Era uma vez a Medicina 1.0: se você tivesse enxaquecas frequentes, poderia receber uma trepanação craniana (sim, uma perfuração no crânio). A sangria era amplamente utilizada, mesmo para quem sofresse de anemia. E, desconhecendo os micro-organismos que nos rodeiam – e inclusive nos habitam – médicos estudavam cadáveres de manhã e realizavam partos à tarde, infectando jovens mães. A Medicina 2.0 descobriu as bactérias, criou as vacinas e abriu caminho para o aumento da longevidade. No entanto, para o cirurgião oncológico Peter Attia, cujo livro “Outlive: a arte e a ciência de viver mais e melhor” acaba de ser lançado em português, não avançaremos sem a Medicina 3.0, fundamentada na prevenção. “A Medicina 2.0 erradicou doenças mortais, mas a Medicina 3.0 foca na saúde a longo prazo, com uma abordagem personalizada, porque cada pessoa é única. Nossa longevidade é mais maleável do que pensamos e prevenção é a chave”, afirma o cirurgião.
(TAVARES, Maria. O que a Medicina 3.0 é capaz de fazer por nós?
G1 – Bem estar. 31.08.2023. Disponível em: https://g1.globo.com/. Adaptado)
Leia o texto a seguir, parte de uma matéria sobre o livro “Outlive: a arte e a ciência de viver melhor”, do cirurgião Petter Attia. Do ponto de vista sintático-semântico, o uso de caracteres numéricos no texto tem a função de
Amodificar o termo “Medicina” para mostrar avanços na descoberta da cura de doenças que sempre afligiram a humanidade.
Bintroduzir uma informação acessória ao termo “Medicina” para conscientizar o leitor sobre a importância de preservar a saúde.
Crestringir o termo “Medicina” para descrever diferentes formas e atitudes de evitar doenças e preservar a saúde.
Despecificar o termo “Medicina” para apresentar mudanças na forma de realizar procedimentos médicos e combater doenças.
Ecomplementar o termo “Medicina” para indicar uma degradação nas formas de tratamento médico ao longo do tempo.
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GabaritoD — especificar o termo “Medicina” para apresentar mudanças na forma de realizar procedimentos médicos e combater doenças.
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Função dos numerais em "Medicina 1.0, 2.0 e 3.0"
Gabarito: letra D. Os caracteres numéricos especificam o termo "Medicina", distinguindo fases históricas com abordagens diferentes — da trepanação e sangria (1.0) à descoberta das bactérias e vacinas (2.0) e à prevenção personalizada (3.0). Como se lê no texto: "Era uma vez a Medicina 1.0... A Medicina 2.0 descobriu as bactérias... não avançaremos sem a Medicina 3.0, fundamentada na prevenção". Os números não apenas rotulam, mas particularizam cada etapa, mostrando mudanças na forma de realizar procedimentos médicos e combater doenças.
O comando pede uma análise sintático-semântica: não basta saber que "1.0", "2.0" e "3.0" são numerais (morfologia); é preciso avaliar o efeito de sentido que eles produzem no sintagma "Medicina 1.0/2.0/3.0". A questão testa se o candidato percebe que o numeral, aqui, funciona como um especificador — ele restringe o substantivo "Medicina" a uma versão específica, delimitando o referente. É o mesmo mecanismo de "casa 10" ou "capítulo 3": o numeral individualiza o substantivo dentro de uma série.
O texto organiza-se em três momentos históricos. A Medicina 1.0 é descrita com práticas arcaicas e danosas (trepanação, sangria, infecção de parturientes). A 2.0 é creditada pela descoberta das bactérias, vacinas e aumento da longevidade. A 3.0, defendida por Peter Attia, é "fundamentada na prevenção" e na "abordagem personalizada". Os numerais ordenam essas fases e, ao mesmo tempo, especificam qual abordagem está em jogo em cada trecho. A alternativa correta capta exatamente isso: os números especificam o termo "Medicina" para apresentar mudanças na forma de realizar procedimentos e combater doenças.
