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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu184588
Banca
VUNESP
Órgão
SAME FM
Ano
2023
Cargo
Farm ( )

Meninos e gibis

 

Fomos uma geração de bons meninos. E acreditem: em boa parte por causa dos heróis dos quadrinhos. Éramos viciados em gibis. Nosso ideal do bem pode ser creditado ao Batman & Cia. Os heróis eram o exemplo máximo de bravura, doação e virtude.

 

Gibis abasteciam de ética o vasto campo da fantasia infantil, sem cobrar pela lição. Não era só por exigência da família, da escola ou da religião que os meninos tinham de ser bons e retos: eles queriam ser retos e bons – como os heróis.

 

Viviam o bem na imaginação, porque o bem era a condição do herói. A lei e a ordem eram a regra dentro da qual eles transitavam. Eram o lado certo que combatia o lado errado.

 

Atualmente não sei. Parei de ler gibis, só pego um ou outro da seção nostalgia. Nos anos 70 e 80, ainda surgiram heróis interessantes, mas alguns parecem cheios de ódio, como o Wolverine, ou vítimas confusas sem noção de bem e mal, como o Hulk. Complicou-se a simplicidade do bem. Na televisão, os heróis urram, gritam, destroem, torturam, estridentes como os arqui-inimigos maléficos. Não são simples e afinados com seus dons, como os heróis clássicos, são complexos, dramáticos e ambíguos, como ficou o mundo.

 

E a generosidade e a renúncia? Ah, os heróis antigos abriam mão de necessidades pessoais: atividades particulares, noivas, afetos, bens – tudo ficava em segundo plano. E a modéstia? Muitos tinham uma identidade secreta, não visavam ao aplauso pessoal. Longe deles a pretensão do brilho e a tentação das revistas de celebridades. E a coragem? Nada havia que os intimidasse. Não conheço ninguém assim, mas acalento a expectativa otimista de que essa generosidade um dia se manifeste não em mim (modesto de santidade e preguiçoso de ações), mas em alguém.

 

É difícil avaliar quanto dessas virtudes resistiu dentro de nós, mas as habilidades e os superpoderes certamente convivem conosco no campo dos sonhos e delírios.

 

(Ivan Angelo. https://vejasp.abril.com.br/cidades/meninos-gibis. Adaptado)

Pode-se afirmar corretamente que o autor
  1. Anão acredita que seres humanos possam realizar ações corajosas, pois elas ocorrem exclusivamente no campo da ficção.
  2. Breconhece que jamais se tornaria um herói, visto que, embora seja intrépido, não possui porte físico apropriado.
  3. Calega que ter superpoderes, como ser modesto e avesso a aplausos, integra o perfil de heróis e heroínas atemporais.
  4. Dnutre a esperança de que as qualidades que forjam um herói, como o altruísmo, sejam um dia encarnadas por alguém.
  5. Edefende que os heróis dos gibis e da TV, contrariamente aos arqui-inimigos, são indivíduos ousados e intimidadores.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — nutre a esperança de que as qualidades que forjam um herói, como o altruísmo, sejam um dia encarnadas por alguém.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Compreensão do texto "Meninos e gibis"

Gabarito: letra D. O autor nutre a esperança de que as qualidades que forjam um herói, como o altruísmo, sejam um dia encarnadas por alguém — é exatamente o que ele declara no 5º parágrafo: "acalento a expectativa otimista de que essa generosidade um dia se manifeste não em mim (modesto de santidade e preguiçoso de ações), mas em alguém". A alternativa D é a única que parafraseia fielmente essa passagem, sem acrescentar, restringir ou contradizer nada do texto.

O comando pede compreensão ("Pode-se afirmar corretamente que o autor") — ou seja, a resposta deve ser uma paráfrase de uma informação explícita no texto, não uma dedução nem uma extrapolação. Isso muda tudo na resolução: cada alternativa deve ser testada perguntando "onde o texto diz exatamente isto?". Se a alternativa exigir que o leitor acrescente algo de fora (conhecimento de mundo, opinião pessoal, suposição), ela está errada por definição.

O texto é uma crônica em que o autor compara os heróis dos gibis de sua infância ("exemplo máximo de bravura, doação e virtude") com os heróis atuais ("complexos, dramáticos e ambíguos"). No 5º parágrafo, ele enumera as virtudes dos heróis antigos — generosidade, renúncia, modéstia, coragem — e termina com a declaração-chave que resolve a questão:

"Não conheço ninguém assim, mas acalento a expectativa otimista de que essa generosidade um dia se manifeste não em mim (modesto de santidade e preguiçoso de ações), mas em alguém."

