(Manuel Maria Barbosa du Bocage. Poemas escolhidos, 1974)
1prado: campo; campina.
2mimos: carinhos.
3feminil: feminino.
4queixume: queixa.
Leia o soneto do poeta português Manuel Maria Barbosa du Bocage, para responder à questão. O sujeito da locução verbal sublinhada na segunda estrofe do soneto é:
A“As Graças, os Prazeres e os Amores” (1ª estrofe).
B“Quantos mimos” (2ª estrofe).
C“quantos favores” (2ª estrofe).
D“Que inocente afeição, que puro agrado” (2ª estrofe).
E“os mais pastores” (2ª estrofe).
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GabaritoE — “os mais pastores” (2ª estrofe).
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Sujeito da locução verbal na segunda estrofe
Gabarito: letra E. O sujeito da locução verbal "viram gozar" é "os mais pastores", pois são eles que "não viram" o eu lírico gozar dos favores de Fílis. A prova está na concordância: o verbo "viram" está na 3ª pessoa do plural, e o único termo plural que pode exercer a função de sujeito nessa oração é "os mais pastores". Como se lê no verso: "Mordendo-se de inveja, os mais pastores!" — eles é que observavam, com inveja, o eu lírico desfrutando dos carinhos da amada.
O comando da questão
O enunciado pede para identificar o sujeito da locução verbal sublinhada na segunda estrofe. Isso é uma questão de análise sintática: precisamos localizar a locução verbal (verbo auxiliar + verbo principal) e perguntar "quem?" ou "o quê?" pratica ou sofre a ação. No caso, a locução é "viram gozar" — o verbo auxiliar "viram" (3ª pessoa do plural) e o verbo principal "gozar" (infinitivo). O sujeito é o termo que concorda com o auxiliar e que responde à pergunta "quem não viu gozar?".
O texto e a localização da resposta
Na segunda estrofe, lemos:
"Quantos mimos então, quantos favores,\nQue inocente afeição, que puro agrado\nMe não viram gozar (oh, doce estado!),\nMordendo-se de inveja, os mais pastores!"
A oração principal é: "os mais pastores me não viram gozar". O sujeito é "os mais pastores" — eles não viram o eu lírico gozar. Os termos "quantos mimos", "quantos favores", "que inocente afeição", "que puro agrado" são todos objetos diretos do verbo "gozar" (o eu lírico gozava dessas coisas), não sujeitos. A concordância verbal confirma: "viram" está no plural, e "os mais pastores" é o único termo plural que pode ser sujeito.
A técnica: como identificar o sujeito
Para achar o sujeito, siga dois passos:
Localize o verbo (ou locução verbal) da oração.
Pergunte "quem?" ou "o quê?" antes do verbo. A resposta é o sujeito.
No verso "Me não viram gozar", perguntamos: Quem não viu gozar? Resposta: os mais pastores. Eles são o sujeito. Os demais termos (mimos, favores, afeição, agrado) são o que o eu lírico gozava — ou seja, complementos do verbo "gozar", não quem pratica a ação de "ver".
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
"As Graças, os Prazeres e os Amores" aparecem na 1ª estrofe, mas não têm relação sintática com a locução "viram gozar". Eles são um aposto ou enumeração que acompanha Fílis, não o sujeito da oração da 2ª estrofe. A banca tenta confundir trazendo um termo de outra estrofe, mas o sujeito deve estar na mesma oração.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Quantos mimos" é um dos termos que o eu lírico gozava. Na oração, funciona como objeto direto do verbo "gozar" (gozar algo = gozar os mimos). Não é quem pratica a ação de "ver". A pergunta "quem não viu?" não é respondida por "quantos mimos".
Alternativa C — ❌ Incorreta
"quantos favores" segue o mesmo raciocínio: é outro objeto direto de "gozar". O eu lírico gozava dos favores, mas não são eles que "veem". A concordância também não bate: "favores" é plural, mas o sujeito precisa concordar com o verbo "viram" — e "favores" não faz sentido como agente de "ver".
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Que inocente afeição, que puro agrado" também são objetos diretos de "gozar". São coisas que o eu lírico desfrutava, não quem observava. A banca junta dois termos para parecer um sujeito composto, mas eles não exercem essa função.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"os mais pastores" é o sujeito da locução "viram gozar". Eles são quem "não viram" o eu lírico gozar, e a concordância confirma: "viram" está na 3ª pessoa do plural, exatamente como "os mais pastores". O verso "Mordendo-se de inveja, os mais pastores!" reforça: eles estavam com inveja porque viam o eu lírico feliz.
Conclusão
A questão testa a habilidade de não confundir sujeito com objeto direto. Os termos "mimos", "favores", "afeição" e "agrado" são o que o eu lírico gozava (objeto), enquanto "os mais pastores" são quem praticava a ação de ver (sujeito). Lembre-se: sujeito é quem pratica a ação do verbo, não o que recebe a ação.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar o sujeito, pergunte "quem?" antes do verbo. Se a resposta for um termo que não faz sentido como agente, ele provavelmente é objeto ou outro complemento.