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Questão de Português — Vocábulo "Que" — VUNESP 2023

PortuguêsVocábulo "Que"
Código
vu184529
Banca
VUNESP
Órgão
TCM SP
Ano
2023
Cargo
ACE ( )

Hora do pesadelo

 

O carnaval de rua veio para ficar. O número de blocos autorizados pela Prefeitura de São Paulo a desfilar entre os dias 15 de fevereiro e 1o de março chegou a 644, 180 a mais do que no ano passado. Haverá 678 desfiles em cerca de 400 pontos da cidade. São dados que mostram a potência econômica e turística desse evento para a cidade. Dessa forma, cabe às autoridades competentes cuidar para que um acontecimento dessa magnitude transcorra da maneira mais tranquila possível, não apenas para os milhares de participantes mas também para os que, malgrado não queiram participar da festa, são obrigados a conviver com seus efeitos mais danosos – sejam as interdições que obrigam moradores a alterar drasticamente sua rotina de deslocamentos, seja a incivilidade de muitos dos foliões.

 

O potencial econômico dos desfiles carnavalescos ajuda a explicar o exponencial crescimento dos blocos e a atração de cada vez mais turistas. Esse gigantismo pode representar ganhos para a cidade, mas é um enorme desafio para a Prefeitura. A julgar pela experiência dos anos anteriores, o ambiente para os foliões tem sido em geral satisfatório. O problema é que a Prefeitura tem sido incapaz de oferecer o mesmo tratamento àqueles – grande maioria – que não estarão nos desfiles. Para estes, o carnaval é a hora do pesadelo, que vem se tornando mais tétrico a cada ano que passa.

 

Mais blocos e mais desfiles pela cidade significam mais sujeira, mais barulho, mais ruas fechadas. Paulistanos tornam- se reféns dentro de suas próprias casas, tendo de suportar, dia e – principalmente – noite, a algazarra de foliões que estendem a festa até altas horas, fazendo seu carnaval particular em local público.

 

Ao mesmo tempo que aceita e estimula a expansão do carnaval de rua na cidade, a Prefeitura tem demonstrado escassa capacidade para coibir o comportamento selvagem dos que abusam do direito de se divertir na festa. Mas as vítimas desse descaso começam a reagir.

 

Um abaixo-assinado de moradores da Vila Leopoldina levou a Prefeitura a desistir de incluir a Avenida Gastão Vidigal, a principal do bairro, no circuito dos blocos. Os moradores disseram que “a região não é servida por metrô e a extensão da avenida não comporta grandes multidões”. Além disso, “a estrutura de forças de segurança local não comporta eventos dessa magnitude” e “haverá multidões apertadas no calor”, com “barulho, sujeira, urina e vandalismo”, sem falar no cerceamento do direito de ir e vir e no prejuízo ao comércio – que inclui a Ceagesp.

 

A Prefeitura aparentemente aceitou parte dos argumentos, ao dizer que cancelou o desfile na Avenida Gastão Vidigal “por motivo de organização e otimização dos espaços públicos”. A vitória dos moradores da Vila Leopoldina é um alento para os paulistanos que se sentem destituídos de sua condição de cidadãos durante o carnaval – período no qual, para muitos, a lei e as regras de civilidade deixam de valer.

 

(Editorial, “Hora do pesadelo”. https://opiniao.estadao.com.br. 16.02.2020. Adaptado)

Texto

   

A palavra “que” está empregada como pronome relativo, imprimindo sentido de restrição ao enunciado, em:

  1. AO número de blocos autorizados pela Prefeitura de São Paulo a desfilar [...] chegou a 644, 180 a mais do que no ano passado. (1o parágrafo)
  2. BPara estes, o carnaval é a hora do pesadelo, que vem se tornando mais tétrico a cada ano que passa. (2o parágrafo)
  3. CO problema é que a Prefeitura tem sido incapaz de oferecer o mesmo tratamento àqueles – grande maioria – que não estarão nos desfiles. (2o parágrafo)
  4. DOs moradores disseram que “a região não é servida por metrô e a extensão da avenida não comporta grandes multidões”. (5o parágrafo)
  5. EA vitória dos moradores da Vila Leopoldina é um alento para os paulistanos que se sentem destituídos de sua condição de cidadãos durante o carnaval... (6o parágrafo)
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GabaritoE — A vitória dos moradores da Vila Leopoldina é um alento para os paulistanos que se sentem destituídos de sua condição de cidadãos durante o carnaval... (6o parágrafo)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Funções do "que": pronome relativo com valor restritivo

Gabarito: letra E. A alternativa E é a única em que o "que" é pronome relativo e introduz uma oração adjetiva restritiva, ou seja, restringe o sentido do termo antecedente. Como se lê no 6º parágrafo: "um alento para os paulistanos que se sentem destituídos de sua condição de cidadãos" — o "que" retoma "paulistanos" e delimita quais paulistanos (apenas os que se sentem destituídos). Nas demais, o "que" exerce outra função (conjunção integrante, parte de locução, etc.).

