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Questão de Português — Termos Acessórios (Adjunto Adnominal, Adjunto Adverbial e Aposto). Vocativo — VUNESP 2023

PortuguêsTermos Acessórios (Adjunto Adnominal, Adjunto Adverbial e Aposto). Vocativo
Código
vu184507
Banca
VUNESP
Órgão
PPS
Ano
2023
Cargo
2º AEM ( )

Queixa

 

Um amor assim delicado

Você pega e despreza

Não devia ter despertado

Ajoelha e não reza

 

Dessa coisa que mete medo

Pela sua grandeza

Não sou o único culpado

Disso eu tenho a certeza

 

Princesa, surpresa, você me arrasou

Serpente, nem sente que me envenenou

Senhora, e agora, me diga onde eu vou

Senhora, serpente, princesa

 

Um amor assim violento

Quando torna-se mágoa

É o avesso de um sentimento

Oceano sem água

 

Ondas, desejos de vingança

Nessa desnatureza

Batem forte sem esperança

Contra a tua dureza

 

(...)

 

Você pensa que eu tenho tudo

E vazio me deixa

Mas Deus não quer que eu fique mudo

E eu te grito esta queixa

 

(VELOSO, Caetano. Queixa. In: Cores, Philips, 1982)

Leia o texto para responder à questão.     Na canção, o eu-lírico dirige-se à sua interlocutora, mediante vocativo,
  1. Ana quinta estrofe, apenas.
  2. Bna terceira estrofe, apenas.
  3. Cna primeira estrofe, apenas.
  4. Dna primeira e na terceira estrofes.
  5. Ena terceira e na quarta estrofes.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — na terceira estrofe, apenas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vocativo na canção "Queixa" — identificação das estrofes

Gabarito: letra B. O eu-lírico dirige-se à interlocutora por meio de vocativo apenas na terceira estrofe, onde se lê: "Princesa, surpresa, você me arrasou / Serpente, nem sente que me envenenou / Senhora, e agora, me diga onde eu vou / Senhora, serpente, princesa". Os vocativos são os termos "Princesa", "surpresa", "Serpente", "Senhora" — todos chamamentos diretos à pessoa com quem se fala, isolados por vírgula e sem função sintática na oração.

O comando da questão

O enunciado pede que se identifique em qual estrofe o eu-lírico utiliza o vocativo para se dirigir à interlocutora. Isso é uma questão de análise sintática aplicada ao texto: é preciso reconhecer a função do vocativo (termo acessório que serve para chamar ou invocar a pessoa a quem se fala) e localizar onde ele ocorre na letra da canção. Não se trata de interpretar o sentido do texto, mas de aplicar o conceito gramatical ao material poético.

O texto e a localização do vocativo

A canção "Queixa", de Caetano Veloso, é um lamento amoroso. O eu-lírico se dirige diretamente à amada, que o desprezou. O vocativo é a marca linguística desse direcionamento: ele nomeia a pessoa a quem o discurso é endereçado, funcionando como um chamamento. Vejamos as estrofes:

  • 1ª estrofe: "Um amor assim delicado / Você pega e despreza / Não devia ter despertado / Ajoelha e não reza" — aqui não há vocativo; o eu-lírico fala sobre o amor e sobre a atitude da interlocutora ("você pega e despreza"), mas não a chama por nenhum nome ou expressão de tratamento.

  • 2ª estrofe: "Dessa coisa que mete medo / Pela sua grandeza / Não sou o único culpado / Disso eu tenho a certeza" — também não há vocativo; o eu-lírico reflete sobre a situação.

  • 3ª estrofe: "Princesa, surpresa, você me arrasou / Serpente, nem sente que me envenenou / Senhora, e agora, me diga onde eu vou / Senhora, serpente, princesa" — aqui estão os vocativos. Os termos "Princesa", "surpresa", "Serpente", "Senhora" são chamamentos diretos à interlocutora, isolados por vírgula e sem função sintática na oração. Note que "surpresa" e "serpente" são usados como apostos do vocativo "Princesa" e "Senhora", respectivamente, mas todos funcionam como vocativo (chamamento).

  • 4ª estrofe: "Um amor assim violento / Quando torna-se mágoa / É o avesso de um sentimento / Oceano sem água" — não há vocativo; o eu-lírico descreve o amor que virou mágoa.

  • 5ª estrofe: "Ondas, desejos de vingança / Nessa desnatureza / Batem forte sem esperança / Contra a tua dureza" — não há vocativo; o eu-lírico fala sobre os desejos de vingança.

