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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2023

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu184607
Banca
VUNESP
Órgão
Pref GRU
Ano
2023
Cargo
Arqt ( )

Por que Nova York está ‘esvaziando’?

 

Uma casa com quintal e espaço para montar um escritório já era um sonho de Giovanna Almeida antes de o mundo ouvir falar de um tal de coronavírus pela primeira vez. Ela morava no Brooklyn quando teve de se isolar em casa durante o pico da pandemia.

 

Na época em que ainda frequentava o escritório, ela gastava uma hora no trajeto entre a casa e o trabalho. Hoje, ela e o marido moram em Nova Jersey, estado vizinho a Nova York, onde o bebê de 11 meses logo vai poder correr à vontade no gramado, nos fundos da casa que eles compraram recentemente. Giovanna é um exemplo de uma tendência que transformou Nova York num dos estados que mais perderam moradores nos últimos dois anos.

 

O professor da Universidade Columbia, Stijn Van Nieuwerburgh, acha que as autoridades precisam tomar providências urgentes para evitar que a cidade entre em um ciclo vicioso com menos arrecadação, população cada vez menor, empresas se mudando e os serviços cada vez mais precários.

 

Basta dar uma caminhada pela rua 57, entre a Quinta e a Sexta avenidas, para entender o que está acontecendo. Com o aumento do trabalho remoto, essa área, que tinha um dos metros quadrados comerciais mais caros da cidade, tem agora várias lojas fechadas e prédios de escritório completamente vazios, com anúncios de “aluga-se”.

 

Uma das propostas da prefeitura da cidade é converter esses escritórios em residências. O professor Nieuwerburgh afirma que a ideia é boa e barata. Basta mudar a lei do zoneamento. “Você pode manter a loja no primeiro andar e converter todos os escritórios nos outros andares porque vai gerar demanda para o comércio.”

 

“Nenhuma cidade pode viver só dos profissionais de finanças, tecnologia e de advogados”, afirma. Para voltar a ser uma cidade vibrante, será necessário manter, também, artistas, funcionários de hotéis e de restaurantes e quem trabalha no entretenimento.

 

O risco é ver Nova York repetir o que já enfrentou nos anos 1970 e o que Detroit ainda não conseguiu superar. Por isso, Nieuwerburgh aconselha: quanto mais rápido a cidade votar a mudança do zoneamento e converter prédios comerciais em residências, mais depressa a arrecadação vai voltar a crescer, garantindo a manutenção dos serviços de transporte, educação e segurança.

 

(Heloisa Villela. BBC News Brasil. 28 dezembro 2022)

Texto

   

A passagem do texto em que se pode identificar a ideia de proporção é:

  1. AGiovanna é um exemplo de uma tendência que transformou Nova York num dos estados que mais perderam moradores nos últimos dois anos. (2o parágrafo)
  2. B… essa área, que tinha um dos metros quadrados comerciais mais caros da cidade, tem agora várias lojas fechadas… (4o parágrafo)
  3. CVocê pode manter a loja no primeiro andar e converter todos os escritórios nos outros andares… (5o parágrafo)
  4. DPara voltar a ser uma cidade vibrante, será necessário manter, também, artistas, funcionários de hotéis e de restaurantes… (6º parágrafo)
  5. E… quanto mais rápido a cidade votar a mudança do zoneamento (…), mais depressa a arrecadação vai voltar a crescer (7o parágrafo)
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — … quanto mais rápido a cidade votar a mudança do zoneamento (…), mais depressa a arrecadação vai voltar a crescer (7o parágrafo)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Proporção: a correlação de grandezas no texto

Gabarito: letra E. A única passagem que expressa ideia de proporção é a do 7º parágrafo: "quanto mais rápido a cidade votar a mudança do zoneamento (...), mais depressa a arrecadação vai voltar a crescer". A estrutura correlativa "quanto mais... mais depressa" estabelece uma relação de proporcionalidade direta entre duas grandezas: a velocidade da votação e a velocidade do crescimento da arrecadação. As demais alternativas apresentam outras relações semânticas (exemplo, contraste, condição, necessidade), mas não proporção.

