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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu184574
Banca
VUNESP
Órgão
CAMPREV
Ano
2023
Cargo
Ag Adm ( )

Enganos

 

Difícil quem nunca passou por algum engano nesta vida. Dos pequenos, bizarros, aos mais cruéis – ciladas; enganos da avaliação errada, distorcida, conduzida pela ingenuidade ou pela miopia, quando faltam sagacidade, apuração, conhecimento. E dá na tal história: “pensei que era joia rara, era bijuteria”.

 

E vai da melancia que alguém disse ser doce, ao profissional que se consultou, passando por amizades, relacionamentos amorosos, negócios em sociedade e uma fieira infinita de eteceteras. Algum dia você é enganado!

 

Melhor do que enganar, sabia? Por piores que sejam os danos, as perdas, os males, melhor, bem melhor será o resgate daquele que foi enganado do que o fim do usurpador. Mesmo com uma justiça tão injusta, humana e falha, mesmo assim, melhor é não estar no balcão dos malfeitores.

 

Baltasar Gracián y Morales, importante prosador do séc. XVII, escreveu: “ninguém mais fácil de enganar que um homem honesto, muito confia quem nunca engana”. E é assim mesmo. Quem tem a honestidade como primícia enxerga o outro da mesma forma, com as lentes do seu bom coração, da ética, de valores corretos e verdades.

 

O fato é que enganos são astúcias de um inimigo muito bem preparado. O sacerdote inglês Charles Caleb Colton deixou a seguinte pérola: “há enganos tão bem elaborados que seria estupidez não ser enganado por eles”.

 

Encerro com o filósofo Ralph Waldo Emerson. Numa carta de 1854, para a filha Ellen, ele escreveu linda e bondosamente: “Termine cada dia e esteja contente com ele. Você fez o que pôde. Alguns enganos e tolices se infiltraram indubitavelmente; esqueça-os tão logo você consiga. Amanhã é um novo dia; comece-o bem e serenamente com um espírito elevado demais para ser incomodado pelas tolices do passado.”

 

Então, houve enganos? Perdoe-os e perdoe-se e siga em frente!

 

(Elma E. Bassan Mendes, Diário da Região, 21.01.2023. Adaptado)

Leia o texto, para responder à questão.     A afirmação – Pensei que era joia rara, era bijuteria – permite deduzir a ideia de que
  1. Aaparências são enganosas.
  2. Bnem tudo que custa caro é bom.
  3. Cé impossível viver de enganos.
  4. Damigos verdadeiros não existem.
  5. Enem sempre a verdade se revela.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — aparências são enganosas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A expressão “joia rara” e a ideia de aparência enganosa

Gabarito: letra A. A afirmação “pensei que era joia rara, era bijuteria” permite deduzir a ideia de que as aparências enganam, pois o eu lírico confiou na aparência de algo valioso (joia rara) e descobriu que, na verdade, era algo sem valor (bijuteria). Essa oposição entre o que se pensava e o que realmente era está ancorada no texto, que trata justamente dos enganos causados por avaliações equivocadas.

O comando pede uma dedução — ou seja, uma inferência a partir da frase. Não se trata de localizar uma informação explícita, mas de extrair a ideia subjacente: a expressão metafórica “joia rara” representa algo de grande valor aparente, enquanto “bijuteria” representa algo de pouco valor real. A contraposição entre esses dois termos sugere que a aparência pode ser ilusória.

No texto, a frase aparece logo após a descrição dos enganos: “enganos da avaliação errada, distorcida, conduzida pela ingenuidade ou pela miopia”. Essa passagem reforça que o engano decorre de uma avaliação equivocada — exatamente o que ocorre quando se toma bijuteria por joia rara. Além disso, o texto cita Gracián: “ninguém mais fácil de enganar que um homem honesto, muito confia quem nunca engana”, mostrando que a confiança ingênua leva ao engano.

A técnica para resolver é: teste cada alternativa perguntando se o texto a autoriza. A correta deve ser uma paráfrase fiel da ideia central, sem acrescentar informações externas. As demais alternativas ou extrapolam o texto, ou restringem seu alcance, ou introduzem opiniões que o autor não externou.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A é a única inteiramente sustentada pelo texto. A frase “pensei que era joia rara, era bijuteria” expressa uma avaliação equivocada: o eu lírico julgou algo como valioso (joia rara) quando, na verdade, era sem valor (bijuteria). Essa oposição entre o que se pensava e o que realmente era é a essência da ideia de que as aparências enganam. O texto reforça isso ao falar de “enganos da avaliação errada, distorcida, conduzida pela ingenuidade ou pela miopia” — a miopia aqui é justamente a incapacidade de ver além da aparência. A alternativa é uma paráfrase fiel dessa ideia central.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B afirma que “nem tudo que custa caro é bom”. O texto não menciona custo ou preço em nenhum momento. A expressão “joia rara” não se refere a algo caro, mas a algo de grande valor — valor esse que pode ser afetivo, moral ou simbólico, não necessariamente monetário. Essa alternativa extrapola o texto, acrescentando uma informação (custo) que não está presente. O erro é do tipo extrapolação: o candidato projeta no texto uma ideia do mundo real (coisas caras podem ser ruins) que o autor não abordou.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que “é impossível viver de enganos”. O texto não diz isso. Pelo contrário, o texto afirma que “algum dia você é enganado” e que “enganos são astúcias de um inimigo muito bem preparado”. A ideia central é que os enganos acontecem e são difíceis de evitar, não que seja impossível vivê-los. Essa alternativa contradiz o texto, pois inverte a ideia central: o texto diz que os enganos são inevitáveis, a alternativa diz que é impossível vivê-los. O erro é do tipo contradiz_texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D afirma que “amigos verdadeiros não existem”. O texto menciona “amizades” como um dos exemplos de situações em que se pode ser enganado, mas não afirma que amigos verdadeiros não existem. Essa é uma generalização indevida: o texto diz que amizades podem envolver enganos, mas não que todas as amizades sejam falsas. A alternativa restringe o alcance do texto, transformando uma possibilidade (algumas amizades podem enganar) em uma afirmação absoluta (nenhum amigo é verdadeiro). O erro é do tipo generalizacao.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E afirma que “nem sempre a verdade se revela”. O texto não discute se a verdade se revela ou não. A frase “pensei que era joia rara, era bijuteria” mostra que a verdade foi revelada — o eu lírico descobriu que era bijuteria. O texto trata do momento em que o engano é percebido, não da ocultação permanente da verdade. Essa alternativa tangencia o tema: fala de algo remotamente relacionado (a revelação da verdade), mas não é o que a frase expressa. O erro é do tipo fora_do_escopo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a tendência de projetar no texto ideias do mundo real (coisas caras podem ser ruins, amigos podem enganar) que o autor não mencionou. A correta é a única que se limita ao que a frase expressa: a oposição entre aparência e realidade.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de inferência, pergunte-se: “o texto me obriga a concluir isso?”. Se a alternativa depende de uma informação que não está no texto, ela é uma extrapolação.

Gabarito: letra A — a única alternativa que o texto sustenta integralmente, sem acrescentar, restringir ou contradizer nada.

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