Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu184595
Banca
VUNESP
Órgão
PM SP
Ano
2023
Cargo
Sold ( )
Exercícios
Há senhores, graves senhores, que leem graves estudos de filosofia ou coisas afins, ou procuram sozinhos filosofar, considerando as suas ideias que eles julgam próprias. Isto em geral os leva à redescoberta da pólvora. Mas não há de ser nada... Porque estou me lembrando agora é dos tempos em que havia cadeiras na calçada e muitas estrelas lá em cima, e a preocupação dos pequenos, alheios à conversa da gente grande, era observar a forma das nuvens, que se punham a figurar dragões ou bichos mais complicados, ou fragatas que terminavam naufragando, ou mais prosaicamente uma vasta galinha que acabava pondo um ovo luminoso: a lua.
E esses exercícios eram muito mais divertidos, meus graves senhores, que os de vossas ideias, isto é, os de vossas nuvens interiores.
(Mario Quintana, A vaca e o hipogrifo.)
Leia o texto.
É correto concluir que, no texto, o autor contrapõe os exercícios de imaginação das crianças aos exercícios filosóficos,
Aafirmando a importância do devaneio dos filósofos para criar ideias proveitosas.
Bdestacando a importância do pensamento filosófico, pois produzem o saber.
Cvalorizando os primeiros, que provocam sensações mais agradáveis.
Dquestionando o passado, quando a contemplação infantil não levava a nada.
Ecolocando-os em igualdade de condições para atingir o conhecimento.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoC — valorizando os primeiros, que provocam sensações mais agradáveis.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Contraposição entre imaginação infantil e filosofia
Gabarito: letra C. O autor contrapõe os exercícios de imaginação das crianças aos exercícios filosóficos valorizando os primeiros, pois os considera "muito mais divertidos" que os das "nuvens interiores" dos filósofos. A passagem que ancora essa leitura está no último parágrafo: "E esses exercícios eram muito mais divertidos, meus graves senhores, que os de vossas ideias, isto é, os de vossas nuvens interiores."
O comando pede uma conclusão — ou seja, uma inferência ancorada no texto, não uma mera localização de informação. A palavra-chave é "contrapõe": o autor estabelece uma oposição entre dois tipos de exercício — o de observar nuvens (imaginação infantil) e o de filosofar (ideias dos "graves senhores"). Para resolver, é preciso identificar qual dos dois polos o autor prefere e por quê.
O texto descreve com encantamento os exercícios infantis: as crianças observavam "a forma das nuvens, que se punham a figurar dragões ou bichos mais complicados, ou fragatas que terminavam naufragando, ou mais prosaicamente uma vasta galinha que acabava pondo um ovo luminoso: a lua". A riqueza de imagens — dragões, fragatas, galinha pondo a lua — transmite prazer e ludicidade. Em contraste, os exercícios filosóficos são tratados com ironia: "Há senhores, graves senhores, que leem graves estudos de filosofia ou coisas afins, ou procuram sozinhos filosofar, considerando as suas ideias que eles julgam próprias. Isto em geral os leva à redescoberta da pólvora." A expressão "redescoberta da pólvora" é irônica: sugere que os filósofos se orgulham de descobrir o óbvio.
A técnica decisiva é perceber a valoração implícita. O autor não apenas compara — ele hierarquiza. Os exercícios infantis são "muito mais divertidos" que os filosóficos. A palavra "divertidos" carrega um juízo positivo: o autor prefere a imaginação lúdica à especulação pretensiosa. A alternativa C capta exatamente isso: "valorizando os primeiros, que provocam sensações mais agradáveis". As demais ou invertem a valoração, ou igualam os polos, ou acrescentam ideias que o texto não sustenta.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a inversão de valoração. Alternativas que exaltam a filosofia (A, B) ou que igualam os dois (E) parecem plausíveis, mas o texto é claro ao preferir a imaginação infantil. A armadilha é o leitor projetar o senso comum de que "filosofia é algo sério e valioso" — o autor, porém, a ridiculariza com ironia.
Contraposição do autor: Imaginação infantil ("muito mais divertidos", Riqueza de imagens (dragões, fragatas, lua)); Exercícios filosóficos (Ironia ("graves senhores"), "Redescoberta da pólvora" (óbvio)); Valoração implícita (Prefere a imaginação lúdica, Ridiculariza a especulação pretensiosa)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o autor valoriza "o devaneio dos filósofos para criar ideias proveitosas". O texto faz o oposto: ironiza os filósofos, dizendo que suas ideias os levam "à redescoberta da pólvora" — ou seja, a algo inútil e óbvio. Não há qualquer menção a "ideias proveitosas". Erro: contradiz o texto (inverte a valoração).
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que o autor destaca "a importância do pensamento filosófico, pois produzem o saber". O texto não fala em "produzir saber"; ao contrário, trata o filosofar como algo pretensioso e vazio. A ironia "redescoberta da pólvora" desqualifica a filosofia. Erro: contradiz o texto (atribui valor que o autor nega).
Alternativa C — ✅ Correta
"Valorizando os primeiros, que provocam sensações mais agradáveis." O texto afirma que os exercícios infantis eram "muito mais divertidos" que os filosóficos. "Divertidos" = sensações agradáveis. A alternativa é uma paráfrase fiel da valoração positiva do autor. Correta — ancorada no trecho final.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Questionando o passado, quando a contemplação infantil não levava a nada." O texto não questiona o passado nem diz que a contemplação infantil "não levava a nada". Pelo contrário, o autor a recorda com nostalgia e a valoriza. Erro: extrapolação (acrescenta um juízo negativo que não existe).
Alternativa E — ❌ Incorreta
"Colocando-os em igualdade de condições para atingir o conhecimento." O texto não fala em "atingir conhecimento" nem iguala os dois exercícios. A palavra "mais divertidos" estabelece uma hierarquia: os infantis são superiores em prazer. Erro: contradiz o texto (a igualdade não existe; há clara preferência).
Conclusão: a chave da questão é identificar a valoração do autor. Ele não compara neutramente — ele prefere a imaginação infantil, chamando-a de "mais divertida". A alternativa C é a única que traduz essa preferência. Para questões de contraposição, pergunte sempre: qual polo o autor valoriza? A resposta está nas palavras carregadas de juízo ("divertidos", "graves", "redescoberta da pólvora").