O comando: identificar a relação semântica

A questão pede que você identifique a ideia de proporção em uma das passagens. Isso é uma tarefa de compreensão de relações semânticas entre ideias, não de localização de informação literal. Você precisa reconhecer o operador argumentativo que instaura a relação de proporcionalidade. A banca não quer que você interprete o sentido global do texto, mas que reconheça, em um trecho específico, a relação lógica expressa pelos conectivos e estruturas sintáticas.

O texto: a tese e o movimento argumentativo

O texto discute o esvaziamento de Nova York e propõe soluções. O professor Nieuwerburgh sugere converter escritórios em residências e, no 7º parágrafo, apresenta um argumento de proporcionalidade para defender a urgência da medida: quanto mais rápido agirem, mais rápido a arrecadação se recupera. Essa é a única passagem em que duas ações estão correlacionadas de forma diretamente proporcional, ou seja, o aumento de uma implica o aumento da outra.

A técnica: reconhecendo a estrutura correlativa

A ideia de proporção é frequentemente marcada pela estrutura correlativa "quanto mais... mais" (ou "quanto menos... menos"). Essa estrutura gramatical estabelece uma relação de dependência proporcional entre duas orações. No trecho da alternativa E, temos:

"quanto mais rápido a cidade votar a mudança do zoneamento (...), mais depressa a arrecadação vai voltar a crescer"

Aqui, a rapidez da votação (causa) é diretamente proporcional à rapidez do crescimento da arrecadação (consequência). Se a votação for mais rápida, a arrecadação crescerá mais depressa; se for mais lenta, crescerá mais devagar. É uma relação de proporcionalidade direta, típica da estrutura "quanto mais... mais".

Análise das alternativas

  1. 1Proporção: quanto mais... mais
  2. 2Oposição: mas, porém
  3. 3Causa: porque, pois
  4. 4Finalidade: para, a fim de
  5. 5Condição: se, caso
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Alternativa A — ❌ Incorreta

"Giovanna é um exemplo de uma tendência que transformou Nova York num dos estados que mais perderam moradores nos últimos dois anos."

Esta passagem apresenta uma relação de exemplificação (Giovanna como exemplo de uma tendência) e de consequência (a tendência transformou Nova York). Não há correlação proporcional entre duas grandezas. O erro é de troca de conceito: a banca oferece uma relação de exemplo/causa-consequência como se fosse proporção.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"... essa área, que tinha um dos metros quadrados comerciais mais caros da cidade, tem agora várias lojas fechadas..."

Aqui há uma relação de contraste temporal (antes tinha lojas caras, agora tem lojas fechadas) e de consequência (o aumento do trabalho remoto levou ao fechamento). Não há proporcionalidade entre duas grandezas que variam juntas. O erro é de troca de conceito: contraste/oposição não é proporção.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Você pode manter a loja no primeiro andar e converter todos os escritórios nos outros andares..."

Esta passagem expressa uma condição (se você mantiver a loja e converter os escritórios, gerará demanda) e uma possibilidade. Não há correlação proporcional. O erro é de troca de conceito: condição/possibilidade não é proporção.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"Para voltar a ser uma cidade vibrante, será necessário manter, também, artistas, funcionários de hotéis e de restaurantes..."

Esta passagem expressa uma relação de finalidade/necessidade (para alcançar X, é necessário Y). Não há proporcionalidade entre duas grandezas. O erro é de troca de conceito: finalidade/necessidade não é proporção.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"quanto mais rápido a cidade votar a mudança do zoneamento (...), mais depressa a arrecadação vai voltar a crescer"

A estrutura correlativa "quanto mais... mais" estabelece uma relação de proporcionalidade direta entre a rapidez da votação e a rapidez do crescimento da arrecadação. É a única passagem em que duas grandezas variam de forma diretamente proporcional.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre proporção e outras relações semânticas (exemplo, contraste, condição, finalidade). A palavra "proporção" no enunciado é a chave: procure a estrutura "quanto mais... mais" ou "quanto menos... menos", que é a marca gramatical clássica da proporcionalidade.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar relações semânticas, grife os conectivos e estruturas correlativas. "Quanto mais... mais" = proporção; "mas/porém" = oposição; "porque" = causa; "para" = finalidade; "se" = condição. Essa distinção resolve a questão.

Gabarito: letra E — a única passagem com estrutura correlativa de proporcionalidade direta.

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