Examine a tirinha do cartunista Silva João, publicada em sua conta do Instagram em 30.03.2023. Para obter seu efeito de humor, a tirinha mobiliza fundamentalmente o seguinte recurso expressivo:
Aambiguidade: a presença, num texto, de palavra ou expressão que pode significar coisas diferentes, admitir mais de uma leitura.
Beufemismo: o emprego de palavra ou expressão no lugar de outra palavra ou expressão considerada desagradável, grosseira.
Cantítese: a oposição, em uma mesma expressão ou frase, de duas palavras de sentido contrário.
Dhipérbole: a ênfase resultante do exagero na expressão ou comunicação de uma ideia.
Epleonasmo: a repetição desnecessária de palavras ou expressões na enunciação de uma ideia.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — ambiguidade: a presença, num texto, de palavra ou expressão que pode significar coisas diferentes, admitir mais de uma leitura.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Ambiguidade: o duplo sentido como motor do humor
Gabarito: letra A. A tirinha de Silva João constrói seu efeito cômico sobre a ambiguidade — a possibilidade de uma mesma palavra ou expressão admitir mais de uma leitura —, exatamente como define a alternativa. O humor nasce do choque entre o sentido que o personagem pretende dar à sua fala e o sentido que o interlocutor (e o leitor) efetivamente capta, e essa dupla interpretação só é possível porque o texto explora um vocábulo ou construção que comporta dois significados simultâneos.
O comando: identificar o recurso expressivo
A questão pede que você reconheça qual figura de linguagem sustenta o efeito de humor da tirinha. Não se trata de compreender o conteúdo da piada em si, mas de nomear o mecanismo linguístico que a produz. Para isso, é preciso dominar as definições de cada figura listada nas alternativas e, principalmente, testar cada uma contra o que a tirinha efetivamente faz. A banca não quer que você "adivinhe" o recurso; quer que você perceba que o texto joga com a possibilidade de dupla leitura de uma expressão.
O texto: onde mora o efeito cômico
Na tirinha, um personagem faz uma afirmação que, em um primeiro momento, parece ter um sentido óbvio. No entanto, o contexto — geralmente a fala ou a reação de outro personagem — revela que a mesma expressão pode ser entendida de outra forma, completamente diferente. É esse deslizamento de sentido que gera o humor: o leitor é levado a interpretar a fala de um jeito e, em seguida, descobre que ela comporta uma segunda leitura, inesperada e cômica. O recurso mobilizado, portanto, não é o exagero, a suavização, a oposição ou a repetição, mas sim a exploração da ambiguidade.
A técnica: distinguir ambiguidade das demais figuras
A ambiguidade (ou anfibologia) ocorre quando um enunciado permite mais de uma interpretação. Ela pode ser estrutural (quando a organização da frase gera o duplo sentido, como em "Peguei o ônibus correndo") ou polissêmica (quando uma palavra tem múltiplos sentidos, como "manga" da fruta e "manga" da camisa). No caso da tirinha, o humor se apoia exatamente nessa dupla possibilidade de leitura de uma mesma expressão. As demais figuras têm características bem distintas:
Eufemismo: suaviza uma ideia desagradável ("ele partiu" em vez de "ele morreu").
Antítese: opõe palavras de sentido contrário ("amor e ódio").
Hipérbole: exagera uma ideia ("chorei rios de lágrimas").
Pleonasmo: repete uma ideia desnecessariamente ("subir para cima").
Nenhuma dessas figuras explica o efeito da tirinha, pois o texto não suaviza, não opõe, não exagera nem repete — ele explora a coexistência de dois sentidos para uma mesma expressão.
Figuras de linguagem: Ambiguidade (gabarito) (Dupla leitura de uma expressão, Estrutural (organização da frase), Polissêmica (palavra com vários sentidos)); Eufemismo (Suaviza ideia desagradável); Antítese (Oposição de sentidos contrários); Hipérbole (Exagero intencional); Pleonasmo (Repetição desnecessária)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A definição apresentada é precisa: "a presença, num texto, de palavra ou expressão que pode significar coisas diferentes, admitir mais de uma leitura". É exatamente o que a tirinha faz. O personagem emprega uma expressão que, no contexto, comporta duas interpretações, e o humor surge justamente da percepção dessa duplicidade. A alternativa nomeia corretamente o recurso e o descreve com fidelidade ao que ocorre no texto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O eufemismo é o emprego de uma expressão mais suave no lugar de outra considerada grosseira ou desagradável. Na tirinha, não há qualquer tentativa de suavizar uma ideia; o efeito cômico não vem de um "abrandamento" da linguagem, mas da dupla interpretação. A alternativa tangencia o tema ao citar um recurso que não se aplica ao texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A antítese exige a presença de palavras de sentido contrário em uma mesma expressão ou frase (como "claro e escuro"). Na tirinha, não há oposição de termos; há, sim, a coexistência de dois sentidos para uma mesma expressão. A alternativa confunde oposição de ideias com duplicidade de sentido — conceitos distintos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A hipérbole é o exagero intencional para enfatizar uma ideia ("estou morto de fome"). O humor da tirinha não decorre de um exagero, mas da ambiguidade — a mesma fala pode ser lida de duas maneiras. A alternativa extrapola ao atribuir ao texto um recurso que ele não utiliza.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O pleonasmo é a repetição desnecessária de uma ideia já expressa ("entrar para dentro"). Na tirinha, não há repetição de sentido; há duplicidade de interpretação. A alternativa confunde redundância com ambiguidade, dois fenômenos semânticos distintos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre ambiguidade (duplo sentido) e outras figuras, especialmente o pleonasmo (repetição) e a antítese (oposição). O candidato que não domina as definições pode ser seduzido por uma figura que "parece" fazer sentido, mas não corresponde ao que o texto faz.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar o recurso expressivo de um texto, pergunte-se: "o que exatamente o autor faz com a linguagem?" Se ele joga com dois sentidos, é ambiguidade; se exagera, é hipérbole; se opõe, é antítese; se repete, é pleonasmo; se suaviza, é eufemismo. A resposta está sempre no efeito produzido.
Gabarito: letra A. A tirinha mobiliza a ambiguidade porque sua graça depende de uma expressão que admite mais de uma leitura — e é essa duplicidade que o leitor precisa perceber para rir. As demais figuras (eufemismo, antítese, hipérbole, pleonasmo) não explicam o efeito cômico, pois o texto não suaviza, opõe, exagera nem repete ideias: ele explora a coexistência de sentidos.