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Questão de Português — Vocábulo "Que" — VUNESP 2023

PortuguêsVocábulo "Que"
Código
vu184576
Banca
VUNESP
Órgão
CAMPREV
Ano
2023
Cargo
Ag Adm ( )

Enganos

 

Difícil quem nunca passou por algum engano nesta vida. Dos pequenos, bizarros, aos mais cruéis – ciladas; enganos da avaliação errada, distorcida, conduzida pela ingenuidade ou pela miopia, quando faltam sagacidade, apuração, conhecimento. E dá na tal história: “pensei que era joia rara, era bijuteria”.

 

E vai da melancia que alguém disse ser doce, ao profissional que se consultou, passando por amizades, relacionamentos amorosos, negócios em sociedade e uma fieira infinita de eteceteras. Algum dia você é enganado!

 

Melhor do que enganar, sabia? Por piores que sejam os danos, as perdas, os males, melhor, bem melhor será o resgate daquele que foi enganado do que o fim do usurpador. Mesmo com uma justiça tão injusta, humana e falha, mesmo assim, melhor é não estar no balcão dos malfeitores.

 

Baltasar Gracián y Morales, importante prosador do séc. XVII, escreveu: “ninguém mais fácil de enganar que um homem honesto, muito confia quem nunca engana”. E é assim mesmo. Quem tem a honestidade como primícia enxerga o outro da mesma forma, com as lentes do seu bom coração, da ética, de valores corretos e verdades.

 

O fato é que enganos são astúcias de um inimigo muito bem preparado. O sacerdote inglês Charles Caleb Colton deixou a seguinte pérola: “há enganos tão bem elaborados que seria estupidez não ser enganado por eles”.

 

Encerro com o filósofo Ralph Waldo Emerson. Numa carta de 1854, para a filha Ellen, ele escreveu linda e bondosamente: “Termine cada dia e esteja contente com ele. Você fez o que pôde. Alguns enganos e tolices se infiltraram indubitavelmente; esqueça-os tão logo você consiga. Amanhã é um novo dia; comece-o bem e serenamente com um espírito elevado demais para ser incomodado pelas tolices do passado.”

 

Então, houve enganos? Perdoe-os e perdoe-se e siga em frente!

 

(Elma E. Bassan Mendes, Diário da Região, 21.01.2023. Adaptado)

Leia o texto, para responder à questão.

   

Na passagem – ... há enganos tão bem elaborados que seria estupidez não ser enganado por eles. – o trecho destacado expressa, em relação ao que o antecede, o sentido de

  1. Amodo.
  2. Bconsequência.
  3. Cconclusão.
  4. Doposição.
  5. Ecomparação.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — consequência.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relação semântica de consequência na correlação "tão... que"

Gabarito: letra B. O trecho "que seria estupidez não ser enganado por eles" expressa consequência em relação ao que o antecede, pois a conjunção "que", correlacionada ao advérbio "tão", introduz uma oração subordinada adverbial consecutiva: os enganos são tão bem elaborados, por isso seria estupidez não ser enganado por eles. A pista decisiva está na estrutura "tão... que", que é a marca clássica da oração consecutiva, como se lê no trecho do texto.

"há enganos tão bem elaborados que seria estupidez não ser enganado por eles"

A correlação "tão... que" estabelece uma relação de causa e consequência: a causa é o alto grau de elaboração dos enganos ("tão bem elaborados"); a consequência é a inevitabilidade de ser enganado ("que seria estupidez não ser enganado por eles"). Essa é a leitura que o texto autoriza, e é exatamente o que a alternativa B afirma.

O comando da questão

O enunciado pede que se identifique a relação de sentido que o trecho destacado estabelece com o que o antecede. Isso é uma questão de compreensão de conectivos e relações semânticas: não se trata de interpretar o texto como um todo, mas de reconhecer o valor lógico da conjunção "que" no contexto específico. Para resolver, é preciso conhecer a função das orações subordinadas adverbiais e, em especial, a correlação "tão... que".

A técnica que decide

A oração consecutiva é introduzida por conjunções como "que", "de modo que", "de forma que", e, em geral, vem correlacionada a termos como "tão", "tanto", "tal", "tamanho" na oração anterior. Essa correlação é a marca registrada da consequência: a oração anterior apresenta uma intensidade ou qualidade (causa), e a oração consecutiva apresenta o efeito inevitável dessa intensidade. No trecho, "tão bem elaborados" é a causa; "seria estupidez não ser enganado" é a consequência. A banca adora explorar essa estrutura, pois o candidato pode confundir com outras relações, como modo ou comparação.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Modo indicaria a maneira como algo é feito, respondendo à pergunta "como?". No trecho, "que seria estupidez não ser enganado" não responde a "como os enganos são elaborados", mas sim ao efeito de serem tão bem elaborados. A relação é de consequência, não de modo.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A correlação "tão... que" é a estrutura clássica da oração subordinada adverbial consecutiva. A causa é a intensidade da elaboração ("tão bem elaborados"); a consequência é a inevitabilidade de ser enganado ("que seria estupidez não ser enganado por eles"). O texto autoriza essa leitura, e a alternativa B a expressa corretamente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Conclusão é uma relação em que a segunda oração apresenta uma dedução ou fechamento do raciocínio, geralmente introduzida por "portanto", "logo", "então". No trecho, não há uma conclusão lógica, mas sim um efeito decorrente da intensidade expressa. A relação é de consequência, não de conclusão.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Oposição é uma relação de contraste, geralmente introduzida por "mas", "porém", "contudo". No trecho, não há contraste entre as ideias; ao contrário, há uma relação de causa e efeito. A oposição não se aplica ao contexto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Comparação é uma relação em que se estabelece uma equivalência ou semelhança entre dois termos, geralmente introduzida por "como", "tal qual", "tanto quanto". No trecho, não há comparação entre elementos; há uma relação de intensidade e consequência. A comparação não se aplica ao contexto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre consequência e outras relações semânticas, especialmente modo e comparação. A chave é identificar a correlação "tão... que", que é a marca da oração consecutiva.

PEGA ESSA DICA!

Ao encontrar "tão... que", "tanto... que", "tal... que", "tamanho... que", lembre-se: é consequência. A oração anterior é a causa; a oração com "que" é o efeito.

Gabarito: letra B.

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