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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — VUNESP 2023

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
vu184557
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Marília
Ano
2023
Cargo
Ass (Araçatuba)

Repetir histórias

 

Se você convive com alguém há algum tempo, sabe que ouvirá, pelo menos algumas vezes, narrativas repetidas. Casar ou ter amigos de anos implica a consequência necessária da duplicidade. Aceite que dói menos.

 

Ninguém leva uma vida sendo sempre original. Não existe humorista profissional que consiga, todas as noites no palco, contar coisas engraçadas 100% novas.

 

Viajou, houve um perrengue que visto a distância ficou divertido? Perfeito: fará parte do seu repertório. Um conservador senhor de meia-idade que foi comigo ao Japão em um grupo contou-me que, ao abrir sua mala em busca de blazers escuros e calças tradicionais com meias pretas, encontrou farto sortimento de calcinhas de renda delicada. Ele abriu a mala (não deu detalhes de como isso ocorreu com uma que não lhe pertencia) e, estupefato, viu emergir aquele festival de intimidades de uma mulher (ou de outro homem) ... A mala trocada foi trazida no dia seguinte. O ocorrido foi contado ao grupo no café da manhã e a sisudez do nosso companheiro tradicionalista tornava tudo muito mais saboroso. Mais de uma alma zombeteira deve ter imaginado se ele teria tocado o conteúdo, quiçá inclusive experimentado algo... Bem, deixemos a picardia* de lado.

 

Histórias de viagens são boas. Claro, não são novas sempre... Pode ser que, em alguma festa, o público seja novo e o fato cômico seja recebido com receptividade alegre. O provável, também, é que sua esposa olhe para cima resignada diante da sua tentativa de stand-up*. Sim, foi dito o sim ao amor “na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza” no altar; ninguém falou “na repetição incessante e tediosa de tudo”.

 

Darei uma pista boa de psicanálise. Alguém que ouve um paciente nunca deve dizer: “Você já contou esta”. Se uma pessoa insiste na mesma narrativa, provavelmente, tem algum motivo para isso. Mais importante: a cada nova recitação um detalhe muda e se torna, em si, uma pista do que está ocorrendo naquele momento. Ouvir de novo deveria aguçar seu ouvido para sutilezas e fornecer novas inspirações para conhecer alguém. Lute, com esperança, pelo seu casamento. Amar também é ouvir.

 

(Leandro Karnal. O Estado de S. Paulo, 11 de maio de 2022. Adaptado)

 

picardia: ato próprio de quem faz caçoada, zombaria.

 

stand-up: ficar de pé, tentativa de fazer graça, obter sucesso com o fato cômico contado.

Texto

   

Assinale a alternativa em que a expressão em destaque no trecho a seguir está reescrita corretamente, sem alteração do sentido do texto.

 

Um conservador senhor de meia-idade (...) contou-me que, ao abrir sua mala... (3o parágrafo)

  1. Acomo tinha aberto sua mala...
  2. Bse tivesse aberto sua mala...
  3. Cquando abriu sua mala...
  4. Dporque abriu sua mala...
  5. Eembora abrisse sua mala...
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — quando abriu sua mala...

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita de Frases: valor temporal da oração reduzida de infinitivo

Gabarito: letra C. A expressão "ao abrir sua mala" é uma oração reduzida de infinitivo com valor temporal — indica o momento em que a ação de "encontrar" ocorre. A única reescrita que preserva exatamente esse sentido é "quando abriu sua mala", pois a conjunção "quando" também introduz uma circunstância de tempo. As demais alternativas alteram o valor semântico: "como" (causal/modal), "se" (condicional), "porque" (causal) e "embora" (concessiva).

O comando da questão é claro: pede uma reescrita "sem alteração do sentido do texto". Isso significa que a alternativa correta deve manter a mesma relação lógica que a expressão original estabelece com o restante da frase. Não se trata de escolher a opção mais bonita ou gramaticalmente correta, mas sim a que preserva o valor semântico da expressão destacada.

