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Questão de Português — Significação de Vocábulo e Expressões — VUNESP 2023

PortuguêsSignificação de Vocábulo e Expressões
Código
vu184506
Banca
VUNESP
Órgão
PPS
Ano
2023
Cargo
2º AEM ( )

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;


É um não querer mais que bem querer;
É um solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder;


É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
É ter com quem nos mata lealdade.


Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?


(Luís de Camões. Obra completa, 2003)

Leia o soneto do poeta português Luís de Camões.     Em contraste com os demais versos do soneto (enunciados de forma relativamente mais objetiva e neutra), observa-se um índice de subjetividade na enunciação do seguinte verso:
  1. A“É querer estar preso por vontade;” (3ª estrofe)
  2. B“É um cuidar que ganha em se perder;” (2ª estrofe)
  3. C“Amor é fogo que arde sem se ver;” (1ª estrofe)
  4. D“É ferida que dói e não se sente;” (1ª estrofe)
  5. E“É ter com quem nos mata lealdade.” (3ª estrofe)
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — “É querer estar preso por vontade;” (3ª estrofe)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Subjetividade na enunciação: o verso que foge à objetividade

Gabarito: letra A. O verso “É querer estar preso por vontade;” é o único que apresenta um índice de subjetividade na enunciação, pois expressa um desejo, uma escolha pessoal (“querer”), enquanto os demais versos se limitam a definir o amor de forma impessoal e paradoxal, como se lê no próprio texto: “É querer estar preso por vontade;”. A subjetividade está no verbo “querer”, que introduz a vontade de um sujeito, algo que não aparece nas outras alternativas, todas construídas com o verbo “ser” em estrutura de definição objetiva.

O comando da questão é preciso: pede-se o verso que, em contraste com os demais, apresenta um índice de subjetividade. Isso significa que a banca quer que o candidato compare os versos e identifique aquele que foge do padrão de neutralidade enunciativa. Os demais versos são definições do amor — “Amor é fogo...”, “É ferida...”, “É um contentamento descontente” —, ou seja, o eu lírico descreve o amor como um objeto, de fora, com imparcialidade. Já o verso da alternativa A não define o amor; ele expressa um querer, uma atitude volitiva do sujeito: “É querer estar preso por vontade”. O verbo “querer” é o marcador linguístico da subjetividade, pois remete à esfera da vontade, do desejo, que é intrinsecamente pessoal.

A técnica para resolver é observar a classe gramatical e o valor semântico do verbo. Nas alternativas B, C, D e E, o verbo “é” (presente do indicativo do verbo ser) tem função copulativa, ligando o sujeito a um predicativo — uma definição. Na alternativa A, o verbo “é” também aparece, mas o núcleo do predicado é o verbo “querer” no infinitivo, que carrega a ideia de desejo, intenção. Esse é o traço distintivo: enquanto os outros versos constatam o que o amor é, o verso A revela uma disposição interna do eu lírico, um querer que não se explica, apenas se sente. É exatamente essa marca de enunciação subjetiva que a banca pede.

PEGA ESSA DICA!

Em questões que pedem “subjetividade” ou “objetividade”, procure o verbo de vontade/opinião (querer, desejar, achar, sentir) ou o pronome em 1ª pessoa. Definições com “é” + substantivo/adjetivo tendem à objetividade; “é + verbo no infinitivo” pode indicar atitude do sujeito.

1Marca linguística
Verbo de vontade/opinião (querer, desejar)
1ª pessoa
2Estrutura objetiva (definição)
Verbo "é" + predicativo
Constatação impessoal
3Armadilhas
Paradoxo (conteúdo, não enunciação)
Metáfora (recurso expressivo)
Subjetividade na enunciação
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Subjetividade na enunciação: Marca linguística (Verbo de vontade/opinião (querer, desejar), 1ª pessoa); Estrutura objetiva (definição) (Verbo "é" + predicativo, Constatação impessoal); Armadilhas (Paradoxo (conteúdo, não enunciação), Metáfora (recurso expressivo))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O verso “É querer estar preso por vontade;” é o único que expressa um desejo do eu lírico. O verbo “querer” é o marcador de subjetividade: ele não define o amor, mas revela uma atitude volitiva — o sujeito quer estar preso. Essa é uma escolha pessoal, um anseio, algo que parte do interior do eu lírico, e não uma constatação impessoal. O texto confirma: “É querer estar preso por vontade;”. A presença do verbo “querer” no infinitivo, somada ao substantivo “vontade”, torna a enunciação subjetiva, pois remete à esfera do desejo, que é individual e não verificável de fora.

Alternativa B — ❌ Incorreta

“É um cuidar que ganha em se perder;” é uma definição paradoxal do amor, construída com o verbo “ser” em estrutura copulativa. O eu lírico constata uma característica do amor (“é um cuidar”), sem expressar desejo, opinião ou sentimento pessoal. A enunciação é objetiva e neutra, como as demais definições do soneto. O erro aqui seria confundir o paradoxo (cuidar/perder) com subjetividade — mas o paradoxo é um recurso de conteúdo, não de enunciação.

Alternativa C — ❌ Incorreta

“Amor é fogo que arde sem se ver;” abre o soneto com uma definição metafórica do amor. O verbo “é” liga o sujeito “Amor” ao predicativo “fogo”, numa estrutura de constatação impessoal. O eu lírico descreve o amor como um objeto, de fora, sem revelar qualquer atitude pessoal. A metáfora (fogo) é um recurso expressivo, mas não torna a enunciação subjetiva — o sujeito não se coloca na frase.

Alternativa D — ❌ Incorreta

“É ferida que dói e não se sente;” segue o mesmo padrão das definições: verbo “ser” + predicativo (“ferida”). O eu lírico constata uma característica do amor, com neutralidade enunciativa. O paradoxo (dói/não se sente) é de conteúdo, não de enunciação. Não há verbo de vontade, opinião ou sentimento do sujeito — apenas a descrição impessoal do amor.

Alternativa E — ❌ Incorreta

“É ter com quem nos mata lealdade.” também é uma definição do amor, com verbo “ser” + predicativo (“ter lealdade”). Apesar de o infinitivo “ter” aparecer, ele não expressa desejo ou vontade — é uma constatação de uma característica do amor (ser leal a quem nos mata). A enunciação permanece objetiva, pois o eu lírico não se coloca como sujeito de um querer; ele apenas define o amor. A diferença crucial para a alternativa A é que “ter” aqui é descritivo, enquanto “querer” é volitivo.

Gabarito: letra A. A questão se resolve pela distinção entre definir e querer: os versos que definem o amor (com “é” + predicativo) são objetivos; o verso que expressa um desejo (“é querer”) é subjetivo. A banca explora a troca de conceito — o candidato pode confundir paradoxo ou metáfora (recursos de conteúdo) com subjetividade enunciativa (marca de atitude do sujeito). Fique atento ao verbo: “querer” é a chave.

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