Leia o trecho a seguir, ainda da mesma obra de Marcos Meier e Jeanine Rolim.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em seu artigo 245, determina como infração:
Art.245. Deixar o médico, professor ou responsável por estabelecimento de atenção saúde e de ensino fundamental, pré-escola ou creche, de comunicar autoridade competente os casos tenha conhecimento, envolvendo suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente. (Brasil, 1990)
A alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas, em conformidade com a norma-padrão do emprego do acento indicativo de crase e da concordância nominal, é:
Aa ... à ... que
Bà ... à ... de que
Ca ... a ... com que
Dà ... a ... que
Ea ... a ... por que
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GabaritoB — à ... à ... de que
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Crase e regência no Art. 245 do ECA: preenchendo as lacunas
Gabarito: letra B. A alternativa B é a única que preenche as três lacunas corretamente: "à" (locução adverbial feminina "à saúde"), "à" (crase obrigatória antes de "a qual", exigida pela regência de "comunicar") e "de que" (regência de "ter conhecimento"). A passagem que ancora a resposta está no próprio texto do artigo: "comunicar à autoridade competente os casos de que tenha conhecimento".
O comando: o que a banca pede
A questão pede que você preencha as lacunas do Art. 245 do ECA em conformidade com a norma-padrão do emprego da crase e da concordância nominal. Isso significa que você deve aplicar as regras de crase (obrigatória, facultativa, proibida) e de regência verbal/nominal, além de observar o uso correto do pronome relativo. Não é uma questão de interpretação de texto, mas de gramática normativa aplicada a um trecho legal.
O texto: o que ele diz e onde mora a resposta
O trecho transcrito é o caput do Art. 245 do ECA, que tipifica a infração de deixar de comunicar maus-tratos. As lacunas estão exatamente nos pontos que exigem conhecimento de regência e crase:
"atenção à saúde" — locução adverbial feminina, com crase obrigatória;
"comunicar à autoridade competente" — quem comunica, comunica algo a alguém, e "autoridade" é feminino, então preposição + artigo = crase;
"os casos de que tenha conhecimento" — quem tem conhecimento, tem conhecimento de algo, e o pronome relativo "que" retoma "casos", exigindo a preposição "de".
A técnica: como decidir cada lacuna
Primeira lacuna: "atenção à saúde". A expressão "à saúde" é uma locução adverbial feminina (como "à noite", "à tarde"), e o substantivo "saúde" admite artigo feminino "a". Portanto, crase obrigatória. Se você trocar por um masculino, diria "atenção ao saúde"? Não — diria "atenção à saúde" (feminino), então há crase.
Segunda lacuna: "comunicar à autoridade competente". O verbo "comunicar" é transitivo direto e indireto (VTDI): comunica-se algo a alguém. O complemento indireto é "autoridade competente", que é feminino e admite artigo "a". Logo, preposição "a" + artigo "a" = "à". Se fosse masculino, seria "ao" (ex.: "comunicar ao juiz").
Terceira lacuna: "os casos de que tenha conhecimento". A locução verbal "ter conhecimento" exige a preposição "de" (quem tem conhecimento, tem conhecimento de algo). O pronome relativo "que" retoma "casos", e a preposição "de" deve vir antes dele: "os casos de que tenha conhecimento". Não se usa apenas "que" (sem preposição) porque o verbo "ter" não é transitivo direto nessa construção — o complemento é indireto.
A pegadinha da banca
A banca mistura três armadilhas clássicas:
Crase antes de palavra feminina — muitos candidatos acham que "saúde" é masculino ou que não admite artigo, mas é feminino e admite, então há crase.
Regência de "comunicar" — confundir com "comunicar algo" (VTD) e esquecer o objeto indireto "a alguém".
Uso do "de que" — trocar por "que" (sem preposição) ou por "com que" (preposição errada).
Análise das alternativas
Crase e regência (Art. 245 ECA)
11ª lacuna: "atenção à saúde"
Locução adverbial feminina
Crase obrigatória
22ª lacuna: "comunicar à autoridade"
Verbo VTDI (comunica algo a alguém)
Crase: preposição + artigo
33ª lacuna: "casos de que tenha conhecimento"
Regência de "ter conhecimento" (de algo)
Pronome relativo com preposição "de"
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa A traz "a ... à ... que". O erro está na primeira lacuna ("a saúde" sem crase) e na terceira ("que" sem a preposição "de"). A primeira lacuna exige crase ("à saúde"), e a terceira exige "de que" (regência de "ter conhecimento"). A segunda lacuna está correta ("à autoridade"), mas as outras duas derrubam a alternativa.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa B traz "à ... à ... de que". Preenche corretamente as três lacunas:
"atenção à saúde" — crase obrigatória em locução adverbial feminina;
"comunicar à autoridade competente" — crase pela regência de "comunicar" (comunicar algo a alguém) + artigo feminino;
"os casos de que tenha conhecimento" — preposição "de" exigida por "ter conhecimento".
É a única alternativa que respeita a norma-padrão em todos os pontos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C traz "a ... a ... com que". Erra na primeira (sem crase em "à saúde"), na segunda ("a autoridade" sem crase, mas o verbo "comunicar" exige preposição "a" + artigo "a" = "à") e na terceira ("com que" — a preposição correta é "de", não "com").
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D traz "à ... a ... que". Acerta a primeira ("à saúde"), mas erra a segunda ("a autoridade" sem crase — deveria ser "à") e a terceira ("que" sem a preposição "de").
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E traz "a ... a ... por que". Erra na primeira (sem crase em "à saúde"), na segunda ("a autoridade" sem crase) e na terceira ("por que" — a preposição correta é "de", não "por").
Conclusão
A questão testa três habilidades: reconhecer crase em locução adverbial feminina, aplicar a regência de "comunicar" e usar corretamente o pronome relativo com a preposição exigida pelo verbo. A alternativa B é a única que acerta as três. Gabarito: letra B.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de lacunas, teste cada lacuna isoladamente: substitua o termo por um masculino equivalente (se aparecer "ao", há crase; se aparecer "ao" e o termo for feminino, use "à") e verifique a regência do verbo/nome (pergunte "quem comunica, comunica o quê a quem?").