Questão de Português — Significação de Vocábulo e Expressões — VUNESP 2023
Português›Significação de Vocábulo e Expressões
Código
vu184482
Banca
VUNESP
Órgão
Pref SBO
Ano
2023
Cargo
Ana ( )
Para comer depois
Na minha cidade, nos domingos de tarde,
as pessoas se põem na sombra com faca e laranjas.
Tomam a fresca e riem do rapaz de bicicleta,
a campainha desatada, o aro enfeitado de laranjas:
Daqui a muito progresso tecno-ilógico,
quando for impossível detectar o domingo
pelo sumo das laranjas no ar e bicicletas,
em meu país de memória e sentimento,
basta fechar os olhos:
é domingo, é domingo, é domingo.
(Adélia Prado. Bagagem. Rio de Janeiro: Record, 1976.)
Em “quando for impossível detectar o domingo / pelo sumo das laranjas no ar e bicicletas”, o termo destacado introduz a ideia de
Ameio.
Bcausa.
Cintensidade.
Ddúvida.
Eafirmação.
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GabaritoA — meio.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Valor semântico da preposição "por" no poema de Adélia Prado
Gabarito: letra A. O termo destacado "pelo" (contração de "por" + "o") introduz a ideia de meio, pois indica o instrumento ou a forma pela qual se detecta o domingo: o sumo das laranjas no ar e as bicicletas. Como se lê no texto: "quando for impossível detectar o domingo / pelo sumo das laranjas no ar e bicicletas" — ou seja, o domingo é percebido por meio de esses elementos sensoriais, não por causa deles.
O comando da questão
O enunciado pergunta qual ideia o termo "pelo" introduz no trecho. Isso é uma questão de semântica contextual: não se trata de classificar a palavra isoladamente, mas de perceber a relação que ela estabelece entre o ato de "detectar o domingo" e os elementos "sumo das laranjas" e "bicicletas". A preposição "por" é polissêmica — pode indicar causa, meio, lugar, tempo, entre outros — e o contexto decide o valor.
O texto e o movimento argumentativo
O poema descreve uma cena dominical típica: pessoas na sombra, com faca e laranjas, um rapaz de bicicleta. O eu lírico imagina um futuro em que esses sinais não existirão mais, tornando impossível "detectar o domingo" por esses meios. A chave está na palavra "detectar": o domingo é algo que se percebe, se identifica, e os elementos citados são os instrumentos dessa percepção. Não são a causa do domingo (o domingo não acontece por causa das laranjas), mas o meio pelo qual ele se manifesta aos sentidos.
A técnica que decide
Para distinguir meio de causa, pergunte: "o elemento é o motivo pelo qual algo acontece, ou é a ferramenta/forma pela qual algo é feito?" No trecho, "detectar o domingo" é a ação; "pelo sumo das laranjas e bicicletas" responde a "como?" — é o meio. Se fosse causa, a frase diria algo como "o domingo acontece por causa das laranjas", o que não faz sentido. A preposição "por" com valor de meio é comum: "cortar com a faca", "viajar de avião" — aqui, "detectar pelo sumo" equivale a "detectar através do sumo".
Análise das alternativas
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A preposição "pelo" indica meio: o sumo das laranjas e as bicicletas são o instrumento sensorial pelo qual se identifica o domingo. O texto diz "detectar o domingo pelo sumo das laranjas no ar e bicicletas" — ou seja, por meio de esses elementos. A paráfrase correta seria: "quando for impossível detectar o domingo através de / por meio de o sumo das laranjas e das bicicletas".
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B afirma que "pelo" introduz causa. Isso é uma troca de conceito: causa seria se o sumo das laranjas e as bicicletas fossem o motivo pelo qual o domingo existe ou acontece. No texto, eles são apenas os sinais que permitem reconhecer o domingo, não a sua causa. O domingo não é causado pelas laranjas; ele é detectado por meio delas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C fala em intensidade. Não há qualquer relação de intensidade no trecho: "pelo sumo das laranjas" não expressa grau, quantidade ou ênfase. A preposição "por" não tem esse valor aqui. É uma extrapolação — a banca oferece uma ideia que não encontra apoio no texto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D fala em dúvida. O trecho é uma afirmação sobre uma possibilidade futura ("quando for impossível"), mas o termo "pelo" não introduz dúvida. A dúvida seria expressa por palavras como "talvez", "quem sabe", "será que". Aqui, "pelo" apenas conecta a ação de detectar ao meio. É uma fuga ao tema — a ideia de dúvida não está presente no trecho.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E fala em afirmação. O trecho é afirmativo, mas o termo "pelo" não é um marcador de afirmação. Afirmação seria expressa por advérbios como "sim", "certamente", "de fato". A preposição "pelo" tem função relacional, não de afirmação. É outra troca de conceito — confunde o valor da preposição com o modo do enunciado.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre meio e causa. O "por" pode indicar ambos, mas no contexto, o sumo das laranjas e as bicicletas são o meio pelo qual se detecta o domingo, não a causa do domingo. Teste sempre: "é o motivo ou é a ferramenta?"
PEGA ESSA DICA!
Ao encontrar preposição "por" em questões de valor semântico, pergunte: "responde a 'por quê?' (causa) ou a 'como?' (meio)?" No trecho, "detectar o domingo como? pelo sumo das laranjas" — meio.
Gabarito: letra A. A única alternativa inteiramente sustentada pelo texto é a que reconhece o valor de meio na preposição "pelo", pois o sumo das laranjas e as bicicletas são os instrumentos sensoriais que permitem identificar o domingo, como se lê no verso "detectar o domingo / pelo sumo das laranjas no ar e bicicletas".