(Charles Schulz. Snoopy: assim é a vida, Charlie Brown! Porto Alegre: L&PM, 2009. Adaptado)
No trecho “Eu só li…” (4º quadro), o vocábulo só pertence à mesma classe de palavras que o destacado na frase:
AUma só professora percebeu que a menina não tinha compreendido o assunto.
BA menina havia lido aquele texto sobre o cometa Halley uma só vez.
CA menina leu o texto quando estava só e, por isso, não prestara atenção.
DEla só prestou atenção no som das palavras, mas não no seu significado.
EEm vez de ajudá-la, a professora pediu que a menina lesse por si só.
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GabaritoD — Ela só prestou atenção no som das palavras, mas não no seu significado.
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O vocábulo "só" como advérbio: a classe se decide pelo contexto
Gabarito: letra D. No trecho "Eu só li…", o vocábulo só é advérbio, pois modifica o verbo li, indicando que a ação se restringiu a algo ("apenas li"). A alternativa D é a única que repete exatamente esse uso: em "Ela só prestou atenção no som das palavras", o só também modifica o verbo prestou, com valor de "apenas". As demais alternativas empregam só como adjetivo (sinônimo de "sozinho" ou "único"), o que as torna incorretas.
A questão cobra morfologia aplicada ao contexto: a mesma palavra pode pertencer a classes diferentes dependendo da função que exerce na frase. O comando pede que você identifique, entre as opções, aquela em que só tem a mesma classe gramatical do que aparece no texto-base — ou seja, você não pode classificar a palavra isoladamente; precisa analisar o papel sintático que ela desempenha em cada construção.
No trecho original, "Eu só li…", o só está antes do verbo e o modifica diretamente: "li" é o núcleo do predicado, e "só" indica que a leitura foi a única coisa feita (ou que se leu apenas parte de algo). Essa é a função típica do advérbio: modificar um verbo, um adjetivo ou outro advérbio. A prova clássica é substituir por "apenas": "Eu apenas li" — a frase continua gramatical e semanticamente equivalente, o que confirma a classe adverbial.
A armadilha central da banca é o uso polissêmico de "só": a mesma palavra pode ser advérbio (quando modifica verbo, com sentido de "apenas") ou adjetivo (quando modifica substantivo, com sentido de "sozinho", "único", "desacompanhado"). Veja como isso se manifesta nas alternativas:
Alternativa
Uso de "só"
Classe
Sentido
A
"Uma só professora"
Adjetivo
única
B
"uma só vez"
Adjetivo
única
C
"quando estava só"
Adjetivo
sozinha
D
"só prestou atenção"
Advérbio
apenas
E
"por si só"
Adjetivo
sozinha
A tabela revela o padrão: quatro alternativas usam só como adjetivo (modificando substantivo ou com valor de "sozinho"), e apenas a D o usa como advérbio, exatamente como no texto-base. A banca não quer que você decore a classe; quer que você observe a função da palavra na frase.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a polissemia de "só" — a mesma grafia com sentidos e classes diferentes. A alternativa C é a mais sedutora, pois "estava só" parece adverbial, mas ali "só" é predicativo do sujeito (adjetivo = sozinha), não advérbio. A D é a única em que "só" pode ser trocado por "apenas" sem alterar o sentido — o teste decisivo.
Só (polissemia)
1Advérbio (apenas)
Modifica verbo
"Eu só li"
"só prestou atenção"
2Adjetivo (único/sozinho)
Modifica substantivo
"uma só professora"
"uma só vez"
Predicativo do sujeito
"estava só"
Expressão "por si só"
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Em "Uma só professora percebeu…", o só modifica o substantivo professora, com sentido de "única". Trata-se de um adjetivo, pois caracteriza o nome. A prova: substitua por "apenas" — "Uma apenas professora" não funciona; mas "Uma única professora" sim. Como no texto-base o só é advérbio (modifica o verbo), esta alternativa não repete a mesma classe.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Em "uma só vez", o só modifica o substantivo vez, com sentido de "única". Novamente é adjetivo. A substituição por "apenas" também não funciona naturalmente ("uma apenas vez" é estranho), enquanto "uma única vez" preserva o sentido. Portanto, classe diferente da do texto-base.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Em "quando estava só", o só é predicativo do sujeito — ou seja, atribui uma qualidade ao sujeito "ela" (estava sozinha). Aqui ele funciona como adjetivo, não como advérbio. A substituição por "apenas" muda completamente o sentido: "quando estava apenas" não faz sentido. Esta é a alternativa que mais confunde, pois "só" aparece após verbo de ligação, mas a função é adjetiva.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Em "Ela só prestou atenção no som das palavras", o só modifica o verbo prestou, com sentido de "apenas". A substituição funciona perfeitamente: "Ela apenas prestou atenção no som das palavras". Essa é exatamente a mesma função do só em "Eu só li…" — advérbio modificando verbo. A classe gramatical é idêntica, e o sentido de restrição também.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Em "lesse por si só", o só integra a expressão "por si só", que significa "sozinha", "sem ajuda". Aqui ele tem valor de adjetivo (ou, em algumas análises, de palavra denotativa), mas certamente não modifica verbo com sentido de "apenas". A substituição por "apenas" destruiria a expressão: "lesse por si apenas" não faz sentido. Classe diferente da do texto-base.
PEGA ESSA DICA!
Para resolver questões de classe gramatical de palavras polissêmicas, aplique o teste da substituição: troque o vocábulo por um sinônimo inequívoco. Se "só" puder ser trocado por "apenas" sem alterar o sentido, é advérbio; se puder ser trocado por "único" ou "sozinho", é adjetivo. Esse teste resolve a questão em segundos.
Gabarito: letra D — a única em que "só" é advérbio, modificando o verbo com sentido de "apenas", exatamente como no texto-base.