A técnica que decide é a ancoragem literal: a alternativa correta é a que reescreve essa passagem com sinônimos, sem mudar o sentido. "Nutre a esperança" = "acalento a expectativa otimista"; "as qualidades que forjam um herói" = "essa generosidade" (e as demais virtudes citadas); "sejam um dia encarnadas por alguém" = "um dia se manifeste... mas em alguém". A palavra "altruísmo" é sinônimo de "generosidade" — o texto fala de abrir mão de necessidades pessoais, exatamente o altruísmo.

A pegadinha central da banca é a extrapolação com fato verdadeiro: várias alternativas soam plausíveis no mundo real, mas atribuem ao autor ideias que ele não escreveu. O método infalível é: grife a passagem que sustenta cada alternativa; se não houver, elimine.

Alternativa A — ❌ Incorreta

"não acredita que seres humanos possam realizar ações corajosas, pois elas ocorrem exclusivamente no campo da ficção"

Erro: extrapolação. O texto diz que os heróis eram "o exemplo máximo de bravura" e que "nada havia que os intimidasse", mas em nenhum momento afirma que ações corajosas não podem ocorrer na vida real. Pelo contrário: o autor diz "acalento a expectativa otimista de que essa generosidade um dia se manifeste... em alguém" — ou seja, ele acredita que as virtudes podem se manifestar em seres humanos. A palavra "exclusivamente" é um absoluto que restringe indevidamente o alcance do texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"reconhece que jamais se tornaria um herói, visto que, embora seja intrépido, não possui porte físico apropriado"

Erro: extrapolação + contradição. O autor se autodenomina "modesto de santidade e preguiçoso de ações" — ou seja, ele se considera pouco corajoso e pouco generoso, não "intrépido". Além disso, o texto não menciona porte físico em nenhum momento; essa é uma informação totalmente externa, acrescentada pela banca. O "jamais" também é um absoluto que o texto não sustenta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"alega que ter superpoderes, como ser modesto e avesso a aplausos, integra o perfil de heróis e heroínas atemporais"

Erro: troca de conceito. O texto diz que os heróis antigos eram modestos e "não visavam ao aplauso pessoal" — mas isso é apresentado como virtude moral, não como "superpoder". O autor distingue claramente os dois planos no último parágrafo: "as habilidades e os superpoderes certamente convivem conosco no campo dos sonhos e delírios" — ou seja, superpoderes são fantasia, enquanto a modéstia é virtude real. A alternativa embaralha os dois conceitos.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"nutre a esperança de que as qualidades que forjam um herói, como o altruísmo, sejam um dia encarnadas por alguém"

Paráfrase fiel do trecho: "acalento a expectativa otimista de que essa generosidade um dia se manifeste não em mim (modesto de santidade e preguiçoso de ações), mas em alguém". Cada elemento da alternativa corresponde a um elemento do texto: "nutre a esperança" = "acalento a expectativa otimista"; "as qualidades que forjam um herói" = "essa generosidade" (e as virtudes do parágrafo: renúncia, modéstia, coragem); "altruísmo" = "generosidade"; "sejam um dia encarnadas por alguém" = "um dia se manifeste... mas em alguém". Nada foi acrescentado, nada foi suprimido.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"defende que os heróis dos gibis e da TV, contrariamente aos arqui-inimigos, são indivíduos ousados e intimidadores"

Erro: contradição. O texto diz exatamente o oposto sobre os heróis atuais: "Na televisão, os heróis urram, gritam, destroem, torturam, estridentes como os arqui-inimigos maléficos" — ou seja, os heróis da TV se assemelham aos arqui-inimigos, não se opõem a eles. Além disso, o autor critica os heróis modernos por serem "complexos, dramáticos e ambíguos", não os elogia como "ousados e intimidadores". A alternativa inverte o juízo do autor.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora extrapolar com fatos verdadeiros no mundo real ("heróis são corajosos", "pessoas comuns não têm superpoderes") que o texto não afirma. A única defesa é exigir a passagem exata que sustenta cada alternativa.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, sublinhe no texto a frase que corresponde à alternativa correta antes de ler as alternativas. Se a alternativa não tiver um "endereço" no texto, é distratora.

Gabarito: letra D — a única alternativa inteiramente ancorada no texto, sem extrapolação, restrição ou contradição.

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