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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — VUNESP 2023

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
vu184550
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Jundiaí
Ano
2023
Cargo
Ass Adm Sau ( )

O golpe está aí

 

Os celulares multiplicaram a chance de golpes. São de todo tipo: falsas pirâmides, oferecimento de serviços, falsos sequestros de familiares e assim por diante. Nossos sentimentos são sempre os mesmos: quando analisamos o golpe em setores que nunca nos enganariam, ficamos desolados com a ingenuidade alheia; quando se trata de algo que já fizemos, somos compreensivos. Nossa empatia é narcísica*, em geral.

 

Critiquei meu pai que quase caiu, lá por 2008, em um golpe de falso sequestro meu. “Como, pai, você, advogado, acostumado a analisar estelionatos, pode ter acreditado em uma história tão estapafúrdia?”

 

Ele argumentou comigo que o risco a um filho cegava quaisquer prudências e acionava um modo automático de defesa. O suposto grito de um filho apagava o título de advogado, e o risco à minha integridade o fragilizava. O amor tem razões alheias à razão em si, advertia Pascal.

 

Pensando nas muitas chances de golpe, acho importante que todos tenhamos presentes as zonas desprotegidas da mente. Risco aos filhos? Inquietudes financeiras? Sabendo onde estão nossos fios desencapados, fica mais fácil identificar risco de choque grave. Como posso agir então?

 

Devo programar meu cérebro. A voz gritando da minha filha me desestabiliza? Vou treinar e insistir muitas vezes que, em caso de ter o alarme acionado por uma ligação repentina, tomarei duas atitudes: ligarei para ela e para uma terceira pessoa (de preferência sem o mesmo envolvimento emocional) e seguirei a crise com a orientação alheia. Devo repetir, treinar, repetir e formar meu cérebro a essa reação. Reitero comigo todos os dias: “Se minha filha estiver em risco, envolverei meu cunhado e ligarei para ela”. Treinar a reação não impede a cegueira das prudências, mas cria um botão emergencial. Ao vivo e em segredo, a família pode treinar uma palavra-passe de emergência. O nome da avó ou o nome de um animal de estimação conhecido de todos. A palavra- -passe não deve estar no celular, pois ele pode ser clonado.

 

Todos possuímos fragilidades. O golpe está aí: cairemos todos. Os que se prepararem internamente possuirão maior esperança de evitar trambiqueiros.

(Leandro Karnal, O Estado de S.Paulo, 16 de nov. 2022. Adaptado)

 

*narcísica: relacionada ao mito de Narciso, que significa amor excessivo à própria imagem, que é voltado para si mesmo.

Leia o texto para responder à questão.

   

Observe o tempo verbal em destaque na frase do 4º parágrafo – … acho importante que todos tenhamos presentes as zonas desprotegidas da mente.

 

Assinale a alternativa que substitui, corretamente, a forma verbal, mantendo o mesmo tempo.

  1. A… acho importante que todos façamos…
  2. B… acho importante que todos pretendemos…
  3. C… acho importante que todos pensamos…
  4. D… acho importante que todos queremos…
  5. E… acho importante que todos valorizamos…
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — … acho importante que todos façamos…

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de frase: mantendo o tempo e o modo verbal

Gabarito: letra A. A forma "tenhamos" está no presente do subjuntivo (1ª pessoa do plural), e a única alternativa que preserva exatamente esse tempo e modo é "façamos" — também presente do subjuntivo. As demais opções trazem verbos no presente do indicativo, o que alteraria o modo e, portanto, o sentido da construção. A pista decisiva está na estrutura "que todos...", que exige o subjuntivo, como se lê no 4º parágrafo do texto.

"... acho importante que todos tenhamos presentes as zonas desprotegidas da mente."

Aqui, o verbo "ter" está flexionado no presente do subjuntivo, pois a oração "que todos tenhamos..." é uma oração subordinada substantiva que depende do verbo "acho importante" (que expressa desejo, opinião, possibilidade — contextos típicos do subjuntivo).

O comando da questão

O enunciado pede para substituir a forma verbal destacada mantendo o mesmo tempo. Isso significa que a alternativa correta deve apresentar o verbo no mesmo tempo e modo — não basta ter sentido parecido. A banca quer que você reconheça a flexão de presente do subjuntivo e escolha outra forma igualmente no subjuntivo.

A técnica que decide

  1. Identifique o tempo e o modo do verbo destacado: "tenhamos" = presente do subjuntivo (1ª pessoa do plural).

  2. Verifique a estrutura sintática: a conjunção "que" introduz uma oração subordinada substantiva, que frequentemente exige o subjuntivo quando o verbo principal expressa desejo, opinião, dúvida ou possibilidade (como "achar importante").

  3. Teste cada alternativa: a correta deve manter o presente do subjuntivo; as demais, ao usarem o presente do indicativo, mudam o modo e, consequentemente, o sentido.

O que é o modo subjuntivo?

O modo subjuntivo expressa ações incertas, desejadas, hipotéticas ou dependentes de outra ação. Diferente do indicativo, que expressa certeza e fatos, o subjuntivo marca a subjetividade e a dependência sintática. No trecho, "acho importante que todos tenhamos" indica uma opinião/desejo do autor — por isso o subjuntivo é obrigatório.

Por que as outras alternativas estão erradas?

Todas as demais opções (B, C, D, E) apresentam verbos no presente do indicativo: "pretendemos", "pensamos", "queremos", "valorizamos". Embora algumas façam sentido semanticamente ("queremos" até parece adequado), o modo está errado: o indicativo expressa certeza, não a possibilidade/desejo que o contexto exige. Além disso, a estrutura "que todos + verbo" após "achar importante" exige subjuntivo — usar indicativo quebra a correção gramatical.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"façamos" está no presente do subjuntivo, 1ª pessoa do plural, exatamente como "tenhamos". A substituição mantém o tempo e o modo, preservando o sentido de possibilidade/desejo. Veja a equivalência:

Verbo

Presente do subjuntivo (1ª p. plural)

ter

tenhamos

fazer

façamos

Alternativa B — ❌ Incorreta

"pretendemos" está no presente do indicativo (1ª pessoa do plural). O modo indicativo expressa certeza, não a possibilidade/desejo que o contexto exige. Além disso, "pretender" não se encaixa semanticamente: o autor não diz que todos "pretendem" ter as zonas presentes, mas que é importante que as tenham. Erro: troca de modo (indicativo em vez de subjuntivo).

Alternativa C — ❌ Incorreta

"pensamos" também está no presente do indicativo. O sentido até poderia ser plausível ("pensar" em algo), mas o modo está errado: o subjuntivo é obrigatório após "que todos" nesse contexto. Erro: troca de modo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"queremos" está no presente do indicativo. Embora "querer" expresse desejo, o modo indicativo não é o exigido pela estrutura "achar importante que". O correto seria "que todos queiramos" (presente do subjuntivo). Erro: troca de modo e forma verbal incorreta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"valorizamos" está no presente do indicativo. O sentido de "valorizar" até se aproxima de "ter presentes", mas o modo está errado. Erro: troca de modo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece verbos no presente do indicativo que parecem semanticamente adequados (principalmente "queremos"), mas o que decide é o modo verbal, não o sentido. Desconfie de alternativas que "fazem sentido" mas não respeitam a exigência gramatical do subjuntivo.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever frases, identifique primeiro o tempo e o modo do verbo destacado. Depois, verifique se a estrutura sintática (como "que todos") exige subjuntivo. Só então teste as alternativas.

Gabarito: letra A.

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