Questão de Português — Vocábulo "Que" — VUNESP 2023
Português›Vocábulo "Que"
Código
vu184568
Banca
VUNESP
Órgão
DPE SP
Ano
2023
Cargo
ODP ( )
Democracia fraca afeta o PIB
Uma pesquisa sobre o desenvolvimento de mais de 160 países com realidades políticas variadas, no período de 1960 a 2018, comparou o desempenho de regimes democráticos com aqueles nos quais a democracia é parcial, incompleta ou, em uma palavra, instável. A conclusão foi inequívoca: no longo prazo, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita das chamadas democracias defeituosas, iliberais ou híbridas cresceu cerca de 20% menos do que em regimes democráticos estáveis. A democracia é fator de avanço econômico.
Os autores do estudo são economistas vinculados a instituições europeias: Nauro Campos, da Universidade College London; Fabrizio Coricelli, da Paris School of Economics; e Marco Frigerio, da Universidade de Siena. Segundo eles, uma das consequências negativas da instabilidade democrática é a prevalência de visões de curto prazo. “A instabilidade induz a comportamento míope com o objetivo de obter rendas no curto prazo e desconsiderar os efeitos a longo prazo”, diz o texto. Uma revisão bibliográfica apontou que essa visão curto-prazista típica de regimes instáveis acaba diminuindo investimentos no setor produtivo.
A democracia, segundo outro pesquisador citado no estudo, aumenta as chances de reformas econômicas e de ampliação das matrículas na educação básica. Segundo o professor Nauro Campos, em entrevista ao jornal O Globo, democracias frágeis e debilitadas prejudicam a execução de políticas públicas. Um exemplo disso é a nomeação de pessoas despreparadas para órgãos técnicos que prestam serviços à população. Esse tipo de problema, afirmou Campos, faz cair a confiança nas instituições.
O regime democrático prevê direitos civis, sociais, políticos e de propriedade. Capaz de solucionar pacificamente conflitos por meio da política, em vez da guerra, a democracia é chave também para o crescimento econômico.
No trecho “Uma revisão bibliográfica apontou que essa visão curto-prazista típica de regimes instáveis acaba diminuindo investimentos no setor produtivo.”, a classe de palavra a que pertence o termo “que” é a mesma daquele destacado em:
AAs nações que têm instabilidade democrática crescem menos.
BÉ importante que as nações tenham suas economias fortalecidas.
CQue ações serão necessárias para fortalecer as economias mundiais?
DOs estudiosos, que analisam a economia, são de renomadas universidades.
EQue espanto causa a todos saber que o PIB de um país não cresce.
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GabaritoB — É importante que as nações tenham suas economias fortalecidas.
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Funções do "que": conjunção integrante × pronome relativo
Gabarito: letra B. No trecho do texto, o "que" é conjunção integrante, pois introduz uma oração que funciona como objeto direto do verbo "apontou" — e a única alternativa que repete essa mesma classe é a B, em "É importante que as nações tenham suas economias fortalecidas", em que o "que" também é conjunção integrante (oração subjetiva). A pista decisiva é o macete da troca por "isso": "apontou isso" e "É importante isso" — se a troca funciona, é conjunção integrante.
O comando
A questão pede que você identifique a classe de palavra do "que" no trecho destacado e encontre, nas alternativas, outra ocorrência com a mesma classe. Isso é uma questão de morfossintaxe: não basta saber o que a palavra significa; é preciso analisar a função que ela exerce na oração. O comando "a classe de palavra a que pertence o termo 'que'" exige que você classifique o "que" do texto e, depois, compare com cada alternativa, verificando se a função é idêntica.
O texto e o trecho-chave
No trecho do texto-base:
"Uma revisão bibliográfica apontou que essa visão curto-prazista típica de regimes instáveis acaba diminuindo investimentos no setor produtivo."
