Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Significação de Vocábulo e Expressões — VUNESP 2023

PortuguêsSignificação de Vocábulo e Expressões
Código
vu184504
Banca
VUNESP
Órgão
PPS
Ano
2023
Cargo
2º AEM ( )

O texto seguinte foi publicado pela revista “Superinteressante” como resposta à dúvida de um leitor sobre o nível de complexidade das línguas.

 

A complexidade de uma língua tem a ver com

o número de palavras?

 

NÃO. Até porque um falante nativo usa uma fração minúscula do vocabulário da sua língua: o brasileiro médio sabe algo entre mil e 2 mil palavras, enquanto a 1a edição do dicionário Aurélio, de 1987, tinha 115 mil verbetes. Não existem línguas objetivamente mais complexas – apenas idiomas mais ou menos fáceis de aprender em relação a outros. Temos mais facilidade com o francês, por exemplo, do que com o japonês – já que a gramática, o vocabulário e a prosódia (musicalidade) dos francófonos é mais parecida com a nossa.

 

(Oráculo. Superinteressante. Edição 454, agosto de 2023,

Editora Abril, p. 63)

 

No texto, a palavra “objetivamente” é usada para indicar que

  1. Asó é possível mensurar a complexidade de uma língua quando analisamos a sua objetividade, que está relacionada à maior ou menor facilidade do seu aprendizado.
  2. Bexistem línguas mais objetivas do que outras, a depender da complexidade da sua gramática, do seu vocabulário e da sua prosódia.
  3. Cuma língua não pode ser medida quanto a sua complexidade, e a maior ou menor facilidade do seu aprendizado depende da proximidade com outras línguas.
  4. Dalgumas línguas são complexas, enquanto outras são mais simples, mas todas se igualam no que diz respeito ao tamanho médio do seu vocabulário.
  5. Enenhuma língua é complexa, pois todos os falantes nativos usam apenas uma parte pequena do vocabulário da sua língua para se comunicar.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — uma língua não pode ser medida quanto a sua complexidade, e a maior ou menor facilidade do seu aprendizado depende da proximidade com outras línguas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O sentido de "objetivamente" no contexto: polissemia e valor adverbial

Gabarito: letra C. No trecho "Não existem línguas objetivamente mais complexas", o advérbio "objetivamente" significa "de modo objetivo, mensurável, passível de medição" — ou seja, o autor afirma que não há como medir a complexidade de uma língua de forma objetiva; a maior ou menor facilidade de aprendizado depende da proximidade entre as línguas, como se lê na sequência: "apenas idiomas mais ou menos fáceis de aprender em relação a outros". A alternativa C é a única que capta exatamente esse sentido: nega a possibilidade de medição objetiva e atribui a facilidade à proximidade.

O comando: significação de vocábulo no contexto

A questão pede que você explique o sentido de uma palavra específica ("objetivamente") dentro do texto. Isso é diferente de perguntar "o que o texto diz" — aqui, o foco é o valor semântico que o advérbio assume naquele contexto. A banca quer que você perceba que "objetivamente" não é um mero advérbio de modo genérico, mas carrega a ideia de mensurabilidade, de critério objetivo de comparação. Para resolver, você precisa relacionar a palavra ao argumento central do texto: a tese de que não existem línguas mais complexas em si, apenas línguas mais fáceis ou difíceis de aprender conforme a proximidade com a língua materna.

O texto: tese e movimento argumentativo

O texto responde à pergunta "A complexidade de uma língua tem a ver com o número de palavras?" com um NÃO enfático. O autor argumenta que o falante nativo usa uma fração minúscula do vocabulário (o brasileiro médio sabe entre mil e 2 mil palavras, contra 115 mil verbetes do Aurélio), e conclui:

"Não existem línguas objetivamente mais complexas – apenas idiomas mais ou menos fáceis de aprender em relação a outros."

A palavra-chave é "objetivamente": ela nega que exista um critério objetivo, mensurável para comparar a complexidade entre línguas. Em seguida, o autor explica o que existe de fato: facilidade relativa de aprendizado, que depende da proximidade entre as línguas (ex.: temos mais facilidade com francês do que com japonês, porque a gramática, o vocabulário e a prosódia são mais parecidos com os nossos).

