Questão de Português — Sujeito — VUNESP 2023
- Código
- vu184500
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- PPS
- Ano
- 2023
- Cargo
- 1º AEM ( )
Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema. Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna1, e mais longos que seu talhe de palmeira. O favo da jati2 não era doce como seu sorriso, nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.
Um dia, ao pino do Sol, ela repousava em um claro da floresta. Banhava-lhe o corpo a sombra da oiticica3, mais fresca do que o orvalho da noite. Os ramos da acácia silvestre esparziam flores sobre os úmidos cabelos. Escondidos na folhagem os pássaros ameigavam o canto.
Rumor suspeito quebra a doce harmonia da sesta. Ergue a virgem os olhos, que o sol não deslumbra; sua vista perturba-se. Diante dela e todo a contemplá-la, está um guerreiro estranho, se é guerreiro e não algum mau espírito da floresta. Tem nas faces o branco das areias que bordam o mar, nos olhos o azul triste das águas profundas. Ignotas4 armas e tecidos ignotos cobrem-lhe o corpo.
Foi rápido, como o olhar, o gesto de Iracema. A flecha embebida no arco partiu. Gotas de sangue borbulham na face do desconhecido. Sofreu mais d’alma que da ferida. O sentimento que ele pôs nos olhos e no rosto, não o sei eu. Porém a virgem lançou de si o arco e a uiraçaba5 e correu para o guerreiro, sentida da mágoa que causara. A mão que rápida ferira estancou mais rápida e compassiva o sangue que gotejava.
(José de Alencar. Iracema, 2006. Adaptado)
1graúna: pássaro de cor negra.
2jati: pequena abelha.
3oiticica: árvore frondosa.
4ignoto: desconhecido.
5uiraçaba: estojo em que se guardam flechas.
Leia um trecho do romance Iracema, do escritor José de Alencar.
Releia o seguinte trecho do romance Iracema, do escritor José de Alencar.
Um dia, ao pino do Sol, ela repousava em um claro da floresta. Banhava-lhe o corpo a sombra da oiticica, mais fresca do que o orvalho da noite. Os ramos da acácia silvestre esparziam flores sobre os úmidos cabelos. Escondidos na folhagem os pássaros ameigavam o canto.
Rumor suspeito quebra a doce harmonia da sesta. Ergue a virgem os olhos, que o sol não deslumbra; sua vista perturba-se. Diante dela e todo a contemplá-la, está um guerreiro estranho, se é guerreiro e não algum mau espírito da floresta. Tem nas faces o branco das areias que bordam o mar, nos olhos o azul triste das águas profundas. Ignotas armas e tecidos ignotos cobrem-lhe o corpo.
Foi rápido, como o olhar, o gesto de Iracema. A flecha embebida no arco partiu. Gotas de sangue borbulham na face do desconhecido. Sofreu mais d’alma que da ferida. O sentimento que ele pôs nos olhos e no rosto, não o sei eu. Porém a virgem lançou de si o arco e a uiraçaba e correu para o guerreiro, sentida da mágoa que causara. A mão que rápida ferira estancou mais rápida e compassiva o sangue que gotejava.
(José de Alencar. Iracema, 2006. Adaptado)
Está reescrito em ordem direta o seguinte trecho:
- A“Tem nas faces o branco das areias” (2º parágrafo) → O branco das areias tem nas faces.
- B“Banhava-lhe o corpo a sombra da oiticica” (1º parágrafo) → O corpo banhava-lhe a sombra da oiticica.
- C“Ergue a virgem os olhos” (2º parágrafo) → A virgem ergue os olhos.
- D“Os ramos da acácia silvestre esparziam flores” (1º parágrafo) → Esparziam flores os ramos da acácia silvestre.
- E“A flecha embebida no arco partiu” (3º parágrafo) → Partiu a flecha embebida no arco.