Aqui, o "que" não retoma nenhum termo anterior (não é pronome relativo). Ele apenas conecta o verbo "apontou" à oração que funciona como seu complemento: "essa visão curto-prazista... diminui investimentos". Essa oração exerce a função de objeto direto do verbo "apontar" (quem aponta, aponta algo). Logo, o "que" é conjunção integrante, pois introduz uma oração subordinada substantiva.
A técnica que decide: o macete do "isso"
Para classificar o "que" como conjunção integrante, use o teste clássico: substitua a oração iniciada por "que" pela palavra "isso". Se a frase continuar fazendo sentido, é conjunção integrante. Veja:
"Uma revisão bibliográfica apontou isso." → faz sentido? Sim. Logo, "que" é conjunção integrante.
"É importante isso." → faz sentido? Sim. Logo, na alternativa B, "que" também é conjunção integrante.
Esse macete funciona porque a conjunção integrante não tem função sintática própria; ela apenas introduz uma oração que exerce função de sujeito, objeto, predicativo etc. Já o pronome relativo pode ser trocado por "o qual/a qual/os quais/as quais" e retoma um termo anterior. A partícula expletiva pode ser retirada sem prejuízo de sentido.
Análise das alternativas
"Que" (classificação): Conjunção integrante (Troca por "isso", Introduz oração substantiva, Gabarito (B)); Pronome relativo (Retoma termo anterior, Troca por "o qual", Ex.: A e D); Pronome interrogativo (Inicia pergunta direta, Ex.: C); Pronome exclamativo (Expressa admiração, Ex.: E)
Alternativa A — ❌ Incorreta
"As nações que têm instabilidade democrática crescem menos."
Aqui, o "que" é pronome relativo: retoma "nações" e equivale a "as quais". A oração "que têm instabilidade democrática" é adjetiva restritiva, caracterizando as nações. Erro: troca de classe — o texto pede conjunção integrante, não pronome relativo.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"É importante que as nações tenham suas economias fortalecidas."
O "que" é conjunção integrante: introduz a oração "as nações tenham suas economias fortalecidas", que funciona como sujeito da oração principal (oração subjetiva). Teste: "É importante isso" — funciona. Mesma classe do trecho do texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"Que ações serão necessárias para fortalecer as economias mundiais?"
Aqui, o "que" é pronome interrogativo (ou adjetivo interrogativo), pois inicia uma pergunta direta e modifica o substantivo "ações". Não é conjunção integrante. Erro: troca de classe — pronome interrogativo ≠ conjunção integrante.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Os estudiosos, que analisam a economia, são de renomadas universidades."
O "que" é pronome relativo: retoma "estudiosos" e equivale a "os quais". A oração "que analisam a economia" é adjetiva explicativa (entre vírgulas). Erro: troca de classe — pronome relativo ≠ conjunção integrante.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Que espanto causa a todos saber que o PIB de um país não cresce."
O primeiro "que" é pronome exclamativo (ou advérbio de intensidade), pois expressa admiração e equivale a "quão". O segundo "que" (antes de "o PIB") é conjunção integrante, mas a questão pede a mesma classe do trecho destacado — e o primeiro "que" é o destacado. Erro: troca de classe — pronome exclamativo ≠ conjunção integrante.
Conclusão
A alternativa B é a única em que o "que" exerce a mesma função do trecho do texto: conjunção integrante. As demais alternativas usam o "que" como pronome relativo (A, D), pronome interrogativo (C) ou pronome exclamativo (E).
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura ocorrências de "que" com classes diferentes para testar se você domina a função no contexto. O macete do "isso" resolve na hora: se a oração pode ser substituída por "isso", é conjunção integrante.
PEGA ESSA DICA!
Antes de classificar o "que", pergunte: ele retoma um termo anterior? Se sim, é pronome relativo. Ele pode ser retirado sem mudar o sentido? Se sim, é partícula expletiva. Ele introduz uma oração que funciona como sujeito/objeto? Se sim, é conjunção integrante.