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Questão de Português — Conjunção — VUNESP 2023

PortuguêsConjunção
Código
vu184520
Banca
VUNESP
Órgão
PPS
Ano
2023
Cargo
3º AEM ( )

De fato* e gravata

 

Exemplo desses hábitos ou manias [que contribuem com o seu pequeno quinhão para a futura miséria do planeta] é o de se usar fato e gravata, por vezes colete mesmo, nos climas mais tórridos do mundo. Um calor de morrer, humidade no máximo, e lá andamos nós de pescoço apertado a escorrer suor, casacos mesmo que de verão, meias e sapatos apertados. Não aguentamos a temperatura, corremos a refugiar-nos nos gabinetes e salas refrescadas por aparelhos de ar-condicionado, ficamos ainda assim uma meia hora a arrefecer e sem pensar em mais nada senão nos nossos corpos pegajosos, até finalmente nos sentirmos mais confortáveis. Mas não abdicamos do fato e da gravata. Sem fato que seria do burocrata chefe de serviço? Nem parecia um chefe de serviço. E então, que dizer do responsável a nível mais elevado que aparecesse com uma simples camisa? Ninguém o respeitava, parecia um falhado.

 

Alguns países adotaram como traje oficial (ou pelo menos recomendado) roupas leves e largas, como é o caso de alguns da África Ocidental ou da América Latina. Para não falar já do célebre e elegante safari à Nyerere ou das camisas coloridas e sóbrias de Nelson Mandela. Eis homens que não fizeram concessões aos preconceitos ocidentais e se vestiram sempre de acordo com o clima, antecipando uma luta que hoje é de todos. Muitos africanos só usam fato e gravata para se parecerem com os europeus que os colonizaram. Nunca foram capazes de ultrapassar esse complexo de inferioridade e se sentem nus se não tiverem um casaco escuro, de preferência vindo de um estilista famoso de Londres ou Paris. Uma maneira de exibirem a importância que por vezes não têm.

 

(Pepetela. “De fato e gravata”. Em: Crónicas Maldispostas, 2015. Adaptado)

 

* Fato: terno.

Leia o texto para responder à questão.

   

Na passagem do primeiro parágrafo – Exemplo desses hábitos ou manias [...] é o de se usar fato e gravata, por vezes colete mesmo, nos climas mais tórridos do mundo. Um calor de morrer, humidade no máximo, e lá andamos nós de pescoço apertado a escorrer suor, casacos mesmo que de verão, meias e sapatos apertados. –, as expressões destacadas veiculam, correta e respectivamente, sentidos de

  1. Aafirmação e explicação.
  2. Bintensidade e conclusão.
  3. Ccomparação e causa.
  4. Dinclusão e concessão.
  5. Efinalidade e condição.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — inclusão e concessão.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sentido de expressões em contexto: “mesmo” e “por vezes”

Gabarito: letra D. As expressões destacadas veiculam, respectivamente, inclusão e concessão. A primeira, “por vezes”, equivale a “às vezes”, indicando que o uso de fato e gravata é uma possibilidade incluída entre os hábitos que prejudicam o planeta; a segunda, “mesmo”, tem valor concessivo, pois introduz uma ressalva: o colete é usado apesar de ser ainda mais inadequado para o calor. Como se lê no texto: “Exemplo desses hábitos ou manias [...] é o de se usar fato e gravata, por vezes colete mesmo, nos climas mais tórridos do mundo.”

O comando pede que você identifique o sentido que cada expressão assume no contexto — não o sentido isolado do dicionário. Isso é típico de questões de semântica contextual: a mesma palavra pode ter valores diferentes conforme o uso. Aqui, a banca testa se você percebe que “por vezes” não é uma conjunção causal, e que “mesmo” não é um advérbio de intensidade, mas sim um reforço concessivo.

No trecho, o autor critica o hábito de usar roupas pesadas em climas quentes. Ele enumera: fato e gravata, e “por vezes colete mesmo”. O “por vezes” indica que o colete é uma opção adicional — ou seja, inclui mais um item no rol de desconfortos. Já o “mesmo” funciona como partícula de reforço, equivalente a “ainda que seja”, “mesmo que seja”: o colete é usado apesar de ser um agravante. Essa relação de oposição/resistência é a essência da concessão.

A concessão é uma relação em que se admite um fato contrário, mas que não impede a ação principal. Exemplo clássico: “Embora estivesse chovendo, fui à praia.” No texto, “colete mesmo” = “colete, ainda que seja” — o colete é um excesso, mas mesmo assim é usado. Já a inclusão é a ideia de acréscimo, de “também”, “além disso”. “Por vezes” = “às vezes”, “algumas vezes”, o que inclui o colete como possibilidade.

A pegadinha da banca está em confundir “mesmo” com intensidade (letra B) ou com comparação (letra C). Mas “mesmo” aqui não intensifica “colete” (não é “colete muito”); ele concede uma circunstância adversa. E “por vezes” não expressa causa (letra C) nem conclusão (letra B); é uma expressão de frequência/inclusão.

Sentido das expressões
  • 1"por vezes"
    • Equivale a "às vezes"
    • Inclusão (acréscimo de item)
  • 2"mesmo"
    • Equivale a "ainda que"
    • Concessão (ressalva/oposição)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirmação e explicação: “por vezes” não afirma nada; apenas indica frequência. “Mesmo” não explica, apenas reforça uma concessão. Erro: troca de sentido — atribui valores que as expressões não têm no contexto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Intensidade e conclusão: “por vezes” não intensifica (não é “muito”); “mesmo” não conclui (não é “portanto”). Erro: troca de sentido — confunde “mesmo” com advérbio de intensidade e “por vezes” com conclusivo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Comparação e causa: “por vezes” não compara (não é “como”); “mesmo” não causa (não é “porque”). Erro: troca de sentido — inventa relações que o texto não estabelece.

Alternativa D — ✅ Correta

Inclusão e concessão: “por vezes” = “às vezes”, inclui o colete no rol; “mesmo” = “ainda que”, concede uma ressalva. Como no texto: “por vezes colete mesmo” — o colete é uma possibilidade adicional, usada apesar de o calor. Gabarito.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Finalidade e condição: “por vezes” não indica finalidade (não é “para”); “mesmo” não condiciona (não é “se”). Erro: troca de sentido — projeta valores que não estão no contexto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre “mesmo” com valor de inclusão (ex.: “eu mesmo fiz”) e “mesmo” com valor concessivo (ex.: “mesmo assim”). No texto, “colete mesmo” = “colete, ainda que seja” — é concessão, não intensidade.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o sentido de uma expressão, substitua por sinônimos e veja se a frase continua coerente. “Por vezes” → “às vezes” (inclusão); “mesmo” → “ainda que” (concessão). Se a troca mantém o sentido, você acertou.

Gabarito: letra D.

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