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Questão de Português — Conjunção — VUNESP 2023

PortuguêsConjunção
Código
vu184497
Banca
VUNESP
Órgão
PPS
Ano
2023
Cargo
1º AEM ( )

Yaçanã era uma moça bonita. Sua beleza era admirada por toda a aldeia, e todos os rapazes queriam namorá-la. Apesar de muitos daqueles jovens serem bonitos e grandes guerreiros, ela tinha uma paixão impossível. Yaçanã imaginava que a lua fosse um guerreiro celestial que todas as noites descia para se banhar no lago. Para ela, aquele ser lindo, brilhante, tão cheio, era um grande pote de mel que se derramava no infinito. Mas seu namoro era feito apenas de desejo e vontade, pois na verdade nunca tinha sido amante da lua. E todas as noites era a mesma coisa. Yaçanã passava horas olhando para o reflexo da lua. Depois voltava para casa e ia dormir, inconformada por viver longe de seu amado.

 

Certo dia, ao escurecer, Yaçanã olhou para o céu à procura de seu amor e viu que era noite de lua cheia. Sem avisar ninguém, saiu de casa pela porta dos fundos e rumou para o lago. Chegando lá, desceu a ribanceira e, ao ver aquele reflexo perfeito da lua cheia, não resistiu. Caiu na água tentando alcançá-lo e, em seu desespero, acabou afogando. Lá do alto, a lua assistiu àquela grande demonstração de amor sem poder fazer nada, pois não era o guerreiro que Yaçanã imaginava. Sentindo pena daquela moça linda e ingênua, resolveu fazer de seu corpo alguma coisa que vivesse no lago para sempre, junto do reflexo de seu brilho. Transformou-o então na vitória-régia, a flor do amor e da paixão que vemos flutuando nos lagos.

 

(Yaguarê Yamã. Murugawa: mitos,

contos e fábulas do povo Maraguá, 2007. Adaptado)

Leia um trecho do mito indígena “A origem da vitória-régia”, história contada por Werkin Wanãgça e escrita por Yaguarê Yamã.

 

Lá do alto, a lua assistiu àquela grande demonstração de amor sem poder fazer nada, pois não era o guerreiro que Yaçanã imaginava.

 

(Yaguarê Yamã. Murugawa:

mitos, contos e fábulas do povo Maraguá, 2007. Adaptado)

 

O conectivo sublinhado no texto pode ser substituído, sem prejuízo para o seu sentido original, por:

  1. Alogo que.
  2. Bà medida que.
  3. Cjá que.
  4. Ddesde que.
  5. Eainda que.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — já que.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conectivos: o valor causal do "pois"

Gabarito: letra C. O conectivo sublinhado "pois" tem valor causal — introduz a explicação/causa do que foi dito antes — e pode ser substituído por "já que" sem prejuízo de sentido. No trecho, a lua não pôde fazer nada porque não era o guerreiro que Yaçanã imaginava; a oração iniciada por "pois" explica o motivo da impossibilidade.

"Lá do alto, a lua assistiu àquela grande demonstração de amor sem poder fazer nada, pois não era o guerreiro que Yaçanã imaginava."

A relação é de causa e consequência: a consequência é "sem poder fazer nada"; a causa é "não era o guerreiro". "Já que" é locução conjuntiva causal e mantém exatamente esse sentido. As demais alternativas introduzem outras relações (temporal, proporcional, condicional, concessiva) e, por isso, alterariam o sentido original.

O comando

A questão pede uma substituição sem prejuízo de sentido: você deve identificar o valor semântico do conectivo no contexto e escolher a opção que preserve a mesma relação lógica entre as orações. Não basta saber o significado isolado de cada conjunção; é preciso ver como ela funciona no texto.

O texto e a relação

No trecho, temos duas orações ligadas por "pois":

  • Oração 1: "a lua assistiu... sem poder fazer nada" (consequência)

  • Oração 2: "não era o guerreiro que Yaçanã imaginava" (causa)

O "pois" aqui é explicativo-causal: explica por que a lua não pôde agir. É o mesmo valor de "porque", "já que", "visto que", "uma vez que". A substituição por "já que" mantém a relação de causa e consequência intacta.

A técnica

Para resolver, pergunte: que relação lógica o conectivo estabelece entre as orações? Se a oração seguinte responde ao "por quê" da anterior, é causa. Se indica tempo, proporção, condição ou concessão, é outro valor. Teste cada alternativa substituindo no trecho e veja se o sentido muda.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Logo que" é locução conjuntiva temporal (indica tempo: "assim que"). Substituir "pois" por "logo que" daria: "...sem poder fazer nada, logo que não era o guerreiro..." — o sentido de causa se perde, vira uma relação de tempo. Erro: troca de valor semântico (causal → temporal).

Alternativa B — ❌ Incorreta

"À medida que" é locução conjuntiva proporcional (indica proporção: "à proporção que"). Substituir daria: "...sem poder fazer nada, à medida que não era o guerreiro..." — o sentido de causa se perde, vira uma relação de proporção. Erro: troca de valor semântico (causal → proporcional).

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Já que" é locução conjuntiva causal (indica causa: "porque", "visto que"). Substituir mantém o sentido: "...sem poder fazer nada, já que não era o guerreiro..." — a relação de causa e consequência permanece. É a única que preserva o valor original do "pois".

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Desde que" é locução conjuntiva condicional (indica condição: "se", "caso"). Substituir daria: "...sem poder fazer nada, desde que não era o guerreiro..." — o sentido de causa se perde, vira uma condição. Erro: troca de valor semântico (causal → condicional).

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Ainda que" é locução conjuntiva concessiva (indica concessão: "embora", "mesmo que"). Substituir daria: "...sem poder fazer nada, ainda que não era o guerreiro..." — o sentido de causa se perde, vira uma concessão. Erro: troca de valor semântico (causal → concessiva).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o valor causal do "pois" e outros valores (temporal, proporcional, condicional, concessivo). A chave é identificar a relação de causa e consequência no trecho.

PEGA ESSA DICA!

Ao substituir conectivos, teste mentalmente a troca no trecho e veja se a relação lógica muda. Se a oração responde ao "por quê", é causa.

Gabarito: letra C.

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