Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Sujeito — VUNESP 2023

PortuguêsSujeito
Código
vu184492
Banca
VUNESP
Órgão
PPS
Ano
2023
Cargo
1º AEM ( )

A loira Fílis na estação das flores,

Comigo passeou por este prado1

Mil vezes; por sinal, trazia ao lado

As Graças, os Prazeres e os Amores.

 

Quantos mimos2 então, quantos favores,

Que inocente afeição, que puro agrado

Me não viram gozar (oh, doce estado!),

Mordendo-se de inveja, os mais pastores!

 

Porém, segundo o feminil3 costume,

Já Fílis se esqueceu do amor mais terno,

E como Jônio se ri de meu queixume4.

 

Ah!, se nos corações fosses eterno,

Tormento abrasador, negro ciúme,

Serias tão cruel como os do Inferno!

 

(Manuel Maria Barbosa du Bocage. Poemas escolhidos, 1974)

 

1prado: campo; campina.

2mimos: carinhos.

3feminil: feminino.

4queixume: queixa.

Leia o soneto do poeta português Manuel Maria Barbosa du Bocage, para responder à questão.     O sujeito da locução verbal sublinhada na segunda estrofe do soneto é:
  1. A“As Graças, os Prazeres e os Amores” (1ª estrofe).
  2. B“Quantos mimos” (2ª estrofe).
  3. C“quantos favores” (2ª estrofe).
  4. D“Que inocente afeição, que puro agrado” (2ª estrofe).
  5. E“os mais pastores” (2ª estrofe).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — “os mais pastores” (2ª estrofe).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sujeito da locução verbal na segunda estrofe

Gabarito: letra E. O sujeito da locução verbal "viram gozar" é "os mais pastores", pois são eles que "não viram" o eu lírico gozar dos favores de Fílis. A prova está na concordância: o verbo "viram" está na 3ª pessoa do plural, e o único termo plural que pode exercer a função de sujeito nessa oração é "os mais pastores". Como se lê no verso: "Mordendo-se de inveja, os mais pastores!" — eles é que observavam, com inveja, o eu lírico desfrutando dos carinhos da amada.

O comando da questão

O enunciado pede para identificar o sujeito da locução verbal sublinhada na segunda estrofe. Isso é uma questão de análise sintática: precisamos localizar a locução verbal (verbo auxiliar + verbo principal) e perguntar "quem?" ou "o quê?" pratica ou sofre a ação. No caso, a locução é "viram gozar" — o verbo auxiliar "viram" (3ª pessoa do plural) e o verbo principal "gozar" (infinitivo). O sujeito é o termo que concorda com o auxiliar e que responde à pergunta "quem não viu gozar?".

O texto e a localização da resposta

Na segunda estrofe, lemos:

"Quantos mimos então, quantos favores,\nQue inocente afeição, que puro agrado\nMe não viram gozar (oh, doce estado!),\nMordendo-se de inveja, os mais pastores!"

A oração principal é: "os mais pastores me não viram gozar". O sujeito é "os mais pastores" — eles não viram o eu lírico gozar. Os termos "quantos mimos", "quantos favores", "que inocente afeição", "que puro agrado" são todos objetos diretos do verbo "gozar" (o eu lírico gozava dessas coisas), não sujeitos. A concordância verbal confirma: "viram" está no plural, e "os mais pastores" é o único termo plural que pode ser sujeito.

A técnica: como identificar o sujeito

Para achar o sujeito, siga dois passos:

  1. Localize o verbo (ou locução verbal) da oração.

  2. Pergunte "quem?" ou "o quê?" antes do verbo. A resposta é o sujeito.

No verso "Me não viram gozar", perguntamos: Quem não viu gozar? Resposta: os mais pastores. Eles são o sujeito. Os demais termos (mimos, favores, afeição, agrado) são o que o eu lírico gozava — ou seja, complementos do verbo "gozar", não quem pratica a ação de "ver".

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

"As Graças, os Prazeres e os Amores" aparecem na 1ª estrofe, mas não têm relação sintática com a locução "viram gozar". Eles são um aposto ou enumeração que acompanha Fílis, não o sujeito da oração da 2ª estrofe. A banca tenta confundir trazendo um termo de outra estrofe, mas o sujeito deve estar na mesma oração.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Quantos mimos" é um dos termos que o eu lírico gozava. Na oração, funciona como objeto direto do verbo "gozar" (gozar algo = gozar os mimos). Não é quem pratica a ação de "ver". A pergunta "quem não viu?" não é respondida por "quantos mimos".

Alternativa C — ❌ Incorreta

"quantos favores" segue o mesmo raciocínio: é outro objeto direto de "gozar". O eu lírico gozava dos favores, mas não são eles que "veem". A concordância também não bate: "favores" é plural, mas o sujeito precisa concordar com o verbo "viram" — e "favores" não faz sentido como agente de "ver".

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Que inocente afeição, que puro agrado" também são objetos diretos de "gozar". São coisas que o eu lírico desfrutava, não quem observava. A banca junta dois termos para parecer um sujeito composto, mas eles não exercem essa função.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"os mais pastores" é o sujeito da locução "viram gozar". Eles são quem "não viram" o eu lírico gozar, e a concordância confirma: "viram" está na 3ª pessoa do plural, exatamente como "os mais pastores". O verso "Mordendo-se de inveja, os mais pastores!" reforça: eles estavam com inveja porque viam o eu lírico feliz.

Conclusão

A questão testa a habilidade de não confundir sujeito com objeto direto. Os termos "mimos", "favores", "afeição" e "agrado" são o que o eu lírico gozava (objeto), enquanto "os mais pastores" são quem praticava a ação de ver (sujeito). Lembre-se: sujeito é quem pratica a ação do verbo, não o que recebe a ação.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o sujeito, pergunte "quem?" antes do verbo. Se a resposta for um termo que não faz sentido como agente, ele provavelmente é objeto ou outro complemento.

Gabarito: letra E

Link permanente: /questoes/vu184492