particípio sem preposição (dadas as necessidades)
  • 3Teste da troca
    • Trocar por termo masculino
    • Surge "ao" → há crase
    • Não surge → não há crase
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

"não terão à quem recorrer"

Aqui, "quem" é um pronome relativo que não admite artigo — por isso, a crase é proibida. O correto é "a quem" (sem acento). A banca explora a confusão entre crase obrigatória e proibida: o verbo "ter" não exige preposição, e "quem" não aceita artigo feminino. Erro: crase proibida antes de pronome relativo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"proceder à uma mudança social"

"Uma" é artigo indefinido e não admite crase — a preposição "a" (exigida por "proceder a") fica sozinha: "proceder a uma mudança". A crase só ocorre com artigo definido a/as. Erro: crase proibida antes de artigo indefinido.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"devido à essa oportunidade"

"Essa" é pronome demonstrativo que não admite artigo — por isso, não há crase. O correto é "devido a essa oportunidade". A banca tenta confundir com o caso de "àquela", que admite crase, mas "essa" não. Erro: crase proibida antes de pronome demonstrativo que não admite artigo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Dadas às necessidades"

Aqui, "dadas" é particípio que rege sem preposição (quem dá, dá algo a alguém — mas "dadas as necessidades" é locução invariável, sem crase). O correto é "Dadas as necessidades". A banca coloca crase indevida após particípio, confundindo com regência nominal. Erro: crase indevida após particípio sem preposição.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"reações análogas às de um ser humano"

Aqui, "análogas" exige preposição a (quem é análogo, é análogo a algo). O termo seguinte, "as", é pronome demonstrativo (= aquelas reações). Fusão: a + as = às. O teste da troca confirma: "reações análogas ao comportamento de um ser humano" — surge "ao", logo a forma feminina é "às". Crase obrigatória antes de pronome demonstrativo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura casos de crase proibida (antes de "quem", "uma", "essa", "essa oportunidade") com o caso obrigatório de crase antes de pronome demonstrativo "as" (= aquelas).

PEGA ESSA DICA!

Aplique o teste da troca por masculino: se aparecer "ao", há crase; se aparecer "ao" sem crase, não há. Isso resolve a questão sem decoreba.

Conclusão: a única alternativa em que o sinal indicativo de crase está corretamente empregado é a letra E, pois há a fusão da preposição "a" (exigida por "análogas") com o pronome demonstrativo "as" (= aquelas). As demais apresentam crase proibida ou indevida. Gabarito: letra E.

Link permanente: /questoes/vu184461