No trecho original, temos:

"Um conservador senhor de meia-idade (...) contou-me que, ao abrir sua mala em busca de blazers escuros e calças tradicionais com meias pretas, encontrou farto sortimento de calcinhas de renda delicada."

A expressão "ao abrir" é uma oração reduzida de infinitivo que funciona como adjunto adverbial de tempo. Ela responde à pergunta "quando?": foi no momento em que abriu a mala que ele encontrou o conteúdo inesperado. A relação é de simultaneidade entre as duas ações: abrir a mala e encontrar as calcinhas.

A técnica para resolver é simples: substitua a expressão por cada uma das alternativas e verifique se a relação temporal se mantém. A conjunção "quando" é a única que expressa tempo. As demais introduzem outras relações:

Alternativa

Conectivo

Valor semântico

Efeito no texto

A

como

causal/modal

"abriu" vira causa ou modo de "encontrar"

B

se

condicional

"abrir" vira condição hipotética

C

quando

temporal

mantém a simultaneidade

D

porque

causal

"abrir" vira causa de "encontrar"

E

embora

concessiva

"abrir" vira fato que não impede "encontrar"

A pegadinha da banca está em oferecer alternativas que mudam sutilmente a relação lógica entre as ações. O candidato que não identifica o valor temporal da expressão original pode ser seduzido por "como" ou "porque", que parecem plausíveis, mas alteram o sentido.

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca o valor semântico da oração reduzida. "Como" e "porque" introduzem causa, "se" introduz condição e "embora" introduz concessão — todas alteram o sentido original, que é puramente temporal.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever, pergunte-se: "que relação a expressão destacada estabelece com o restante da frase?" Se responde a "quando?", é temporal; a "por quê?", é causal; a "em que condição?", é condicional. A alternativa correta é a que mantém a mesma resposta.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"como tinha aberto sua mala..." — A conjunção "como" pode introduzir causa ("Como choveu, não saí") ou modo ("Faça como eu"). No contexto, "como tinha aberto" sugere que o fato de ter aberto a mala é a causa de ter encontrado as calcinhas, ou o modo como as encontrou. Isso altera o sentido original, que é meramente temporal. Erro: troca de valor semântico (causal/modal em vez de temporal).

Alternativa B — ❌ Incorreta

"se tivesse aberto sua mala..." — A conjunção "se" introduz uma condição hipotética. A frase passaria a significar que, se ele tivesse aberto a mala (o que pode não ter acontecido), teria encontrado as calcinhas. No texto, porém, a abertura da mala é um fato ocorrido, não uma hipótese. Erro: transforma fato em condição hipotética (contradiz o texto).

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"quando abriu sua mala..." — A conjunção "quando" introduz uma circunstância de tempo, exatamente como a expressão original "ao abrir". A frase mantém o sentido de que, no momento em que abriu a mala, ele encontrou o conteúdo inesperado. A relação de simultaneidade é preservada. Correta: preserva o valor temporal.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"porque abriu sua mala..." — A conjunção "porque" introduz uma causa. A frase passaria a significar que o fato de ter aberto a mala é a razão de ter encontrado as calcinhas. No texto, a abertura da mala é apenas o momento em que o encontro ocorreu, não a causa. Erro: troca de valor semântico (causal em vez de temporal).

Alternativa E — ❌ Incorreta

"embora abrisse sua mala..." — A conjunção "embora" introduz uma concessão (fato que não impede outro). A frase passaria a significar que, apesar de ter aberto a mala, ele encontrou as calcinhas — o que é ilógico, pois foi justamente ao abrir que ele as encontrou. Erro: troca de valor semântico (concessiva em vez de temporal) e cria contradição lógica.

Gabarito: letra C. A chave da questão é reconhecer o valor temporal da oração reduzida de infinitivo "ao abrir" e identificar que apenas a conjunção "quando" preserva essa relação. As demais alternativas introduzem valores semânticos diferentes (causa, condição, concessão), alterando o sentido do texto.

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