A armadilha central está em confundir especificar com restringir (letra C) ou com modificar (letra A). Especificar é individualizar dentro de uma série — "Medicina 3.0" é uma versão particular da Medicina. Restringir, em sentido técnico, seria limitar o alcance do termo a uma subclasse (como em "medicina preventiva", que exclui a curativa). O numeral não cria uma subclasse; ele ordena e identifica uma fase. Já "modificar" (A) é vago demais e não captura a função de individualização. A letra D é a única que une o aspecto sintático (especifica o termo) ao semântico (apresenta mudanças nos procedimentos e no combate a doenças).
11.0 — práticas arcaicas
22.0 — bactérias e vacinas
33.0 — prevenção personalizada
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa diz que os números "modificam" o termo "Medicina" para mostrar "avanços na descoberta da cura de doenças". O texto não fala em "cura de doenças" como avanço central — fala em "erradicar doenças mortais" (2.0) e "prevenção" (3.0). Além disso, "modificar" é impreciso: o numeral não apenas modifica, ele especifica uma fase. A alternativa tangencia o tema ao introduzir a ideia de "cura" que o texto não sustenta como fio condutor.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que os números introduzem "informação acessória" para "conscientizar o leitor sobre a importância de preservar a saúde". A informação trazida pelos numerais não é acessória — é estruturante: organiza toda a linha do tempo do texto. Além disso, "conscientizar" é um propósito que o texto não declara; o autor não está fazendo campanha de saúde, está explicando a evolução da medicina. A alternativa acrescenta opinião (finalidade pedagógica) que não está no texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Diz que os números "restringem" o termo "Medicina" para "descrever diferentes formas e atitudes de evitar doenças e preservar a saúde". O erro está em "restringir": o numeral não restringe o substantivo a uma subclasse (como faria um adjetivo restritivo), ele especifica uma fase dentro de uma série. Além disso, "evitar doenças e preservar a saúde" é uma paráfrase de "prevenção", que é só a marca da Medicina 3.0 — não das três fases. A alternativa restringe o alcance do texto ao reduzir tudo a prevenção.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que os números "especificam" o termo "Medicina" para "apresentar mudanças na forma de realizar procedimentos médicos e combater doenças". Isso é exatamente o que o texto faz: a Medicina 1.0 realiza trepanação e sangria; a 2.0 descobre bactérias e cria vacinas; a 3.0 foca em prevenção personalizada. Os numerais individualizam cada fase, permitindo ao leitor acompanhar a evolução. A passagem que ancora: "Era uma vez a Medicina 1.0... A Medicina 2.0 descobriu as bactérias... não avançaremos sem a Medicina 3.0, fundamentada na prevenção". Cada numeral especifica uma etapa com procedimentos e formas de combate a doenças próprias.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que os números indicam "degradação nas formas de tratamento médico ao longo do tempo". O texto mostra o oposto: há progresso — da trepanação (1.0) às vacinas (2.0) e à prevenção (3.0). A palavra "degradação" contradiz o texto, que celebra os avanços. A alternativa inverte a direção valorativa do autor.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre especificar e restringir. Especificar individualiza dentro de uma série (Medicina 1.0, 2.0, 3.0); restringir limitaria o termo a uma subclasse. A letra C usa "restringir" para seduzir quem não domina a distinção.
PEGA ESSA DICA!
Ao ver numerais junto a substantivos, pergunte: eles ordenam uma série? Se sim, a função é especificar (individualizar), não restringir. Desconfie de alternativas com "restringir", "modificar" ou "complementar" — são termos técnicos que a banca usa para testar precisão.
Gabarito: letra D — os numerais especificam o termo "Medicina", distinguindo fases com procedimentos e formas de combate a doenças diferentes, como o texto demonstra ao descrever a evolução da 1.0 à 3.0.