O comando

A questão pede que você identifique a ocorrência em que "que" é pronome relativo e, além disso, imprima sentido de restrição. Isso significa que não basta ser relativo: a oração que ele introduz deve ser restritiva (sem vírgulas, delimitando o antecedente), e não explicativa (com vírgulas, apenas acrescentando uma informação). O comando "está empregado como pronome relativo" exige reconhecer a função morfossintática; "imprimindo sentido de restrição" exige perceber o efeito semântico no contexto.

O texto

O editorial discute o crescimento do carnaval de rua em São Paulo e o impacto negativo sobre moradores que não participam. No 6º parágrafo, o autor afirma que a vitória dos moradores da Vila Leopoldina é um alento para os paulistanos que se sentem destituídos de sua condição de cidadãos. Aí está a chave: o "que" retoma "paulistanos" e restringe o conjunto — não são todos os paulistanos, mas especificamente aqueles que se sentem destituídos. Essa é a oração adjetiva restritiva típica.

A técnica que decide

Para identificar o pronome relativo, substitua o "que" por "o qual/a qual/os quais/as quais". Se a substituição for possível e o termo retomar um antecedente, é pronome relativo. Além disso, verifique se a oração é restritiva: sem vírgulas, ela delimita o antecedente; com vírgulas, seria explicativa, apenas acrescentando uma informação sem restringir. No caso da letra E, a oração "que se sentem destituídos" é essencial para identificar de quais paulistanos se fala — sem ela, a frase perderia precisão.

Análise das alternativas

"Que" — funções
  • 1Pronome relativo
    • Retoma antecedente (equivale a "o qual")
    • Oração adjetiva restritiva (sem vírgula)
    • Oração adjetiva explicativa (com vírgula)
  • 2Conjunção integrante
    • Introduz oração substantiva ("disseram que...")
  • 3Locução conjuntiva
    • Comparativa ("do que")
    • Temporal ("a cada ano que passa")
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"O número de blocos autorizados pela Prefeitura de São Paulo a desfilar [...] chegou a 644, 180 a mais do que no ano passado."

Aqui o "que" faz parte da locução conjuntiva comparativa "do que", que introduz uma oração subordinada adverbial comparativa. Não retoma nenhum termo anterior, portanto não é pronome relativo. Erro: troca de conceito — confundir locução conjuntiva com pronome relativo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Para estes, o carnaval é a hora do pesadelo, que vem se tornando mais tétrico a cada ano que passa."

O primeiro "que" é pronome relativo, retomando "pesadelo", mas a oração é explicativa (separada por vírgula), apenas acrescenta uma informação, sem restringir. O segundo "que" faz parte da locução "a cada ano que passa", com valor temporal. Como o comando exige sentido de restrição, esta alternativa falha. Erro: contradiz o texto — a oração é explicativa, não restritiva.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"O problema é que a Prefeitura tem sido incapaz de oferecer o mesmo tratamento àqueles – grande maioria – que não estarão nos desfiles."

O primeiro "que" é conjunção integrante (introduz oração substantiva subjetiva: "que a Prefeitura tem sido incapaz..." = "o problema é isso"). O segundo "que" é pronome relativo, retomando "àqueles", e a oração é restritiva. Mas a alternativa apresenta dois "que" com funções diferentes; o comando pede a ocorrência em que o "que" é pronome relativo e imprime restrição — e aqui o primeiro "que" não é relativo. Erro: troca de conceito — confundir conjunção integrante com pronome relativo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Os moradores disseram que 'a região não é servida por metrô e a extensão da avenida não comporta grandes multidões'."

O "que" é conjunção integrante, introduzindo a oração subordinada substantiva objetiva direta ("disseram que..." = "disseram isso"). Não retoma termo anterior, logo não é pronome relativo. Erro: troca de conceito — confundir conjunção integrante com pronome relativo.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"A vitória dos moradores da Vila Leopoldina é um alento para os paulistanos que se sentem destituídos de sua condição de cidadãos durante o carnaval..."

O "que" é pronome relativo, retomando "paulistanos" (equivale a "os quais"), e introduz oração adjetiva restritiva: delimita quais paulistanos — apenas os que se sentem destituídos. Sem vírgulas, a oração é essencial para o sentido. Correta — é a única que atende plenamente ao comando.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre pronome relativo e conjunção integrante, além de exigir a percepção do valor restritivo da oração adjetiva. Na letra B, o "que" é relativo, mas a oração é explicativa — não restringe.

PEGA ESSA DICA!

Para testar se "que" é pronome relativo, substitua por "o qual/a qual". Para testar se a oração é restritiva, veja se ela é indispensável para identificar o antecedente — se for, é restritiva.

Gabarito: letra E.

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