A técnica: polissemia e contexto

Polissemia é a propriedade de uma palavra ter vários sentidos relacionados. "Objetivamente" pode significar:

  • de modo objetivo (com imparcialidade, sem opinião pessoal);

  • de modo mensurável (com critérios objetivos, passíveis de medição);

  • em relação a um objetivo (finalidade).

No texto, o sentido é o segundo: "objetivamente mais complexas" = "mais complexas de forma mensurável, comprovável". O autor nega que isso seja possível. A alternativa C traduz exatamente isso: "uma língua não pode ser medida quanto a sua complexidade".

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a polissemia de "objetivamente". O candidato pode confundir com "objetividade" (clareza, imparcialidade) — como na alternativa A — ou com a ideia de "objetivo" (finalidade) — como na B. Fique atento: o contexto é de mensuração, não de clareza ou finalidade.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de conceito (polissemia). A alternativa diz que "só é possível mensurar a complexidade de uma língua quando analisamos a sua objetividade". Isso contradiz o texto, que afirma que não existem línguas objetivamente mais complexas — ou seja, não há mensuração objetiva. Além disso, "objetividade" aqui é usada com sentido de clareza/imparcialidade, que não é o sentido de "objetivamente" no texto. O texto não diz que a complexidade pode ser medida; diz o contrário.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. Afirma que "existem línguas mais objetivas do que outras, a depender da complexidade da sua gramática, do seu vocabulário e da sua prosódia". O texto nega exatamente isso: "Não existem línguas objetivamente mais complexas". A alternativa inverte a tese central. Além disso, o texto menciona gramática, vocabulário e prosódia como fatores de proximidade (que facilitam o aprendizado), não como critérios de objetividade.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

É a única que reproduz fielmente o sentido. O texto afirma que não existem línguas objetivamente mais complexas, ou seja, não há como medir a complexidade de forma objetiva. E explica que o que existe é facilidade relativa de aprendizado, que depende da proximidade entre as línguas: "Temos mais facilidade com o francês, por exemplo, do que com o japonês – já que a gramática, o vocabulário e a prosódia (musicalidade) dos francófonos é mais parecida com a nossa." A alternativa C parafraseia exatamente isso: "uma língua não pode ser medida quanto a sua complexidade, e a maior ou menor facilidade do seu aprendizado depende da proximidade com outras línguas".

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. Diz que "algumas línguas são complexas, enquanto outras são mais simples". O texto nega essa hierarquia: "Não existem línguas objetivamente mais complexas". Além disso, a parte final — "todas se igualam no que diz respeito ao tamanho médio do seu vocabulário" — é uma extrapolação: o texto não afirma que todas as línguas têm o mesmo tamanho de vocabulário; apenas diz que o falante nativo usa uma fração minúscula do vocabulário da sua língua.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: generalização indevida (restringe o alcance). Diz que "nenhuma língua é complexa, pois todos os falantes nativos usam apenas uma parte pequena do vocabulário". O texto não afirma que nenhuma língua é complexa; afirma que não existem línguas objetivamente mais complexas — ou seja, não há como medir objetivamente, mas isso não significa que todas sejam simples. Além disso, a justificativa (uso de fração do vocabulário) é usada no texto apenas para refutar a ideia de que complexidade se mede pelo número de palavras, não para concluir que nenhuma língua é complexa. A alternativa extrapola e restringe indevidamente.

Conclusão

A questão testa sua capacidade de apreender o sentido contextual de uma palavra polissêmica. A palavra "objetivamente" não é um mero advérbio de modo; ela carrega a ideia de mensurabilidade. A alternativa C é a única que não extrapola, não contradiz e não restringe o que o texto afirma. Lembre-se: em questões de significação, o contexto é o rei — a palavra só tem sentido dentro do texto.

PEGA ESSA DICA!

Ao encontrar uma palavra polissêmica, pergunte: "qual dos sentidos possíveis o contexto exige?" e confronte cada alternativa com o trecho que a sustenta. Se a alternativa exigir que você acrescente algo que o texto não diz, ela está errada.

Gabarito: letra C

Link permanente: /questoes/vu184504