  • 6ª estrofe: "Você pensa que eu tenho tudo / E vazio me deixa / Mas Deus não quer que eu fique mudo / E eu te grito esta queixa" — não há vocativo; o eu-lírico se dirige à interlocutora pelo pronome "você" e "te", mas não a chama por um nome ou expressão de tratamento.

Portanto, o vocativo aparece exclusivamente na terceira estrofe.

A técnica de identificação do vocativo

Para reconhecer o vocativo, pergunte: "A quem o eu-lírico está chamando?" O vocativo é o termo que nomeia o interlocutor, geralmente isolado por vírgula, e que não exerce função sintática na oração (não é sujeito, objeto, adjunto etc.). Na terceira estrofe, "Princesa", "surpresa", "Serpente" e "Senhora" são chamamentos diretos — o eu-lírico invoca a amada. Nas demais estrofes, ele fala sobre ela (usando pronomes como "você", "te", "tua"), mas não a chama por um nome.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre dirigir-se a alguém (usando pronomes como "você") e usar vocativo (chamar a pessoa por um nome/expressão de tratamento). Em todas as estrofes o eu-lírico se dirige à interlocutora, mas só na terceira ele a chama por vocativo.

Análise das alternativas

1Função
Chamar/invocar o interlocutor
Isolado por vírgula
Sem função sintática
2Como identificar
Perguntar: "A quem se chama?"
Nome/expressão de tratamento
3Confusão comum
Pronomes (você, te) ≠ vocativo
Dirigir-se ≠ chamar
Vocativo
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Vocativo: Função (Chamar/invocar o interlocutor, Isolado por vírgula, Sem função sintática); Como identificar (Perguntar: "A quem se chama?", Nome/expressão de tratamento); Confusão comum (Pronomes (você, te) ≠ vocativo, Dirigir-se ≠ chamar)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o vocativo aparece na quinta estrofe, apenas. A quinta estrofe ("Ondas, desejos de vingança / Nessa desnatureza / Batem forte sem esperança / Contra a tua dureza") não contém vocativo. O eu-lírico fala sobre as ondas e os desejos de vingança, dirigindo-se à interlocutora apenas pelo pronome possessivo "tua". Erro: contradiz o texto — não há chamamento direto nessa estrofe.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A terceira estrofe é a única que apresenta vocativo: "Princesa, surpresa, você me arrasou / Serpente, nem sente que me envenenou / Senhora, e agora, me diga onde eu vou / Senhora, serpente, princesa". Os termos "Princesa", "surpresa", "Serpente" e "Senhora" são vocativos — chamamentos diretos à interlocutora, isolados por vírgula e sem função sintática. Correta: ancorada no texto.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o vocativo aparece na primeira estrofe, apenas. A primeira estrofe ("Um amor assim delicado / Você pega e despreza / Não devia ter despertado / Ajoelha e não reza") não contém vocativo. O eu-lírico fala sobre o amor e sobre a atitude da interlocutora ("você pega e despreza"), mas não a chama por nenhum nome. Erro: contradiz o texto — não há chamamento direto nessa estrofe.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o vocativo aparece na primeira e na terceira estrofes. A primeira estrofe não contém vocativo, como vimos. A terceira contém. Portanto, a afirmação é parcialmente verdadeira (a terceira estrofe tem vocativo), mas inclui a primeira, que não tem. Erro: generalização indevida — amplia o alcance do fenômeno para uma estrofe que não o apresenta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o vocativo aparece na terceira e na quarta estrofes. A quarta estrofe ("Um amor assim violento / Quando torna-se mágoa / É o avesso de um sentimento / Oceano sem água") não contém vocativo. O eu-lírico descreve o amor que virou mágoa, mas não chama a interlocutora. Erro: generalização indevida — inclui uma estrofe que não apresenta o fenômeno.

Conclusão

A questão testa a identificação do vocativo em um texto poético. A técnica é: procure o termo que chama o interlocutor, isolado por vírgula e sem função sintática. Na canção, isso ocorre apenas na terceira estrofe, com os vocativos "Princesa", "surpresa", "Serpente" e "Senhora". As demais estrofes dirigem-se à interlocutora por pronomes, mas não a chamam por vocativo.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar vocativo, pergunte: "A quem o eu-lírico está chamando?" Se a resposta for um nome/expressão de tratamento isolado por vírgula, é vocativo. Pronomes como "você" e "te" indicam direcionamento do discurso, mas não são vocativo.

Gabarito: letra B

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